terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Curso de prática e técnicas Prânicas

 

Curso de prática e técnicas prânicas

Curso de prática e técnicas Prânicas

Esta formação surge na continuação da formação anterior onde falamos de Ayurveda e Prana, mas pode funcionar autonomamente ou melhor qualquer pessoa pode fazer esta formação sem ter feito a outra. Nesta formação não pretendemos desenvolver “poderes”, técnicas mentais ou habilidades extraordinárias, mas sim passar a ter mais consciência, ter maior capacidade de transformar o nosso campo energético, sustentar o nosso ser e transformar o nosso interior.

As práticas que vamos fazer serão abordadas como uma consequência natural da expansão da nossa consciência, do aumento do nosso prana corporal e da nossa coerência energética em que tudo o que vamos praticar não pode ser considerado como um espetáculo, nem como demonstração de um poder pessoal.

Esta formação integra várias valências:

Meditação Prânica Profunda

Tikapatthana como purificação do nosso campo

Pranayama para amplificação energética

Asanas como estrutura do campo

Neuroconsciência e foco

Práticas Prânicas na amplificação do nosso campo energético

Com estas valências procuramos valorizar e convidar a cada um de se encontrar consigo mesmo, com o silêncio, com a unidade (em todas as suas dimensões), a humildade, o serviço, a sua expansão espiritual e a sua reconexão com o seu sagrado interior.

Nesta formação cada pessoa vai aprender a controlar, transformar, organizar e valorizar o seu campo energético, de como refinar a nossa consciência, como desenvolver a presença em nós mesmo, como trabalhar o silêncio interior, a coerência vibracional e a estabilidade espiritual.

Com esta técnica conseguimos ver e observar como está o nosso fluxo natural, como se apresenta o nosso campo limpo, estável e consciente.

Nesta formação cada um de nós vai ser reconhecido como um templo energético,
em que o Prana é utilizado como uma força divina da vida, a consciência considerada como o nosso campo universal e a prática como um rito de retorno à unidade e a nós mesmo. A prática não é um espetáculo, mas sim a transformação. Não é uma técnica, mas sim uma visualização do estado do nosso ser.

Esta formação não é uma formação para aquisição de poderes, mas sim um caminho de consciência

Não vamos procurar mover nada nem a matéria, mas sim procurar quem somos

Considero que com este conhecimento não estamos a fazer uma formação, mas sim a fazer um caminho iniciático de retorno à nossa purificação e á nossa essência.

Quem ministra o curso:
Vitor José naturopata e terapeuta de Medicina Ayurvédica e Chairman de Ayurveda.gdm e do Instituto de Medicina Ayurvédica
Este Curso realiza-se dia 28 de Fevereiro de 2026, Sábado das 9.00 13.00 e 15 e 18.00
Valor evento : 100€

Os que fizeram o primeiro curso de Prana e Ayurveda tem um desconto de 25%

Pagamento:
Entidade. 21 312
Referencia : 503 580 158
Valor : 100€
Envie por favor comprovativo de pagamento e a sua ficha de inscrição
ficha de inscrição disponivel em:
https://ayurveda-gdm.blogspot.com

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

MahaShivaratri Vrata 2026

 

Instituto de Medicina Ayurvedica

MahaShivaratri Vrata 2026

Este ano de 2026 e hoje dia 15 de fevereiro no 14º dia a partir da Lua Cheia do mês hindu de Māgha comemora-se o MahāShivarātri, a grande noite de Shiva. Todos os 14º dias da metade escura de cada mês, krsna caturdasī, é designado por ‘Sivarātri’ ou ‘MāhaShivarātri’. Mas este que ocorre no mês de Māgha (Fevereiro-Março) é designado como ‘MahāShivarātri’, pois é o maior de todos. Este é o maior festival dedicado a Shiva,

De todos as principais datas festivas, o MahāShivarātri é o único em que a parte da austeridade, tal como é significada pela própria palavra 'vrata', é predominante. Praticamente não há festividade, folia ou alegria na sua observância. Tudo é uma solenidade contínua. Isto é natural, uma vez que Shiva é o deus dos ascetas, a própria encarnação de vairāgya ou renúncia.

