quarta-feira, 8 de abril de 2026

MASSALAS E ESPECIARIAS | workshop

 


MASSALAS E ESPECIARIAS | workshop

Massalas Ayurvédicas - Rasa tanmātrā (paladar)
- Os sabores que curam e  aromas que equilibram -

 
18.04.2026 | 14:00 – 19:00

Exploratório | Rua de Brito Capelo 243, 4450-073 Matosinhos

Recebi com imensa gratidão o convite que me foi feito pelo exploratório da ESAD-IDEA para conduzir este workshop de massalas e especiarias. É uma honra poder partilhar neste espaço o meu conhecimento, experiência e vivências, e contribuir de forma significativa com o maior conhecimento de como usar as especiarias e qual a sua importância nos dias de hoje. Agradeço a confiança e a sintonia que tornaram este momento possível.

No dia 18 de Abril, o Exploratório (Rua Brito Capelo, 243, Matosinhos) recebe o workshop “Massalas e Especiarias”. Uma imersão prática e sensorial no universo das especiarias e da medicina Ayurvédica, orientada por Vítor José

 
Será que todos sabemos que os alimentos podem ser mais do que nutrição? Que uma pequena quantidade de especiarias pode transformar não só o sabor da comida como o tempero, mas também melhorar o seu humor, a sua digestão e até seu o equilíbrio interior?
Este 
workshop de Massalas Ayurvédicas, é uma imersão nos segredos milenares da medicina Ayurvédica que utiliza a combinação de plantas e especiarias como forma de cura, de harmonia do seu corpo e do seu bem-estar.
O que são Massalas?
Massala é uma mistura de especiarias elaborada a partir de uma sabedoria ancestral, onde cada ingrediente é escolhido com propósito de equilibrar os doshas (biotipos energéticos pessoais Vata, Pitta e Kapha), de estimular o Agni (fogo digestivo), e favorecer a clareza mental, emocional e espiritual.
O que vai aprender neste 
workshop:
- A base do conhecimento ayurvédico sobre o sabor das especiarias e das plantas (Rasa), a potência da especiaria (Virya), o efeito pós-digestão das plantas (Vipaka), Prabhava (ação específica inexplicável) e o Guna das plantas (qualidades físicas)
- A ver, cheirar e saborear 30  especiarias e ao mesmo tempo conhecer as suas propriedades digestivas, terapêuticas e psicoemocionais.
- Como criar massalas personalizadas para cada dosha, para cada estação do ano ou mesmo para cada necessidade pessoal e terapêutica.
- Aprender as técnicas de preparação, conservação, moagem e ativação das especiarias
- Como usar as massalas na culinária e como fitoterapia ayurvédica
Este 
workshop destina-se a si e a todos os que querem aprofundar os seus conhecimentos específicos da Medicina Ayurveda de forma prática e sensorial, para aqueles que procuram alternativas naturais para melhorar a sua digestão, a imunidade e o equilíbrio emocional, aos que gostam de cozinhar com consciência e desejam transformar os seus pratos em verdadeiros remédios, aos que querem que a sua alimentação funcione como uma terapia integrativa, como modo de nutrição, como elemento fitoterápico e no fim disto tudo para aqueles que se querem cuidar e tratar através de elementos naturais.
O que está incluído neste curso:
Dossier completo com fichas das especiarias e da preparação das diferentes massalas
O conhecimento transmitido pelo especialista Vitor José
Receitas tradicionais de massalas
Aprender a criar e preparar uma massala individual
Conhecer, sentir do cheiro e sabor de cada especiaria

Quem ministra o curso:
Vitor José naturopata e terapeuta de Medicina Ayurvédica e Chairman de Ayurveda.gdm e do Instituto de Medicina Ayurvédica
 

Informação, preço e inscrições disponíveis no link

https://store.esadidea.pt/collections/workshops-exploratorio/products/ta-workshop-de-massalas

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Shatkona

 

Instituto de Medicina Ayurvédica
Instituto de Medicina Ayurvédica

Shatkona é um dos símbolos mais profundos da tradição espiritual indiana. À primeira vista, parecem apenas dois triângulos entrelaçados — mas, na verdade, ele é um mapa completo da consciência e da criação. 

