sexta-feira, 5 de junho de 2026

A Meditação e a limpeza dos samskaras

 Meditação e samskaras


A limpeza dos samskaras através da meditação 

Compreender como limpar a nossa mente e o corpo subtil das impressões acumuladas é um passo gigante na nossa jornada espiritual que precisa de alguma persistência pessoal e ao mesmo tempo a aceitação da técnica.

No universo das práticas meditativas, a meditação Vipassana numa estreita relação com o Yoga Nidra são amplamente consideradas como as mais indicadas e eficazes para a dissolução e libertação de samskaras, e de todas as cargas emocionais e pessoais.

Aqui deixo outras técnicas para compararem e tirarem as suas elações sobre cada uma delas explorando as suas correntes meditativas para se possa compreender a sua mecânica e como cada uma lida com a mente e as emoções.

1. Meditações da Tradição Theravada

O Budismo Theravada ("A Escola dos Anciãos") foca-se na atenção plena e na análise direta da realidade. Existem duas práticas pilares nesta tradição:

Anapanasati (Atenção Plena à Respiração)

A pessoa foca toda a sua atenção exclusivamente num ponto específico onde sente o ar entrar e sair (geralmente nas narinas ou no lábio superior). Sempre que a mente se dispersa, regressa-se lentamente à respiração.

Esta técnica tem como objetivo desenvolver Samadhi a concentração profunda e acalmar o nosso sistema nervoso.

Ela atua diretamente na "escavação" dos samskaras, mas funciona como um anestésico e estabilizador emocional rápido para o stress do dia a dia.

Metta Bhavana (Meditação do Amor Bondoso)

Esta prática começa por direcionar sentimentos de amor, paz e segurança para si mesmo, expandindo-os progressivamente para pessoas queridas, pessoas neutras, pessoas difíceis com quem tem conflitos e, finalmente, para todos os seres vivos.

O objetivo desta prática é o de cultivar a compaixão e a empatia universal.

Esta é uma ferramenta também do Vipassana e é considerada como uma das ferramentas mais potentes do Theravada para dissolver o samskara da raiva, do ressentimento e da mágoa, substituindo-as por uma vibração de benevolência.

Leia mais sobre metta bhavana aqui 

2. Meditação dos Corações Gémeos (Pranic Healing)

Criada pelo Grand Master Choa Kok Sui (fundador da Cura Prânica), esta é uma técnica energética e não uma técnica de silêncio mental clássico.

Ela baseia-se na ativação de dois centros de energia principais (chakras): o Chakra do Coração (centro da emoção humana) e o Chakra da Coroa (centro do amor divino), em que a pessoa abençoa a Terra com amor, paz e cura, visualizando o planeta enquanto projeta luz.

O objetivo desta prática é o de purificar a aura e os chakras, agindo como um canal de energia divina.

Se a técnica for bem feita e bem aplicada ao canalizar uma enorme quantidade de energia espiritual de alta frequência, esta meditação funciona como um "banho de pressão" no nosso corpo subtil, expulsando as energias negativas acumuladas, as formas de pensamento de ansiedade e as nuvens emocionais pesadas de forma muito rápida.

3. Meditação Zen (Zazen)

Esta prática oriunda do Budismo Mahayana, a prática do Zazen foca-se na postura sentada correta, virado para uma parede, de olhos semiabertos. A instrução principal é "apenas sentar-se" (Shikantaza), não se foca na respiração, não se visualiza nada, apenas se testemunha a realidade exatamente como ela é no presente.

Uma das questões desta prática é que ela ensina um desapego radical, em que as emoções surgem e desaparecem como nuvens no céu, sem que cada um de nós se agarre a elas.

4. Meditação Transcendental (MT) / Meditação com Mantras

Esta técnica utiliza um som sagrado específico (um mantra, como o som OM ou mantras personalizados) que é repetido mentalmente de forma contínua durante a prática.