 

O Instituto de Medicina Ayurvédica não vai deixar passar esta data e por isso no dia 16 de fevereiro pelas 21.30 vamos fazer um Satsanga especial para o Maha Shivaratri onde vamos praticar meditação, invocação, fazer mantras a Shiva de entre outras vratas (práticas). 

Sobre a origem do MahāShivarātri, existem vários mitos. Aqui vos deixo quatro mitos ou histórias que são geralmente descritas.  

Primeiro Mito

Quando Brahmā (o deus de quatro faces da criação) e Vihu disputavam a grandeza um do outro para estabelecer a sua própria supremacia, uma enorme ligam ou pilar de fogo apareceu subitamente entre eles e uma voz do vazio declarou que aquele que encontrasse as extremidades desta ligam seria considerado o maior. Nenhum deles foi bem sucedido, e por isso, foram obrigados a aceitar a grandeza de Shiva, que se manifestou como aquele pilar de luz. Esta foi a origem de Shivaliga e MahāShivarātri.

Segundo Mito

De acordo com o segundo mito, MahāShivarātri é o dia em que Shiva Mahā deva bebeu o veneno hālāhala que emergiu do oceano leitoso quando estava a ser agitado pelos devas e dānavas (divindades e demónios). Salvou assim os mundos da destruição.

Terceiro Mito

Um terceiro mito atribui a sua grandeza ao dia do casamento de Shiva com Pārvatī, a filha do rei da montanha Himalaia.

Quarto Mito

Um quarto mito descreve este dia em que o Shiva, cheio de alegria, iniciou uma grande dança que é desde então conhecida como Sivatāṇḍavantya.

É comum a realização de vratas (práticas ou disciplinas) durante todo o período que antecede o MahāShivarātri, que pode e devem ser realizados por todos os seres humanos. Os vratas base a manter e realizar neste dia são:

    Ahinsā - não cometer violência

    Satya - falar a verdade

    Brahmacarya - celibato

    Dayā - compaixão

    Kamā - perdão

    Anasyatā - ausência de ciúmes

Práticas durante o MahāShivarātri

Deve-se fazer jejum ou fazer uma monodieta

 Jagarana ou manter a vigília durante a noite.

 Adoração de Shiva durante a noite

 Banhar o Shivalingam

 Tapas: privar-se de algo

 Fazer Japa mantra "Om nama Shivāya"

 Oração pelo perdão

No final do vrata, a pessoa deve fazer pāranā ou quebra o jejum participando nas oferendas. Pode-se fazer um voto de observar este vrata durante 12, 14 ou 24 horas. No final deste período, é necessário realizar o udyāpana, um rito de conclusão que indica a conclusão do voto.

Qualquer prática que seja feita deve ser desafiadora, mas ao mesmo tempo viável de ser executada, dentro das possibilidades de cada um. É importante que não ultrapasse os limites da sua saúde física e mental, mas que traga uma sensação de comprometimento, dedicação e firmeza, além de devoção e auspiciosidade.

Para quem não conhece e sabe quem é Shiva aqui deixo um pequeno resumo

No vasto universo, onde o tempo e o espaço se entrelaçam, habita Shiva, o senhor da destruição e da regeneração. Diferente das divindades comuns, Shiva não reside em palácios dourados, mas nos picos de neve do Monte Kailash, onde medita em profunda quietude. A sua pele azul, coberta de cinzas, representa o desapego ao mundo material, e em seus cabelos entrelaçados fluem como o rio Ganges, fonte de vida e purificação.

Conta-se que, no início dos tempos, quando o equilíbrio do universo foi ameaçado pelo ego das divindades e demónios, Shiva decidiu intervir. Ele desceu ao centro do cosmos e começou sua Tandava (a dança cósmica). Seus passos eram ao mesmo tempo destrutivos e criadores – cada batida com os seus pés dissolvia o antigo para dar espaço ao novo. Seu tambor (Damaru) ressoava o som primordial, originando os ritmos do universo.

Os sábios e seres celestiais observaram com reverência enquanto Shiva dançava, sua serpente enrolada ao pescoço e silvava ao compasso dos movimentos. Com um olhar sereno, lembrava a todos que a destruição não é o fim, mas o início de algo maior.

