quarta-feira, 24 de junho de 2026

Sankalpa - A semente plantada no nosso corpo

 

Sankalpa (do sânscrito: San, que significa "uma ligação com a verdade mais elevada", e Kalpa, que significa "voto" ou "compromisso") é muito mais do que uma simples "promessa de Ano Novo", é uma intenção profunda, uma semente que plantamos no solo da nossa consciência para alinhar a nossa vida com o nosso propósito maior (Dharma).

Para compreender toda a sua dimensão, vou analisar a sua importância através de duas perspetivas: pelas práticas tradicionais e pelos três níveis da nossa existência e também da sua aplicabilidade nas nossas rotinas diárias 

1. A Importância do Sankalpa nas Práticas Tradicionais

No Yoga

 No Yoga clássico, o Sankalpa não é apenas um desejo egoico (como "quero um carro novo"), mas sim uma declaração que reflete a nossa verdadeira natureza. Ele é a força motriz que direciona a nossa prática, e quando fazemos uma postura (asana) ou um exercício de respiração (pranayama), o Sankalpa dá uma direção sagrada à energia direcionada pelo corpo, transformando o exercício físico num ato de transcendência.

Na Meditação (e Yoga Nidra)

É no Yoga Nidra (o relaxamento psíquico profundo) e na meditação que o Sankalpa encontra o seu terreno mais fértil.

- Quando estamos em estados profundos de relaxamento, as ondas cerebrais desaceleram (entrando em estado Alpha ou Theta).

- Nesse estado, a mente consciente (e o seu filtro crítico/negativo) relaxa, abrindo as portas do subconsciente.

- Plantar o Sankalpa aqui é como colocar uma semente na terra adubada que vai contornar todos os elementos autossabotadores e começar a reescrever os nossos padrões mentais (samskaras). 

No Ayurveda

Na Medicina Ayurvedica, a saúde não é apenas a ausência de doença, mas o estado de equilíbrio perfeito entre corpo, mente e espírito (Svastha) e aqui o Sankalpa atua como o nosso foco mental necessário para a cura. Para mudar hábitos alimentares, rotinas diárias (Dinacharya) ou superar vícios, a força de vontade comum falha frequentemente. O Sankalpa fortalece o Buddhi (o intelecto superior e o discernimento), dando a cada um de nós a determinação amorosa para fazer escolhas que promovem a vida e o equilíbrio dos Doshas.

2. O impacto do sankalpa nos três níveis de existência 

A nível físico

Embora seja uma intenção mental, o Sankalpa manifesta-se densamente no nosso corpo através da neuroplasticidade, que ao repetir uma intenção positiva e um estado de relaxamento, criamos novas vias neuronais no cérebro. Por outro lado, vai produzir uma redução do stress, pois um Sankalpa focado na paz ou na saúde ativa o nosso sistema nervoso parassimpático, reduzindo o cortisol e a adrenalina. O corpo físico reage relaxando as tensões crónicas e vai melhorar o nosso sistema imunitário.

À Nível Mental

A nossa mente (Manas) é muitas vezes caótica, saltando de pensamento em pensamento, e o Sankalpa vai funcionar como uma âncora ou uma bússola. Sempre que a mente entra em loops de ansiedade, dúvida ou autocrítica, o Sankalpa surge para unificar a nossa mente dispersa substituindo os nossos diálogos internos destrutivos por uma afirmação de força e contentamento (Santosha).

À Nível Espiritual

Este é o propósito mais elevado do Sankalpa, pois espiritualmente, ele assume que nós já somos perfeitos e completos, e que a nossa intenção serve apenas para dissolver os véus que nos impedem de ver isso. Ele conecta a nossa vontade individual com a vontade universal e um Sankalpa espiritual não pede algo que nos faz falta, ele afirma uma verdade eterna (ex: "A paz é a minha verdadeira natureza", em vez de "Eu quero ter paz").

3. Como podemos então formular um Sankalpa eficaz?

Para que ele funcione plenamente nestes pilares todos, deve ser uma frase curta, formulada no presente (como se já fosse real) e com uma linguagem positiva.