O objetivo é que o mantra funciona como um veículo que distrai a mente consciente, permitindo que cada um de nós "mergulhe" e transcenda para níveis mais profundos e silenciosos da consciência.

Esta técnica tem como premissa promover um relaxamento fisiológico tão profundo que permite ao corpo libertar o stress físico e psicológico acumulado no dia a dia com grande eficácia.

5. Meditação Kundalini (Ativa)

Esta prática foi popularizada por pessoas como Osho, que tem como objetivo o de romper com o conceito de ficar estático, envolvendo fases de respiração caótica, movimentos corporais catárticos como sacudir o corpo ou dançar livremente, seguidos por momentos de silêncio absoluto.

Esta prática tem muita aceitação na mentalidade ocidental moderna, pois muitas vezes, estamos demasiado agitados para nos sentarmos em silêncio, mas segundo a Medicina Ayurvédica Vata é movimento e agitação e quando aumentamos o movimento e a agitação corporal estamos a agravar Vata, apesar desta prática usar o movimento para tentar "espremer" e libertar fisicamente as emoções reprimidas (raiva, tristeza, frustração) antes de entrar no estado meditativo.

Existem hoje diferentes técnicas de Meditação em que cada um vai criando a sua mas pela experiência que tenho o combate com a agitação faz-se com silêncio. Só quando encontrar o silêncio em mim é que percebo a agitação onde estou metido e envolvido.

Vou agora falar um pouco mais detalhadamente por que a Vipassana detém a "chave" para a libertação, além de explorar as suas vantagens e impactos em nós e na nossa envolvente.

Algumas das técnicas e práticas de hoje vão buscar ás meditações mais antigas como por exemplo ao Vipassana partes da técnica e depois tornam-nas autónomas como por exemplo a Meditação de Concentração (Shamatha / Anapanasati), que se vai focar apenas num ponto, geralmente na respiração, na zona entre as sobrancelhas ou mesmo na chama de uma vela e com isto tentar acalmar a nossa mente agitada, mas atua mais na superfície corporal, podemos dizer como calmante. Eu considero que esta prática muitas das vezes são importantes para a concentração, mas nunca vão atingir as nossas zonas mais internas. Posso dizer que é como aquelas pessoas que dizem que fazem meditação ao nadarem, ou aquelas que dizem que meditam a desenhar ou mesmo aquelas que dizem que meditam a ler, tudo isto auxilia no foco mas não nas eliminações mais profundas, dos samskaras.

Outra das técnicas que foi separada é designada pela Meditação da Bondade Amorosa (Metta), que é diferente da meditação dos corações e vai-se focar em cultivar sentimentos de amor, compaixão e perdão, sendo importante num processo de cura de relações, pois foca-se em gerar novos estados mentais positivos, em vez de "escavar" o passado. Como podemos verificar as práticas isoladas proporcionam alterações de estados mentais mas tem muita dificuldade de atingir estados físicos internos e profundos.

Na meditação Vipassana estas duas estão incluídas tanto o Anapana como Metta e além disso ainda inclui a técnica que dá o nome à prática a Meditação Vipassana ou Visão Penetrante. Esta prática de fazer varrimentos e de observar as sensações corporais com total equanimidade sem julgar e sem reagir. Considero que esta técnica é a mais indicada para os dias de hoje e também a considero como a mais indicada para a libertação e eliminação dos samskaras.  

Por que a Vipassana é a mais indicada para libertar Samskaras?

Podemos considerar que os samskaras são cicatrizes emocionais, marcas latentes criadas pelas nossas reações passadas tanto de desejo ou de aversão. Quando algo nos acontece no dia a dia, nós reagimos quimicamente e emocionalmente, e essa energia fica marcada e guardada tanto no nosso corpo físico como no subtil.

Na meditação Vipassana, ao sentarmo-nos em silêncio e ao passarmos a atenção por todo o corpo alguns desconfortos vão surgir eventualmente velhas dores, tensões, calor, comichão, etc. e estes desconfortos físicos são nem mais nem menos que os samskaras a manifestarem-se na matéria.