Ao final da dança, o caos tinha sido transformado em ordem. As divindades, humildes diante da sabedoria de Shiva, reconheceram que a criação e a destruição são apenas dois lados da mesma moeda. Assim, Shiva permaneceu como o eterno guardião do equilíbrio, lembrando ao mundo que tudo é passageiro – e que, no silêncio após a destruição, sempre surge uma nova criação.

Nesta nova criação no coração do universo, onde todas as energias se fundem e se dissolvem, Shiva manifesta sua natureza dual – ao mesmo tempo masculino e feminino, destruidor e criador, meditativo e dinâmico. Essa fusão suprema é representada na forma de Ardhanarishvara, onde metade de seu corpo é masculino e a outra metade é feminina, simbolizando a união de Shiva e sua consorte, Parvati.

Instituto de Medicina Ayurvedica

A metade masculina de Shiva representa a consciência pura, o desapego e o princípio transformador da destruição que dá lugar ao novo. Já sua metade feminina, Parvati, simboliza a energia criativa (Shakti), o amor e a nutrição da vida. Sem a energia de Shakti, Shiva seria estático e inerte e sem a consciência de Shiva, Shakti seria caótica e não teria direção. Juntos, formam o equilíbrio perfeito entre o princípio masculino (Purusha) e o feminino (Prakriti), que rege toda a existência.

Diz-se que Parvati, desejando ser um como Shiva não apenas espiritualmente, mas fisicamente, realizou intensas práticas de austeridade até que Shiva aceitou esta união de forma definitiva, tornando-se Ardhanarishvara. Assim, ele ensina que todos os seres possuem dentro de si tanto o princípio masculino quanto o feminino – a força e a suavidade, a razão e a intuição, a ação e a contemplação.

Essa dualidade lembra-nos que o universo não pode existir sem equilíbrio. No fluxo da criatividade, na destruição e renovação, no silêncio e no movimento, Shiva e Shakti dançam eternamente, refletindo o jogo divino da existência.


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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Restauro de uma peça de mobiliário

 


Aqui vos deixo a minha experiência de restauro 

uma peça que estava na quinta que resolvi retaurar 


que acham? 

A peça inicial 

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Em processo de transdformação


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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Amāvasyā (Lua Nova) na Perspetiva Ayurvédica

Instituto de medicina Ayurvédica

Amāvasyā (Lua Nova) na Perspetiva Ayurvédica
Na tradição védica, Amāvasyā corresponde à Lua Nova, sendo considerado o momento em que a Lua não é visível no céu. Do ponto de vista ayurvédico e espiritual, este é um tempo e um período de recolhimento profundo, de dissolução e de uma potencial regeneração. A ausência da luz lunar simboliza um retorno ao vazio fértil, ao estado primordial onde tudo repousa antes de renascer.
Segundo a medicina Ayurvedica, os ciclos lunares influenciam diretamente os doshas, a mente (manas) e os fluidos corporais. Durante Amāvasyā, observa-se uma tendência natural para o agravamento de Vata, devido à qualidade de vazio, do silêncio e subtilidade e de uma redução da força digestiva (agni). Por esta razão, este não é um período indicado para excessos físicos, emocionais ou alimentares, mas sim para uma pausa consciente e para a introspeção.
Espiritualmente, Amāvasyā é considerada um portal de dissolução do ego, de limpeza kármica e de contacto com os nossos planos subtis, estando tradicionalmente associada à honra dos ancestrais, à libertação dos nossos padrões antigos e à purificação da nossa mente. A energia deste dia favorece práticas silenciosas, de oração interior, de meditação e de contemplação.
Na visão ayurvédica, quando a mente se aquieta, o prana reorganiza-se de forma mais harmoniosa, permitindo que os processos naturais de cura ocorram. Amāvasyā convida-nos a encontrar os nossos pontos de paragem, a escutar o nosso corpo, a respeitar os nossos limites e a confiar no ritmo cíclico da vida, lembrando-nos que o descanso é tão essencial quanto a ação.
Uma das práticas importantes e que devemos fazer neste período de Amāvasyā é o YogaNidra, pois do ponto de vista ayurvédico, Amāvasyā corresponde a um período de baixa vitalidade prânica e de maior sensibilidade do sistema nervoso, e o Yoga Nidra atua diretamente no sistema nervoso parassimpático, promovendo descanso profundo sem perda de consciência.
Como vimos atrás durante a Lua Nova, Vata tende a agravar-se, aumentando a sua inquietação mental, as insónias e a dispersão e por contraponto o Yoga Nidra vai acalmar Vata, estabilizando o fluxo de prana, e facilitar o acesso consciente ao inconsciente, onde os padrões antigos podem ser observados e dissolvidos.
Amāvasyā é o momento ideal para o Sankalpa (intenção), pois a mente está mais recetiva. No Yoga Nidra, o Sankalpa é plantado num estado de consciência liminar, onde a intenção atua como uma semente colocada no campo fértil do vazio. Neste contexto, o Sankalpa não deve ser expansivo ou material, mas simples e essencial, considerando por exemplo como se estivesse a habitar o seu silêncio com confiança, e ao mesmo tempo libertando-se do que já cumpriu e das amarras do passado.
Enquanto que a meditação sentada pode ser desafiante para algumas pessoas quando estamos em Amāvasyā, o YogaNidra permite-nos uma entrega e aceitação sem esforço, uma regeneração profunda e uma integração emocional e energética.
É, por isso, uma prática altamente recomendada para todos aqueles que se propõem e estão em processos de transição ou de purificação, aos que querem aliviar o seu processo de stress e ansiedade, aos que se querem libertar das insónias, e muito em especial para terapeutas, professores de yoga e todas aquelas atividades ligadas à espiritualidade.