 

Para que o Sankalpa seja verdadeiramente eficaz e se integre perfeitamente no nosso Dinacharya (a rotina diária da Medicina Ayurvedica), ele precisa de ser universal, forte e focado no equilíbrio integral (corpo, mente e espírito).

Vou aqui deixar 3 opções de aplicar o Sankalpa mediante a intenção que quiser colocar ou mesmo aquela que mais lhe fizer sentido no seu momento atual.

 

Opção 1: Focada em equilíbrio e saúde (Ideal para Ayurveda)

"Eu sou saudável, equilibrado(a) e vivo em harmonia com a natureza."

Esta afirmação reforça a conexão com os nossos ritmos naturais do dia (essência do Dinacharya) e ancora na saúde física e mental no momento presente.

 

Opção 2: Focada na nossa presença e na paz mental (ideal para meditação)

"A minha mente está em paz e eu acolho e aceito cada momento com clareza."

Esta afirmação ajuda a reduzir a ansiedade matinal e a pressa, sintonizando a mente com o estado de observação calmo e silencioso.

 

Opção 3: Focada em propósito e evolução (ideal para yoga)

"Eu estou alinhado(a) com o meu propósito e ajo com verdade e compaixão."

Esta afirmação conecta as nossas ações diárias e a nossa prática de Yoga ao nosso Dharma (propósito de vida).

 

4- Como incluir o Sankalpa nas nossas práticas diárias

 

Para que a semente do Sankalpa germine, a repetição deve ser feita em momentos em que a nossa mente está mais recetiva e ao mesmo tempo encaixá-lo na sua rotina.

 

Ao Acordar (Logística do Dinacharya)

Logo de manhã, antes de nos levantarmos da cama e de irmos à casa de banho, fazer a raspagem da língua ou beber água morna:

- Senta-te na cama durante 30 segundos.

- Coloca a mão no coração.

- Repetir o  Sankalpa 3 vezes mentalmente, sentindo que cada palavra já é uma realidade no seu corpo.

 

No início e fim da Prática de Yoga

- No início, logo após sentares-te no tapete para os primeiros momentos de quietude, mentaliza o seu Sankalpa. Isso vai dedicar toda a energia dos asanas a essa intenção.

- No fim da prática de yoga (em Savasana) ou no relaxamento final, quando o seu corpo e a mente estão completamente rendidos, repita o Sankalpa mais 3 vezes. É aqui que ele entra no subconsciente.

 

Na Meditação diária

Usa o Sankalpa como a "âncora" antes de começar a observar a respiração ou no final da meditação, como um selo de proteção e foco para o resto do seu dia.

 

Importante: Escolhe apenas um Sankalpa e mantenha-o durante alguns meses ou mesmo até sentir que ele se manifestou plenamente na sua vida. Não mude o seu Sankalpa todos os dias, pois a repetição consistente é o que lhe vai dar força.

Que desfrutem de todo este conhecimento e destas curiosidades importantes da meditação e da Medicina Ayurvédica.

"Bhavatu Sabba Mangalam"

Shanti, Shanti, Shanti


 

sexta-feira, 19 de junho de 2026

O músculo da alma o padmasana e as posturas de sentar na meditação

Instituto de Medicina Ayurvédica

O músculo da alma

No Ocidente e na biofísica moderna designam "o músculo da alma", mas anatomicamente é designado por músculo Psoas-Ilíaco (sendo normalmente designado como psoas). No Tantra e no Hatha Yoga clássico, este grupo muscular é reconhecido como o principal guardião físico da nossa energia vital (Prana) e o eixo de sustentação para as posturas de meditação sentada, como Padmasana (a postura de lótus) e todas as outras posturas de meditação sentadas.

 

Vou então explicar ou mesmo esclarecer a ligação deste musculo da alma de uma forma biológica, emocional e até espiritual.

 

1. O Psoas: O músculo da alma e o armazém do medo

Anatomicamente, o psoas é o músculo mais profundo do núcleo do corpo humano, sendo o único músculo que liga a metade superior do corpo à metade inferior e nasce nas vértebras dorsais e lombares, atravessa a bacia e insere-se no topo do fémur (osso da coxa).