A chave que o Vipassana utiliza é a equanimidade:

Dou aqui alguns exemplos como o aparecimento de uma velha carga emocional como por exemplo uma raiva reprimida que se vai manifestar através de um aperto no peito ou calor. Outro caso é que em vez de reagir com frustração, gerando um novo samskara deve apenas observar e não vivênciar. Ao observar sem reagir, o ciclo vicioso quebra-se e automaticamente vai ficar sem "combustível" para se renovar, fazendo com que o samskara esgota a sua energia e se dissolve permanentemente.

Nota: O Yoga Nidra (o sono profundo) também é uma ferramenta poderosíssima complementar, pois leva o cérebro a ondas Delta e Theta, que acedem diretamente ao subconsciente onde os samskaras estão enraizados, permitindo uma "limpeza de disco rígido" enquanto o corpo relaxa profundamente.

Vantagens Espirituais da Libertação dos Samskaras

Limpar tanto estas impressões do passado como as criadas traz benefícios profundos para a alma, pois vão purificar o nosso corpo Subtil (Chittashuddhi), fazendo com que a mente se torne um espelho limpo, sem a "lama" dos traumas passados, fazendo com que a nossa perceção da realidade se torne cristalina. Um exemplo interessante para exemplificar é aquilo que se passa num rio em que a agua é limpa e cristalina (que corresponde ao momento quando nascemos) e depois vamos atirando coisas para o rio, pedras que caem folhes que caem, detritos que aparecem pessoas a sujar. Todas estas impressões são samskaras mas acreditem que quando todos nós vemos uma agua limpa logo nos apetece atirar coisas lá para dentro, é assim que funciona a nossa mente.

Por outro lado, como os samskaras são as sementes do karma, ao dissolvê-los na meditação, vamos libertar-nos de padrões repetitivos de sofrimento e de destino, fazendo despertar em nós uma Consciência (Vairagya) que se vai desenvolver num desapego saudável, deixando de ser escravo dos nossos desejos impulsivos ou dos nossos medos irracionais, aproximando-nos do nosso Eu Verdadeiro (Atman ou Purusha).

Importância nos Comportamentos Pessoais e Comunitários

A meditação que limpa os samskaras não é nem pode ser considerado como um acto egoísta, pois com ele também vamos transformar radicalmente a forma como interagimos com o mundo.

O impacto no nosso comportamento pessoal

Uma das questões que nos vai aparecendo é o fim da nossa reatividade automática que se expressa no nosso dia a dia, quando alguém nos insulta ou mesmo quando alguma coisa corre mal, a nossa reação já não é de forma explosiva, havendo um espaço entre o estímulo e a nossa resposta.

Outra questão importante é a cura de traumas e ansiedade, em que as cargas emocionais diárias deixam de se acumular sob a forma de ansiedade crónica, de insónia ou mesmo de depressão. Com isto tudo aparece outra caraterística importante que é a autenticidade, pois ao limpar o que "adquirimos" do exterior, vamos passar a agir com base na nossa essência, e não com base em defesas psicológicas e externas.

O impacto no nosso comportamento comunitário

Com o evoluir da prática vai aparecendo uma relação baseada na empatia, pois quando limpamos a nossa própria dor, passamos a olhar para a dor do outro com uma compaixão pura, em vez de projetar as nossas frustrações nos amigos, parceiros ou colegas de trabalho.

Outra das questões importantes que nos vai aparecendo é a criação de ambientes à nossa volta de paz, pois uma pessoa livre de samskaras pesados e densos torna-se uma presença pacificadora, onde não há conflito e a nossa energia equânime nos vai ajudar a acalmar os ânimos à nossa volta.

E não menos importante é que quando o nosso corpo fica mais limpo vamos agir mais numa cultura de cooperação com o outro e ao mesmo tempo vamos assumir uma atitude de não-violência (Ahimsa). Ao analisarmos grupos de pessoas ou mesmo comunidades que meditam vamos considerar e registar drasticamente menores taxas de agressividade, maior tolerância à diferença e um espírito natural de entreajuda.