Estrutura do Shatkona

O símbolo é formado por:

Triângulo para cima representa Shiva 🔺

Triângulo para baixo representa Shakti 🔻

A união dos dois cria uma estrela de seis pontas.

Significado espiritual essencial

O Shatkona representa:

1.  União dos opostos

- Espírito e matéria

- Consciência e energia

- Masculino e feminino

- Silêncio e movimento

Não são forças separadas, nem são opostos, são aspectos de uma mesma realidade

2. O mistério da criação

Antes da união:

Shiva é potencial puro (não manifesta)

Shakti é energia em movimento (manifestação)

Quando se encontram vai acontecer a criação, a experiência e o universo

O Shatkona é o momento eterno onde o invisível se torna visível 

3. Leitura interna (muito profunda)

Dentro de nós mesmo podemos considerar que :

Shiva é a consciência em nós que observa

Shakti são os nossos pensamentos, emoções e energia

Quando estes duas entidades estão separadas vai existir confusão, sofrimento e a identificação com a mente, mas quando estão em união vai existir clareza, presença e alinhamento.

O Shatkona representa o estado onde nós vivemos, mas também a maneira de não nos perdemos no lugar onde vivemos.

4. Centro do Shatkona

O ponto central considerado invisível representa o OM ou pode ter como representação um bindhu, que representa o elemento vazio pleno, o ponto de equilíbrio absoluto e ao mesmo tempo o “testemunho silencioso”

É no centro onde tudo acontece, mas onde nada nos prende, mas onde todas estas forças giram em torno desse ponto.

Relação com Murugan

Quando Shiva e Shakti estão perfeitamente integrados nasce um terceiro estado e este estado é simbolizado por Murugan definindo a consciência em ação, a sabedoria viva e o equilíbrio dinâmico, em que  Shatkona é o “campo” e Murugan é o “resultado vivo”

Dimensão energética

O Shatkona também pode ser considerado como o sentido do fluxo de energia no nosso corpo em que a energia ascendente (kundalini subindo) e a energia descendente (a graça, consciência descendo), considerando que quando elas se encontram ocorre expansão da consciência e o equilíbrio dos nossos campos.

Uma leitura ainda mais sutil

O Shatkona não é apenas um símbolo estático, ele é um movimento contínuo de subida e descida, uma dança entre vazio e a forma e o equilíbrio vivo entre o ser e o fazer.

Quando esse equilíbrio acontece em nós mesmo não vamos fazer esforços excessivos, não vai existir resistências e ao mesmo tempo todo o nosso fluxo vai ser natural.

Aplicação prática (meditação)

Podemos usar o Shatkona como um yantra e focalizando-o:

  1. Visualize o triângulo para cima (consciência)
  2. Visualize o triângulo para baixo (energia)
  3. Veja os dois que se interligam
  4. Foque o centro (silêncio)

Devemos manter o foco e a compenetração considerando que esse ponto é a presença pura e ao mesmo tempo um estado meditativo profundo.

A escola tântrica também utiliza este simbolo em que Shatkona não é apenas um símbolo mas é um diagrama de prática interna, um yantra vivo. Como vimos atrás representa a união sagrada entre Shiva (consciência pura e imutável) e Shakti (energia dinâmica e criadora). Na escola tantrica, isto é vivido no corpo como o triângulo ascendente sendo a energia que sobe (kundalini) e o triângulo descendente é a energia que desce (graça, consciência), em que a perspetiva do encontro com a iluminação, nesta visão, não é fugir do mundo mas sim unir o céu e a terra dentro em nós mesmo.

Instituto de Medicina Ayurvédica
 

Esta união é chamada de Maithuna (união sagrada), mas vou aqui considerar um ponto mais profundo, considerando não apenas a parte física mas também simbólica. É um processo interno onde as polaridades se dissolvem, a dualidade desaparece e onde surge uma unidade consciente considerando que Shatkona é o mapa e a representação dessa união.

 A Essência tântrica do símbolo Shatkona ensina-nos a não rejeitar o corpo, a não negar a mente, a não fugir do mundo, mas ao mesmo tempo devendo integrar tudo na nossa consciência.