O Músculo Psoas conecta a coluna lombar diretamente ao fémur (coxa).
Instituto de Medicina Ayurvédica

- Na parte superior verifica-se como o Psoas nasce diretamente nas paredes da coluna lombar (vértebras T12 a L5). Esta é a razão pela qual um "músculo da alma" contraído pelo stress puxa a coluna, gerando as tão comuns dores lombares psicossomáticas durante a meditação.

- Ao atravessar a zona pélvica (o caldeirão emocional), verificamos como ele desce diagonalmente, atravessando o interior da bacia, abraçando a zona onde repousam os chakras inferiores (Muladhara e Svadhisthana), e quando está contraído, ele "tranca" energeticamente a bacia.

Na ligação de parte inferior (inserção) em que o músculo termina inserido no trocanter menor do fémur (o osso da coxa). Esta é a ponte mecânica perfeita entre o tronco e as pernas que permite a rotação e a abertura necessárias para posições como Padmasana.

Ao olharem para esta estrutura biomecânica real, vamos entender e perceber que o Psoas não só é considerado como o músculo da alma mas também designado como o músculo do enraizamento e quando ele relaxa, a coluna liberta-se e o fluxo energético flui sem barreiras.

O Racional (Neurofisiologia):

O psoas está diretamente ligado ao nosso cérebro reptiliano (o sistema límbico), o centro das reações mais primitivas de sobrevivência. Sempre que passamos por um momento de stress, medo, ansiedade ou trauma, a amígdala cerebral envia um sinal elétrico imediato para o psoas e ele vai-se contrair.

Isto acontece porque existe uma resposta biológica ao perigo considerando o lutar ou fugir, e o psoas é o músculo que nos encolhe em posição fetal para proteger os órgãos vitais ou que nos projeta para correr. Na nossa vida quotidiana, o stress é constante e psicológico e como tudo está sempre e constantemente a acontecer, nem corremos nem lutamos, e o resultado é que o psoas do homem moderno vive cronicamente contraído e rígido.

 

O Emocional e Espiritual:

Por acumular décadas de stress não processado, o psoas tornou-se conhecido como o "Músculo da Alma". Ele guarda os nossos samskaras (memórias e traumas) de sobrevivência, escassez e medo.

Espiritualmente, o psoas envolve a zona do Mula-adhara (chakra da raiz, ligado à segurança e enraizamento) e do Svadhisthana (chakra sacral, ligado às emoções e à água). Um psoas tenso bloqueia o fluxo de energia subtil nestes centros, gerando uma sensação constante de inquietação espiritual e desconexão com a Terra.

 

 2. A Ligação Espiritual com Padmasana (Postura de Lótus) e Outras Posições de Meditação

Quando nos sentamos para meditar em Padmasana (Lótus), Siddhasana (postura perfeita) ou Sukhasana (postura de pernas cruzadas simples), estamos a realizar uma operação de alta engenharia energética e mecânica sobre o Músculo da Alma.

Postura Meditativa

O trabalho anatómico no Psoas

O impacto energético e espiritual

Padmasana (Lótus)

Exige e cria uma rotação externa máxima das coxas, alongando e estabilizando o psoas de forma bilateral profunda.

Cria uma base geométrica perfeita (Piramide) que tranca a energia na base do corpo, impedindo o Prana de dispersar para as pernas.

Siddhasana (Perfeita)

O calcanhar pressiona o períneo, forçando o psoas a alinhar a bacia de forma neutra sem esforço lombar.

Estimula diretamente a Kundalini no Muladhara Chakra, direcionando a energia para cima através do canal central (Sushumna).

Sukhasana (Fácil)

Requer o uso de um suporte (almofada/Zafu) de modo que o psoas esteja encurtado, para evitar que a coluna se curve.

Permite um enraizamento inicial pacífico para praticantes ocidentais que ainda estão a libertar as tensões da bacia.