Mantras Indicados para Amāvasyā
Em Amāvasyā, a energia que devemos induzir é introspetiva, subtil e silenciosa. Por isso, os mantras mais adequados são aqueles que acalmam a mente, os que promovem a dissolução de padrões e fortalecem a ligação com o nosso Eu interior (Ātman), em vez de mantras expansivos ou muito dinâmicos.
1. OM ()
OM é o som primordial e representa o campo do não-manifesto, em profunda ressonância com Amāvasyā. A sua vibração harmoniza os doshas, estabiliza Vata e aquieta o fluxo mental.
Deve entoar o OM lentamente, com expiração longa, sentindo a vibração no peito e no crânio. Pode ser repetido 9, 27, 54 ou 108 vezes.
2. So’ham (सोऽहम्)
Significa: “Eu sou Isso”
Este mantra está diretamente conectado com a respiração natural e à dissolução da identidade limitada. Em Amāvasyā, favorece-se a auto-observação sem julgamento e o reconhecimento da consciência pura.
Deve ser entoado mentalmente, sincronizando So na inspiração e Ham na expiração.
3. Om Namah Shivaya
Este mantra invoca o princípio de Shiva, símbolo da dissolução, do silêncio e da consciência pura. Amāvasyā é tradicionalmente associada a Shiva, tornando este mantra especialmente poderoso para libertação de padrões antigos e para a nossa purificação interior.
Este mantra deve ser efetuado com repetição suave, em voz baixa ou mental, com atenção no centro do coração ou entre as sobrancelhas.
4. Gayatri Mantra (versão contemplativa)
Embora seja um mantra solar, neste período de Amāvasyā o mantra deve ser utilizado de forma introspectiva em forma de japa, suscitando uma clareza interior em vez de uma expansão externa.
Este mantra deve ser recitado lentamente, uma única vez ou 3 vezes, como oração de alinhamento e discernimento.
 