Instituto de Medicina Ayurvédica

As silabas e o mantra

As sílabas dentro dos pequenos triângulos formam um mantra sagrado muito conhecido na tradição hindu: “OM SARAVANA BHAVA”

No centro dos dois triângulos está o som primordial: Om (ou AUM) e á sua volta aparecem as sílabas: - SA - RA - VA - NA - BHA - VA.

 “Saravana Bhava” é um mantra associado diretamente a Murugan que tem como significado- “Saravana” refere-se ao local mítico onde Murugan nasceu (um lago sagrado de juncos) e - “Bhava” significa “ser”, “existência” ou “estado de consciência”

Portanto, o mantra pode ser entendido como “Aquele que nasceu da consciência divina” ou “Que desperte em mim o estado de Murugan”

Cada sílaba representa uma vibração específica, um aspecto da consciência e um ponto energético dentro do nosso corpo. Esta divisão em 6 partes também está associada aos 6 rostos de Murugan e aos 6 centros de energia (chakras principais, em algumas tradições).

 

Outra leitura também pode ser feita que quando se observa o yantra verificamos o OM no centro que representa a fonte e o absoluto (Shiva), as sílabas a toda a volta representam a manifestação vibracional (Shakti) e todo o conjunto representa o despertar da consciência em forma ativa (Murugan), ou seja, não é apenas um desenho, mas sim um mapa vibracional de meditação.

Ao visualizar o Yantra e entoarmos o mantra OM… SA RA VA NA BHA VA… tomamos consciência que o OM nos foca e centra, que cada sílaba pronunciada e verbalizada ativa todas as nossas camadas internas e as duas em conjunto geram o alinhamento e reorganização do nosso corpo e o aumento da nossa clareza.

 

 Instituto de Medicina Ayurvédica

Como vemos na imagem Shatkona também apresenta uma leitura cosmológica e tântrica mais completa, integrando várias forças divinas e em que este símbolo deixa de ser apenas Shiva–Shakti e passa a representar todo o ciclo da existência.

Como base e dos princípios da representação de Shatkona o triângulo ascendente define o princípio masculino e a consciência e o triângulo descendente o princípio feminino / energia, mas agora, cada vértice está associada a divindades específicas, considerando que cada vértice representa uma divindade.

 No topo aparece Brahma que representa a criação, o aparecimento do universo e o início de tudo, considerado como a energia de nascimento, das ideias e de todas as potencialidades.

Na base está Saraswati que representa a sabedoria, o conhecimento, o som (mantra) e a inteligência que organiza a criação, considerando que sem consciência (Shiva), o conhecimento não floresce.

 No lado direito superior está Lakshmi que representa a abundância, a harmonia e a sustentação da vida, considerando que a energia que nutre e expande

 No lado direito inferior está Shiva que representa a consciência pura, a dissolução e o retorno ao vazio, considerando o fim que é também o recomeço

 No lado esquerdo inferior está Vishnu que representa a preservação, o equilíbrio do universo e a ordem cósmica, considerando que mantém tudo em funcionamento

 No lado esquerdo superior está Kali que representa a nossa transformação intensa, a destruição do ego e o tempo e impermanência, considerando que é uma força que rompe com todas as ilusões

 Na visão tântrica, isto mostra que não existe apenas Shiva e Shakti isolados que
existe uma rede de forças interligadas que quando as pessoas o praticam vão absorver todas estas energias associadas a todas as divindades,  vão aprender a reconhecer todas estas divindades dentro de si e ao mesmo tempo a integrar tudo na nossa consciência.

  

Por tudo isto que vimos podemos considerar que esta imagem do Shatkona nos vai ensinar e transmitir algo mais avançado, considerando que a espiritualidade não é só união de dois polos mas também a integração em nós de todas as forças da existência.