 

 

O Segredo de Padmasana e do Fluxo Lunar (Ida Nadi)

Para que cada um de nós consiga manter-se sentado em meditação profunda ou estabilizar a sua consciência antes e depois de uma meditação, a coluna precisa de estar ereta, mas sem esforço muscular.

- Se o Psoas estiver rígido (Encurtado), vai puxa a coluna lombar para a frente (hiperlordose) ou, para compensar, faz a bacia rodar para trás, obrigando o meditador a ficar curvado. Isto gera dor física imediata, disparando o sistema simpático e enchendo a mente de pensamentos de desconforto. A meditação torna-se impossível porque o "músculo da alma" está a gritar que está em perigo.

 - Se o Psoas estiver relaxado e alongado (Padmasana) aí a bacia encaixa perfeitamente como uma taça sagrada, fazendo com que a coluna se ergua de forma natural, os ombros relaxam e o diafragma (que está anatomicamente ligado ao psoas através dos seus ligamentos) liberta-se. Tudo isto vai permitir uma respiração abdominal profunda e subtil.

 

Espiritualmente, o relaxamento do psoas em Padmasana abre o portal de Ida Nadi (o canal lunar da recetividade) e o fluxo do subconsciente. Quando o psoas se rende na postura sentada, o medo inconsciente guardado na bacia dissolve-se. A energia que estava estagnada na base do corpo é finalmente libertada e começa a subir pela coluna vertebral em direção aos chakras superiores (Ajna e Sahasrara).

 

"A bacia humana é o caldeirão onde o Tantra alquimiza o medo em liberdade. Quando libertamos o Psoas ou o músculo da alma através de Padmasana, não estamos apenas a abrir as ancas, estamos a abrir os arquivos ocultos do nosso subconsciente, permitindo que a energia da Terra suba pela nossa coluna e se transforme em pura Iluminação."

Compreender o funcionamento do psoas dá-nos a resposta biológica do porquê de sentirmos tanta agitação mental ou desconforto físico ao tentarmos sentar-nos em meditação, pois a mente não consegue calar-se enquanto o músculo da alma estiver a reter o medo.

As práticas que nos ajudam a libertar a anca

Existe um segredo mecânico que poupa os joelhos de milhares de praticantes, melhorando a flexibilidade para fazer o padmasana (Lótus), que não vem dos joelhos, mas sim da rotação externa da articulação da anca (coxofemoral).

Quando a anca está rígida (devido ao Psoas e aos rotadores encurtados pelo stress), cada um de nós vai forçar as pernas para cruzar e o elo mais fraco neste caso é o joelho que sofre uma torção lateral para a qual não foi anatomicamente desenhado, causando lesões nos meniscos e ligamentos.

 

Para uma tomada de consciência da ligação da biomecânica ao misticismo, aqui vos deixo um mapeamento para a rotação da anca e das práticas (físicas, biológicas e espirituais) de modo a preparar o corpo para o Padmasana e ao mesmo tempo a soltar o psoas.

 

 1. A Rotação Externa da Anca: A Chave Anatómica

A articulação da anca é uma articulação esferoide (uma esfera dentro de uma cavidade). Ela foi desenhada para rodar em 360 graus.

Para que as pernas se cruzem em Lótus de forma segura, o fémur precisa de fazer uma rotação externa pura (rodar para fora) e se os músculos profundos da bacia como o Psoas, o Ilíaco e o Piriforme estiverem tensos e barricados com memórias de medo e contração (samskaras), essa rotação fica bloqueada.

Espiritualmente, libertar esta rotação significa abrir o Portal de Shakti na bacia, permitindo que o elemento Água (Apas Bhuta) flua, trazendo flexibilidade não apenas ao corpo, mas à mente.

 

2. Exercícios e Práticas Físicas (Biologia e Hatha Yoga)

Para ceder a anca, precisamos de alongar os rotadores internos e ao mesmo tempo fortalecer/alongar os rotadores externos de forma gradual.