 
Vou aqui propor e sugerir uma prática de Rotina Ayurvédica para Amāvasyā
Vou procurar que esta rotina seja simples e acessível, mas sempre alinhada com os princípios do Ayurveda:
1. Ao acordar, evita estímulos excessivos. Se possível, deve manter-se durante alguns minutos em silêncio consciente antes de iniciar o dia. Respira profundamente devendo observar o ritmo natural da respiração.
2. Opte por uma refeição simples, quente e fácil de digerir, como kitchari, sopas ou caldos de legumes. Evita alimentos pesados, frios ou processados, respeitando a diminuição do agni.
3. Faça uma automassagem leve com óleo morno (óleo de sésamo para Vata, coco para Pitta, mostarda ou girasol para Kapha) ajuda a estabilizar o sistema nervoso e a criar uma sensação de contenção e segurança. De seguida tome um duche rápido, mas com intensão
4. Sente-se durante pelo menos 20 minutos numa meditação simples, observação da respiração ou repetição de um mantra suave (veja os mantras descritos antes). A intenção não é “fazer”, mas sim sentir e estar.
5. Sessão de Yoga Nidra (20–40 minutos) ( ler a descrição atrás)
6. Aqui devemos escreve num papel os padrões, as emoções ou os hábitos que desejamos libertar e no final com intensão, consciência e respeito, queima o papel, simbolizando a dissolução do que já não serve.
7. Encerramento com Om Namah Shivaya em voz suave
8. A seguir evite atividades extenuantes, devendo priorizar o repouso, a leitura espiritual leve ou o contacto com a natureza.
Em suma podemos dizer que Amāvasyā, segundo o Ayurveda, não é um convite ao não-agir consciente, ao retorno ao essencial e à escuta profunda, mas sim o honrar este momento com simplicidade e presença, em que alinhamos o nosso corpo, a nossa mente e o espírito com os ritmos naturais, criando espaço para uma renovação, clareza e o nosso equilíbrio interior.
 

É por isto tudo que o Instituto de Medicina Ayurvédica faz todos os meses o Yoganidra no dia de Lua nova. Se pretender mais informações ou tiver duvidas contacta ou envie mensagem. 
"Om Sarvesham Swastir Bhavatu"
 
OM Shanti, Shanti, Shanthi

domingo, 18 de janeiro de 2026

Soma Ayurveda e YogaNidra

Instituto de Medicina AyurvédicaInstituto de Medicina Ayurvédica

Soma é um dos conceitos na medicina Ayurvédica mais profundos e subtis, e não se limita a uma substância física. Soma refere-se à força lunar, à energia de Kapha, que governa a estrutura, a coesão e a fluidez no corpo (como a água e a lubrificação), sendo a contraparte da energia solar (Surya, associada a Pitta) e do ar cósmico (Anila, associada a Vata) no microcosmo do corpo, representando a nutrição e a calma. Soma também é uma antiga bebida ritualística védica, no contexto da fisiologia ayurvédica, está ligada à energia da Lua e do Kapha, essencial para a manutenção da vida e o equilíbrio dos elementos.

 O que é Soma na perspetiva ayurvédica

Soma define a energia lunar, que representa a energia fria, a ligação à nutrição e como a Lua reflete a luz que nutre a Terra e estabiliza a nossa vida.

No nosso corpo, Soma manifesta-se como Kapha, responsável pela lubrificação das articulações, pela imunidade, pelo crescimento e pela estabilidade.

A nível cósmico assim como no universo existem Soma (Lua), Surya (Sol) e Anila (Vento), que no nosso corpo representa Kapha, Pitta e Vata, que precisam de estar em harmonia para o equilíbrio do nosso corpo a da nossa saúde.

Soma é compreendido em três níveis interligados: físico, energético e espiritual.

Soma no nível físico

No corpo, Soma manifesta-se como tudo o que:

- Nutre, hidrata, lubrifica e refrigera

Está relacionado com:

- Rasa Dhatu (o plasma e os líquidos corporais)

- Qualidade oleosa (Snigdha)

- Qualidade fria (Shīta)

- Crescimento, regeneração e reparação dos tecidos (dhatus)

Quando Soma está equilibrado:

- O nosso corpo aumenta a imunidade

- Os nossos tecidos ficam bem nutridos

- Obtemos uma sensação de estabilidade e de bem-estar

Quando em excesso:

- Aumenta a letargia

- Aumenta a retenção de líquidos

- A digestão fica mais lenta

- Aumenta o Kapha

Quando em deficiência:

- Aumenta a secura

- Existe um aumento da fadiga

- A ansiedade aumenta

- Existe uma sensação de vazio e esgotamento

Soma no nível energético e mental

Energeticamente, Soma é a força que:

- Acalma a mente

- Promove uma clareza emocional

- Sustenta a nossa estabilidade psíquica

Relaciona-se com:

- A nossa mente (Manas)

- A nossa energia vital (Ojas)

- As emoções como contentamento, compaixão e a nossa segurança interna

A Lua Cheia (Purnima) representa o auge de Soma e a Lua Nova (Amavasya) representa o seu recolhimento. 