Em síntese se nos focarmos no Vipassana ou em práticas profundas de Yoga Nidra voltadas para a observação corporal vamos passar a encontrar um caminho mais direto para "esvaziar a mochila" que carregamos todos os dias. 

A prática do dia-a-dia

Trazer a observação equânime para a "agitação" do nosso dia a dia é quando a meditação se transforma numa verdadeira sabedoria. Quando nos sentamos num espaço de meditação o nosso ambiente é controlado, mas é na fila do trânsito, numa discussão ou num momento de stress que a técnica é realmente testada.

Para aplicar a equanimidade no quotidiano, não precisamos de fechar os olhos. O segredo é criar um "espaço de manobra" entre o que nos acontece e a nossa reação.

Para mim a aprendizagem da técnica de meditação deve inicialmente ser sempre acompanhada e guiada pois não temos força de vontade, tudo é estranho, a agitação é dolorosa o que nos faz desistir facilmente da prática e ao mesmo tempo vamos fazendo sempre técnicas e práticas mais suaves, mas que não conseguem ter o efeito pretendido. Como digo os vídeos do Youtube com meditações de uma hora são poucos e com pouca visibilidade enquanto que os vídeos mais curtos de meditação têm imensas visualizações pois as pessoas encaram a dor como um sofrimento que não toleram e por isso permanecem sempre em meditações ativas ou curtas para não sentirem qualquer incomodo.

Aqui vos deixo um roteiro simples, dividido em 4 passos práticos, para aplicar ao longo do seu dia:

Sempre que sentirmos que uma situação do dia a dia o está a destabilizar emocionalmente, um e-mail rude, uma provocação, uma notícia má ou até uma pressa repentina, ative este processo de gestão mental:

Passo 1: Fazer uma Pausa (O Botão de Pause)

Deve interromper imediatamente o que está a fazer ou a dizer durante pelo menos durante 3 a 5 segundo, ou mesmo se estiver a falar, engula em seco ou respire antes de responder.

Neste caso a reação ao samskara é automática e biológica, pois esta micro-pausa quebra o automatismo repetitivo do nosso cérebro.

Passo 2: Mudar o Foco da Mente para o Corpo

Aqui em vez de se focar no problema exterior, na pessoa que o irritou ou no problema que surgiu, vire a sua atenção para dentro e pergunte-se secretamente: "Onde é que isto me está a bater no corpo?"

Com isto vamos perceber que a raiva é um aperto no estômago, a ansiedade é um batimento cardíaco acelerado, a frustração é uma tensão nos ombros ou maxilares. Automaticamente consideramos que o gatilho exterior é apenas o espelho e o samskara real está a manifestar-se como uma sensação física neste exato momento.

Passo 3: Observar sem Julgar (a Equanimidade)

Olhe para essa sensação física como se fosse um cientista a observar uma experiência no laboratório, não tente expulsar o aperto no estômago, não se sinta culpado por estar irritado, apenas sinta: "Ah, olha aqui o meu peito a queimar. Olha aqui a minha respiração mais rápida."

Ao não lutar contra a sensação ou a aversão e ao não se alimentar dela com mais pensamentos de fúria com o desejo de retaliação, aí devemos permanecer equânimes.

Passo 4: Lembrar a Impermanência (Anicca)

Mentalmente, repita para si mesmo a palavra: "Impermanente" ou "Isto também vai passar". Tudo na natureza surge e desaparece, por isso aquela sensação de calor ou aperto vai atingir um pico e, se não lhe der "combustível" com novos pensamentos, vai acabar por perder força e dissipar-se.