 

"Om Sarvesham Swastir Bhavatu"

OM Shanti, Shanti, Shanthi

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Shiva e Shakhti - Murugan

 

Instituto de Medicina Ayurvédica
Instituto de Medicina Ayurvédica

A ideia “Shiva + Shakti = Murugan” vem de uma leitura simbólica dentro do tantrismo e da tradição hindu, onde a união das polaridades divinas gera manifestação em que Murugan é visto como fruto dessa energia unificada. (ver texto https://ayurveda-gdm.blogspot.com/2026/04/murugan-divindade-que-representa-os-que.html )

sobre os dois triângulos invertidos, que representa um símbolo muito profundo na tradição espiritual e utilizado em muitas ocasiões.

Triângulo de Shiva (apontando para cima) 🔺

Representa o princípio masculino

Associado a:

- Consciência pura (Purusha)

- Estabilidade

- Fogo / ascensão

- Espírito

- Simboliza o retorno à origem

-  caminho da interiorização

-  estado de presença e vazio

 

É a energia que sobe, na procura da transcendência e quando a consciência se recolhe para si mesma 

Triângulo de Shakti (apontando para baixo) 🔻

Representa o princípio feminino

Associado a:

- Energia criativa (Prakriti)

- Manifestação

- Água / descida

- Matéria

- Simboliza a descida do divino na matéria

- A expressão da alma no mundo

- A criação, o sentir, o viver

 

É a energia que desce, que cria, dá forma, estrutura proporciona vivo o nosso equilíbrio. É quando o divino se expressa através de nós mesmo

Quando os dois se unem essa união não é conceito, é experiência

Quando esses dois triângulos se interpenetram, não estamos mais no campo da teoria, estamos a falar de um estado onde:

- O fazer nasce do ser

- A ação nasce do silêncio

- O corpo torna-se templo da consciência

Esse encontro gera o símbolo do equilíbrio vivo, mas esta sobreposição dos dois triângulos também forma um símbolo conhecido como:

Shatkona (hexagrama sagrado na Índia)

Também comparável à estrela de seis pontas

Significado espiritual:

União de opostos (masculino + feminino)

Equilíbrio entre céu e terra

Integração entre espírito e matéria

Estado de consciência desperta

Relação com Murugan (https://ayurveda-gdm.blogspot.com/2026/04/murugan-divindade-que-representa-os-que.html)

Murugan, neste contexto, não é apenas uma divindade externa, Ele representa:

- O despertar da nossa inteligência espiritual

- A clareza que nasce quando a energia e a consciência estão alinhadas

- O nosso guerreiro interior que dissolve a ignorância

É o estado onde nós mesmo não estamos divididos entre espírito e matéria e nos tornamos o ponto de encontro entre os dois.

Mas ao mesmo tempo Murugan simboliza:

- A consciência nascida desta união perfeita

- A sabedoria ativa

- O poder espiritual equilibrado

Ou seja: Shiva (consciência) + Shakti (energia) = criação consciente (Murugan)

Se pensarmos numa leitura interior mais subtil podemos considerar que dentro de nós Shiva é o espaço, Shakti é a vibração e Murugan é a consciência que desperta em ação. Quando as duas estão separadas há esforço, conflito, procura incessante, instabilidade e desarmonia. Quando há união há fluxo, há presença e há um alinhamento natural do nós como um todo, o fortalecendo o nosso sistema imunitário e até a nossa regularização energética e na continuidade a nossa cura.  

Instituto de Medicina Ayurvédica

Podemos também a partir de aqui definir uma interpretação interna associada ao nosso campo energético em que o triângulo virado para cima em que a energia sobe (kundalini ascendente), e o triângulo para baixo em que a energia desce (graça divina), e quando os dois se encontram acontece o despertar espiritual. 

Esta símbolos também estão associados ás práticas de som como por exemplo as taças tibetanas, em que esse símbolo também pode ser sentido, não apenas compreendido, considerando que o:

- O som contínuo representa Shakti e ao mesmo tempo o movimento

- O silêncio entre os sons representa Shiva que é a consciência

E quando entramos realmente na união destes sons e na escuta profunda surge um terceiro estado e ao mesmo tempo uma percepção expandida. Esse estado é “Murugan” dentro de nós mesmo.

"Om Sarvesham Swastir Bhavatu"

OM Shanti, Shanti, Shanthi