Soma no nível espiritual e simbólico

No plano mais subtil:

- Soma é o néctar da consciência

- Está associado à imortalidade (Amrta)

- Ligado ao Sahasrara Chakra (chakra da coroa)

- Fonte de bem-aventurança (Ananda)

Nos Vedas, Soma também aparece associado a:

- Uma planta sagrada

- Uma bebida ritual

- Um deva (divindade lunar)

No Ayurveda, estas imagens apontam para o mesmo princípio que define aquilo que sustenta a vida, a consciência e a longevidade.

Soma, Agni e o equilíbrio vital

Soma só pode existir se Agni (fogo digestivo e metabólico) estiver equilibrado, se o Agni for excessivo o nosso corpo vai consumir Soma induzindo secura, irritabilidade, esgotamento, mas se o Agni estiver fraco ou Soma mal transformado vai fazer um aumento de Ama, do peso e da letargia.

A nossa saúde surge do equilíbrio dinâmico entre Agni (solar) e Soma (lunar).

 

Mas temos outra ligação que para mim é muito importante é a relação entre Soma, o sono e o Yoga Nidra, pois todos atuam e vão influenciar a relação entre nutrição, regeneração e consciência.

 

Soma e o sono (Nidrā) no Ayurveda

No Ayurveda, sono (Nidrā) é um dos três pilares da vida (Trayopastambha), juntamente com Ahara (alimentação) e Brahmacharya (uso equilibrado da nossa energia vital)

Soma atua no sono como uma força que permite o nosso relaxamento profundo, que está diretamente ligado à produção e manutenção de Ojas e que governa o nosso estado de recolhimento, de segurança e de desligamento sensorial.

  

Quando temos um sono de qualidade é o mesmo que termos um Soma bem nutrido e como vimos atrás quando Soma está equilibrado o nosso sono surge naturalmente, o nosso corpo entra em reparação e regeneração profunda e a nossa mente aquieta-se e acalma-se sem esforço.

 

Quando temos uma deficiência de Soma (o que define um excesso de Agni / Vata / Pitta), vamos ter o aumento de insónias, o nosso sono fica mais leve ou interrompido, vamos ter dificuldade em “desligar” a mente e vamos apresentar uma sensação de cansaço mesmo após dormir.

Quando temos um excesso de Soma (podemos dizer quando temos um agravamento de Kapha) vamos apresentar um sono excessivo, uma letargia ao acordar, uma sensação de peso mental e ao mesmo tempo uma sonolência diurna.


A importância do Yoganidra e Soma

YogaNidra é frequentemente descrito como“o sono consciente ou sono profundo”
e, do ponto de vista ayurvédico, pode ser entendido como uma ativação refinada de Soma.

Vou descrever um pouco da importância do Yoganidra e o que pode acontecer durante o Yoganidra em que o nosso corpo entra num estado semelhante ao nosso sono profundo, a nossa mente permanece atenta e consciente observando tudo o que se passa e o que acontece, e o nosso sistema nervoso muda do modo simpático para parassimpático e isto vai fazer com que exista um aumento da qualidade Sattvica no nosso corpo, que exista uma nutrição profunda dos nossos tecidos (dhatus) e que exista uma conservação, preservação e regeneração de Ojas. Isto quer dizer que Soma flui sem que a nossa consciência se perca.

 

Estados de consciência e Soma

Estado

Alterações segundo Ayurveda

Relação com Soma

Vigília (Jāgrat)

Atividade, Agni

Soma reduzido

Sono com sonhos (Svapna)

Emoções, mente

Soma parcial

Sono profundo (Suupti)

Reparação total

Soma máximo

Yoga Nidra

Sono consciente

Soma refinado + consciência

 

O YogaNidra permite aceder à qualidade restauradora do nosso sono profundo sem perder lucidez, e ao mesmo tempo induz imensos benefícios como o aumenta de Soma e Ojas, acalma Vata, quando é feito á noite refrigera Pitta, estabiliza Kapha sem o aumentar em excesso, melhora as insónias e a fadiga crónica e regula as emoções profundas armazenadas nos tecidos (Dhatus)


Quando fazemos o yoganidra á noite este vai intensificar o efeito lunar no nosso corpo, potencializar a nossa capacidade nutritiva e restaura e regenera Soma, sendo especialmente indicado para pessoas sensíveis à lua, para os que estão em estados de esgotamento emocional e aos que estão em processos terapêuticos e espirituais.