Costumo aqui dar um exemplo imagine que numa prática começa a pensar o que vai fazer para o jantar, nesta fase se nos focarmos na respiração ou mesmo desviarmos a atenção tudo passa, mas se começar a pensar que vou fazer um arroz depois vou pensar que não tenho arroz em casa, que tenho de passar pelo supermercado, mas já que vou ao supermercado vou aproveitar para trazer outras coisas e sem dar por ela estou a fazer a lista de compras de supermercado. Isto é um exemplo pratico de como podemos facilmente alimentar ou dar combustível a um pensamento.

 Consulte mais aqui sobre anicca e a lei da impermanencia

Praticar "Em Silêncio" Durante o Dia

Pode treinar esta capacidade em momentos neutros da sua rotina para que, quando os momentos difíceis chegarem, o seu "músculo da equanimidade" já esteja forte.

Coloque 2 ou 3 alarmes silenciosos no telemóvel ao longo do dia e quando tocarem, onde quer que esteja, faça um scan rápido de 30 segundos ao corpo, relaxe os ombros, relaxe o maxilar e sinta os seus pés no chão e relaxados.

Outra maneira é quando estiver numa fila de supermercado, no trânsito ou à espera de um elevador, resista à tentação de pegar no telemóvel. Use esse momento para observar a urgência ou a impaciência a surgir no corpo, e simplesmente assista a ela sem se mover.

Quando alguém estiver a falar consigo especialmente se for alguém que costuma ser tóxico ou difícil, foque-se em ouvir as palavras sem planear a sua resposta na sua cabeça e ao mesmo tempo vá observando as suas reações internas enquanto escuta.

No início, isto vai parecer estranho ou vai esquecer-se de o fazer e só se vai lembrar horas depois de ter reagido mal, é perfeitamente normal e deve ser equânime nas suas exigências e vai percebendo que com a prática contínua, o espaço de observação vai surgir durante os diferentes momentos, permitindo-nos escolher agir com compaixão e clareza, em vez de reagir com base nos velhos traumas acumulados.

 

Que desfrutem de todo este conhecimento e destas curiosidades importantes da meditação e da Medicina Ayurvédica.

"Bhavatu Sabba Mangalam"

Shanti, Shanti, Shanti

 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

O som e a cura

 

Instituto de Medicina Ayurvédica      Instituto de Medicina Ayurvédica

O som quer seja através das taças tibetanas, dos gongos ou do monocórdo é uma das ferramentas de cura e de libertação mais antigas e poderosas que a humanidade conhece.

Na tradição védica, diz-se que o universo manifestado é puro som (Nada Brahma), e que os samskaras são impressões cristalizadas e bloqueios no nosso sistema. O som atua como uma força de desintegração mecânica e energética desses mesmos bloqueios, efetuando uma limpeza que vai atuar em dois níveis simultâneos: o físico (fisiológico) e o espiritual (energético).

1. A Limpeza ao Nível Físico (A Ciência do Som)

Os samskaras não estão apenas numa "nuvem mística"; eles manifestam-se no corpo físico através de fáscias contraídas, dos padrões de tensão muscular crónica e alterações na nossa química cerebral.

Quando somos expostos aos sons terapêuticos, acontecem dois fenómenos biológicos:

- A ressonância por simpatia em que o corpo humano como é composto por cerca de 70% de água, é um condutor acústico perfeito. A vibração física das taças ou dos gongos penetram profundamente nos tecidos e órgãos, e ao mesmo tempo se uma célula ou um músculo está tenso e "fora de tom" devido a uma carga emocional retida, a vibração forte e harmónica do instrumento obriga a que a nossa estrutura física vibre na mesma frequência saudável, relaxando o bloqueio à força.

- Arrastamento de ondas cerebrais em que o som contínuo e monocórdico desacelera as ondas cerebrais do estado de alerta diário (Beta) para os estados de relaxamento profundo e de meditação (Alpha, Theta e Delta). É nestes estados que o nosso sistema nervoso central entra em modo de autorreparação e liberta o nosso stress acumulado.