- Bhadrasana / Baddha Konasana que é também designada como a postura da borboleta que vai libertar os adutores. Estando s1.Bhadrasana / Baddha Konasana (Postura da Borboleta):Libertação dos Adutores.sssentado, junte as plantas dos pés e aproxime os calcanhares do períneo. Segure os pés e deixe os joelhos pesarem em direção ao chão e fazendo ligeiros movimentos para cima e para baixo. Mecânicamente vai existir um alongamento dos músculos adutores (interior da coxa), permitindo que a anca comece a abrir lateralmente sem pressão nos joelhos.

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- Eka Pada Rajakapotasana também desigada como a postura do pombo ativo, onde é feito o alongamento do Piriforme e Psoas. 2.Eka Pada Rajakapotasana (Postura do Pombo Ativo):Alongamento do Piriforme e Psoas.Aqui devemos trazer um joelho para a frente, fletido no chão, enquanto estende a outra perna para trás, devendo manter a bacia quadrada. Mecânicamente existe um alongamento intenso do músculo piriforme e dos glúteos profundos da perna da frente, enquanto alonga o psoas da perna de trás. Este é considerado como um dos mais libertadores de stress emocional da bacia.

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- Agnistambhasana também designado como a postura do tronco de lenha onde é feita uma rotação externa avançada. 3.Agnistambhasana (Postura do Tronco de Lenha):Rotação Externa Avançada.Sentado, alinhe a canela direita acima da canela esquerda, como se fossem dois troncos empilhados colocando um tornozelo sobre o joelho oposto. Se for possível pode inclinar o tronco para a frente. Mecânicamente é a preparação mais direta para o posição de Lótus, pois isola a rotação externa da coxa.

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3. Práticas Energéticas e Técnicas Espirituais (Tantra e Sadhana)

O Tantra compreende que o corpo não abre apenas com força mecânica, mas sim com a circulação dirigida de consciência e da respiração, por isso vou aqui incluir algumas técnicas que podem ajudar:

- Prática de Yoni Mudra com Respiração Pélvica

 Aqui na posição de sentado devemos colocar as mãos sobre o baixo-ventre em Yoni Mudra (polegares unidos apontando para cima, indicadores unidos apontando para baixo, formando um triângulo que representa o útero cósmico e a energia criativa).Instituto de Medicina Ayurvédica

 

- A Condução Espiritual: aqui devemos inspirar direcionando o Prana mentalmente até ao fundo da bacia, visualizando que o espaço entre os ossos da anca se expande como um oceano. Ao expirar, visualiza-se a tensão crónica, o medo e a rigidez a saírem pelos ossos em direção à Terra. Isto acalma o sistema nervoso, indicando ao "músculo da alma" que se pode relaxar.

 

Meditação de Purificação do Svadhisthana Chakra

A Técnica aqui é focar a atenção no centro da bacia (ao nível do sacro), visualizando uma flor de lótus de seis pétalas de cor laranja radiante e um crescente lunar prateado no seu interior (o elemento Água).

Devemos também fazer um mantra semente (Bija Mantra), vocalizando o som VAM (o som semente da água) direcionando a vibração acústica para as articulações das ancas. Este som VAM vai atuar como uma lavagem vibracional nas Nadis da bacia dissolvendo a rigidez mental (crenças rígidas, necessidade de controlo) que se manifesta fisicamente como ancas trancadas. A água também vai trazer fluidez e com isto as ancas cedem quando a mente aceita fluir com a vida.

 

Nota importante: Nunca devemos empurrar os joelhos de modo a forçar o Padmasana. Se ainda se queixar de dor no joelho, deve desfazer a postura imediatamente, pois a dor no joelho é a prova de que a anca está trancada. Honre o tempo de Shakti no corpo de cada um. A flexibilidade espiritual é aceitar o corpo tal como ele se apresenta hoje.

Com este conhecimento podemos prepararmo-nos para nos sentarmos em meditação não através da força violenta do ego, mas sim através da inteligência anatómica e da entrega espiritual.

 

Que desfrutem de todo este conhecimento e destas curiosidades importantes da meditação e da Medicina Ayurvédica.

"Bhavatu Sabba Mangalam"

Shanti, Shanti, Shanti