"Om Sarvesham Swastir Bhavatu"

OM Shanti, Shanti, Shanthi

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Prana, Nadis e a saúde nos nossos dias

Instituto de Medicina Ayurvédica

 

O Fluxo da Vida: Prana, Nadis e a saúde nos nossos dias

Este é um tema extremamente relevante nos dias de hoje, onde o ritmo de vida moderno parece desenhado quase especificamente para obstruir a nossa energia vital, pois vivemos submersos num mar de estímulos constantes, pressões digitais e ritmos artificiais que agridem a nossa natureza biológica. Segundo a sabedoria milenar das tradições da medicina Ayurvédica, a base da nossa saúde não reside apenas no que comemos ou no exercício que fazemos, mas na qualidade da nossa energia vital (Prana) que circula através dos nossos canais energéticos (Nadis).

Os Nadis funcionam como uma rede invisível de autoestradas e quando estas vias estão limpas, o Prana flui livremente, nutrindo cada célula, cada órgão e o sistema de funcionamento do nosso corpo, no entanto, o estilo de vida atual, marcado pelo stress crónico, pela má alimentação, pelo sedentarismo e, acima de tudo, pela desconexão da respiração que vão criar autênticos "engarrafamentos" energéticos.

Todos estes bloqueios não são apenas teóricos, pois quando a energia fica estagnada num determinado ponto por longos períodos, a nossa vitalidade física começa a diminuir. A ciência moderna começa agora a olhar para o que a medicina Ayurvédica já diz á muito tempo que o stress oxidativo e a inflamação crónica (bases das doenças degenerativas) são frequentemente o resultado final de um corpo que perdeu a sua capacidade de se autorregular e de comunicar internamente. É por isso que vamos falar e trabalhar a limpeza dos Nadis através de diversas técnicas que vamos abordar e praticar no nosso curso de “Prana e Ayurveda”, que considero como uma necessidade de sobrevivência e prevenção.

Neste curso vamos falar de desbloquear o Prana de modo a devolver ao sistema do nosso corpo uma informação de equilíbrio, e ao mesmo tempo harmonizar os canais de modo a permitir que o nosso sistema nervoso saia do estado de "luta ou fuga" e entre no estado de reparação.

Numa época de doenças complexas e degenerativas, a medicina do futuro reside em aprender a manter as nossas "autoestradas" limpas, permitindo que a inteligência da vida flua sem obstáculos, prevenindo a doença antes mesmo de ela se manifestar no corpo físico.

Com toda esta explicação e se gosta de si, espero que este texto o tenha feito entender e dar mais importância ao que vamos falar e praticar neste curso.

 https://ayurveda-gdm.blogspot.com/2026/01/curso-de-prana-e-medicina-ayurvedica.html

Podem ler e se acharem bem podem partilhar 


Espero por si  


sábado, 10 de janeiro de 2026

Workshop de massalas e especiarias

 

Instituto de Medicina Ayurvédica

MASSALAS E ESPECIARIAS | workshop


17.01.2026 | 14:00 – 19:00

Exploratório | Rua de Brito Capelo 243, 4450-073 Matosinhos

Recebi com imensa gratidão o convite que me foi feito pelo exploratório da ESAD-IDEA para conduzir este workshop de massalas e especiarias. É uma honra poder partilhar neste espaço o meu conhecimento, experiência e vivências, e contribuir de forma significativa com o maior conhecimento de como usar as especiarias e qual a sua importância nos dias de hoje. Agradeço a confiança e a sintonia que tornaram este momento possível.

No dia 17 de janeiro, o Exploratório (Rua Brito Capelo, 243, Matosinhos) recebe o workshop “Massalas e Especiarias”. Uma imersão prática e sensorial no universo das especiarias e da medicina Ayurvédica, orientada por Vítor José.

Entre aromas, sabores e saberes ancestrais, vais aprender a criar massalas personalizadas, a entender o poder das especiarias e a cozinhar com mais consciência e equilíbrio.

Informação, preço e inscrições disponíveis no link

https://store.esadidea.pt/collections/workshops-exploratorio/products/ta-workshop-de-massalas