 

2. A Limpeza ao Nível Espiritual (O Corpo Subtil)

Do ponto de vista espiritual, os samskaras são obstruções no fluxo do Prana, da nossa energia vital, ao longo dos Nadis dos nossos canais energéticos e dos Chakras.

Cada instrumento tem uma assinatura energética que limpa estas obstruções de forma diferente, as taças tibetanas produzem tons puros e harmónicos que ajudam a alinhar os chakras, trazendo uma ordem ao caos. Funcionam como pequenos "pentes" energéticos que desfazem os nós emocionais mais localizados e á superfície como a ansiedade do dia e as irritações. Os Gongos geram uma "parede de som" como se fosse um espetro acústico completo e numa sessão de gongos, o som torna-se tão denso que a mente lógica simplesmente "desliga" por exaustão, quebrando as defesas do ego. Espiritualmente, o gongo é como uma vassoura gigante ou uma onda do mar que arrasta os samskaras mais profundos e antigos do subconsciente, trazendo-os à superfície para serem limpos. O Monocórd, sendo um instrumento de cordas afinadas na mesma nota geralmente com intervalos de oitavas e quintas perfeitas, vai criar um tapete de harmónicos celestiais estável. Espiritualmente, o monocórd induz uma sensação de expansão e retorno à fonte e ao mesmo tempo ele limpa os samskaras pelo acolhimento elevando tanto a vibração das pessoas que assistem fazendo com que as cargas emocionais densas percam a sustentação e se dissolvam na harmonia do som.

 

A diferença entre meditação e a meditação pelo som

É importante fazer uma distinção bonita, na meditação Vipassana, usamos o bisturi da nossa própria atenção consciente para dissolver o samskara, dá mais trabalho, exige um esforço ativo, mas treina imenso o nosso músculo mental.

Na terapia de som (concertos meditativos de som ou mesmo numa massagem de som), adotamos uma postura recetiva, pois vamo-nos deitar e permite que o som faça o trabalho por nós. O som atua como uma força externa que bombardeia e dissolve a densidade da carga emocional, por isso, as duas práticas completam-se perfeitamente, pois o som limpa o terreno, aliviando o peso físico e acalma a tempestade, tornando o terreno da mente muito mais fértil e macio para quando se sentar em silêncio para meditar.

 

Vou agora descrever algumas palavras para aqueles que não sabe que isto existe ou mesmo para os séticos.

 

Tentar partilhar algo que nos faz tão bem e que sabemos que nos cura com alguém que gostamos ou mesmo com alguém que é cético ou até connosco mesmo, é um grande desafio, pois se formos demasiado "espirituais" com alguém muito racional, a pessoa afasta-se, mas se formos demasiado técnicos com alguém sensível, a mensagem perde a alma.

Vou aqui dividir os benefícios desta prática em quatro pilares inegáveis (físico, mental, pessoal e espiritual), mas de modo a ser convincente e persuasivo, mas não quero estar a impor uma crença, mas sim a oferecer um presente:

 

- Falando para os mais céticos e racionais explico estes concertos meditativos de som e vós no Instituto de Medicina Ayurvédica através de argumentos mais físico e científico, pois naturalmente essa pessoa precisa de "provas", ela não se convence com as palavras como chakras ou samskaras nesta fase. O argumento da água é importante pois todos sabemos que "O nosso corpo é constituído por cerca de 70% de água. Se atirarmos uma pedra a um lago, crias ondas, certo? O som faz exatamente o mesmo no nosso corpo, em que as vibrações das taças e dos gongos fazem uma massagem celular profunda que as mãos de um massagista humano nunca conseguiriam alcançar."

Um segundo argumento é o da ciência do cérebro, pois explica que o som altera as nossas ondas cerebrais. "No dia a dia, o nosso cérebro funciona em alta rotação (ondas Beta). O som dos gongos e taças obriga o cérebro a desacelerar para frequências de relaxamento profundo (ondas Alpha e Theta) em poucos minutos, e assim podemos desta forma desligar o stress e regular o cortisol (a hormona do stress) sem esforço."

 

Falando agora para os ansiosos e agitados o argumento tem de ser mental, pois muitas destas pessoas dizem: "Eu gostava de meditar, mas não consigo calar a minha mente." Este é o seu maior trunfo para as convencer pois o som é um "atalho" para a meditação, e ao mesmo tempo um banho de som é uma meditação para quem não consegue meditar. "Na meditação tradicional, nós temos de fazer o esforço de focar a mente, mas no banho de som, não temos de fazer nada, só temos de nos deitar. O som é tão rico e denso que 'engana' a nossa mente lógica, ela desliga-se sozinha e produz um descanso mental que equivale a horas de sono profundo."

 

Para todos aqueles que querem ou procuram a sua evolução devemos utilizar um argumento pessoal e de relacionamento, mostrando como a prática se traduz em melhorias visíveis no quotidiano e na forma como nos relacionamos connosco mesmo e com os outros. O tema aqui é uma abordagem na nossa higiene emocional, pois podemos fazer uma analogia simples: "Nós tomamos banho todos os dias para limpar o nosso corpo físico, certo? Mas quando limpamos o lixo emocional que acumulamos no trabalho, nas discussões e nas preocupações do dia a dia? O banho de som é, literalmente, o banho do nosso sistema nervoso, ele liberta as cargas acumuladas para que não se descarreguem as frustração na família ou nos amigos."

 

Por fim considero os “buscadores”, aqueles que estão sempre á procura de coisas, saltando de um lado para lado. Neste caso o argumento é espiritual, mas devemos ter sempre em atenção se a pessoa tiver alguma abertura para a espiritualidade, aqui podemos tocar no ponto mais profundo, no alinhamento corporal e nas nossas ligações afirmando que "O som sagrado limpa as barreiras e os nós energéticos que nos impedem de ouvir a nossa intuição. Ele eleva a nossa vibração de tal forma que as energias densas como o medo ou a mágoa, simplesmente não conseguem subsistir fazendo com que exista um regresso à nossa essência, ao nosso estado de harmonia original."

 

Quando falamos de som em vez de tentar convencer a pessoa através de um longo debate, use a estratégia do convite descomprometido, Não tente "vender" a ideia pois as pessoas resistem quando sentem que estão a ser evangelizadas. Em vez de dizer "Tu tens de ir porque isto é fulcral para ti", diga "Eu fui a um concerto Meditativo no Instituto de Medicina Ayurvédica e senti um alívio incrível no meu corpo e na minha mente, e gostava muito de partilhar essa sensação contigo".

Também pode oferecer como um presente, convidando a pessoa para uma sessão e ofereça-lhe o bilhete, diga: "Vamos fazer uma coisa diferente esta semana? Vamos a uma sessão de relaxamento profundo através do som. Não tens de acreditar em nada, só tens de te deitar e receber."

Em ultimo lugar se quer mesmo curar alguém que está ao seu lado e se não o conseguir convencer use amostras, se a pessoa estiver muito reticente, envie-lhe um pequeno vídeo ou áudio de alta qualidade com fones de ouvido de taças tibetanas ou monocórd antes de a levar a uma sessão ao vivo.

A experiência direta é sempre o melhor argumento e, quando a pessoa se levantar do tapete após um banho de som, com o corpo leve e a mente em paz, ela não precisará de mais nenhuma explicação teórica, ela terá sentido a purificação na própria pele.

 

Escrevi este texto não para convencer os outros, mas para olhar para si mesmo e verificar há quanto tempo precisa de uma cura de som?

Enquadra-se em alguma destas categorias anteriores? Como gostaria de ser convencida a se curar através do próprio som?

Será que ao olhar para si mesmo não precisa?

 

Que desfrutem de todo este conhecimento e destas curiosidades importantes da meditação e da Medicina Ayurvédica.

 

"Bhavatu Sabba Mangalam"

 

Shanti, Shanti, Shanti