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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Prana, Nadis e a saúde nos nossos dias

Instituto de Medicina Ayurvédica

 

O Fluxo da Vida: Prana, Nadis e a saúde nos nossos dias

Este é um tema extremamente relevante nos dias de hoje, onde o ritmo de vida moderno parece desenhado quase especificamente para obstruir a nossa energia vital, pois vivemos submersos num mar de estímulos constantes, pressões digitais e ritmos artificiais que agridem a nossa natureza biológica. Segundo a sabedoria milenar das tradições da medicina Ayurvédica, a base da nossa saúde não reside apenas no que comemos ou no exercício que fazemos, mas na qualidade da nossa energia vital (Prana) que circula através dos nossos canais energéticos (Nadis).

Os Nadis funcionam como uma rede invisível de autoestradas e quando estas vias estão limpas, o Prana flui livremente, nutrindo cada célula, cada órgão e o sistema de funcionamento do nosso corpo, no entanto, o estilo de vida atual, marcado pelo stress crónico, pela má alimentação, pelo sedentarismo e, acima de tudo, pela desconexão da respiração que vão criar autênticos "engarrafamentos" energéticos.

Todos estes bloqueios não são apenas teóricos, pois quando a energia fica estagnada num determinado ponto por longos períodos, a nossa vitalidade física começa a diminuir. A ciência moderna começa agora a olhar para o que a medicina Ayurvédica já diz á muito tempo que o stress oxidativo e a inflamação crónica (bases das doenças degenerativas) são frequentemente o resultado final de um corpo que perdeu a sua capacidade de se autorregular e de comunicar internamente. É por isso que vamos falar e trabalhar a limpeza dos Nadis através de diversas técnicas que vamos abordar e praticar no nosso curso de “Prana e Ayurveda”, que considero como uma necessidade de sobrevivência e prevenção.

Neste curso vamos falar de desbloquear o Prana de modo a devolver ao sistema do nosso corpo uma informação de equilíbrio, e ao mesmo tempo harmonizar os canais de modo a permitir que o nosso sistema nervoso saia do estado de "luta ou fuga" e entre no estado de reparação.

Numa época de doenças complexas e degenerativas, a medicina do futuro reside em aprender a manter as nossas "autoestradas" limpas, permitindo que a inteligência da vida flua sem obstáculos, prevenindo a doença antes mesmo de ela se manifestar no corpo físico.

Com toda esta explicação e se gosta de si, espero que este texto o tenha feito entender e dar mais importância ao que vamos falar e praticar neste curso.

 https://ayurveda-gdm.blogspot.com/2026/01/curso-de-prana-e-medicina-ayurvedica.html

Podem ler e se acharem bem podem partilhar 


Espero por si  


terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Passagem de ano 2025-2026

 

Instituto de Medicina Ayurvedica


Aproxima-se o dia, que nesta passagem de 2025 para 2026 possamos atravessar este momento com a nossa presença, com gratidão, mas em consciência.

Que a Natureza nos recorde e nos traga o seu ritmo sábio, ensinando-nos a ouvir, a respeitar e a fluir, e que a Medicina Ayurvédica continue a guiar-nos no caminho do equilíbrio entre corpo, mente e espírito, honrando a vida em todas as suas expressões.

Que a meditação seja o espaço de silêncio onde a alma se alinha, e que os sons sagrados dos gongs e das taças tibetanas despertem a nossa harmonia interior, expandindo a consciência e restaurando a vibração essencial do nosso ser.

Desejamos que 2026 se revele como um ano de cura profunda, de expansão espiritual e de uma conexão amorosa com a Terra e com todos os seres.

Com votos de saúde, paz, amor e luz,
de Vitor José e do Instituto de Medicina Ayurvédica 

Quem quiser fazer uma mantra para esta altura do ano aqui fica:

 

Om Sarve Bhavantu Sukhinah

Sarve Santu Niraamayaah,

Sarve Bhadraanni Pashyantu,

Maa Kashcid-Duhkha-Bhaag-Bhavet,

OM


Asato ma sadgamaya

Tamasoma jyotir gamaya

Mrityormāamritam gamaya

OM Shanti Shanti Shanti


Om, que todos sejam felizes

Que todos estejam livres de doenças

Que todos vejam o que é auspicioso

Que ninguém sofra

Que traga lucidez, o sonho e o sono profundo


Da ignorância, me conduza à verdade;

Das trevas, me conduza à luz;

Da morte, me leve à imortalidade

Oh paz, paz, paz

 



Shanti, Shanti, Shantih




quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Curso de Cosmética Natural Ayurvédica como autocuidado (Sharira Saundarya Paricharya)

 

curso de Cosmética ayurvedica

 

Cosmética Natural Ayurvédica como autocuidado (Sharira Saundarya Paricharya)

Nesta formação propomo-nos emergir no universo da cosmética natural, onde a ancestralidade, a experiência, a natureza, a sensibilidade e a sensorialidade se encontram para cuidar do corpo de forma consciente e sustentável.
O objetivo é compreender como criar produtos eficazes, puros e vibrantes, respeitando o equilíbrio da pele e o ciclo natural dos ingredientes.

Ao longo da formação, o participante irá aprender a formular, preparar e personalizar diferentes tipos de produtos, explorando texturas, aromas e propriedades terapêuticas das matérias-primas naturais.

 Conteúdos Principais

- Cremes de Corpo
Aprender a elaborar cremes nutritivos e hidratantes, com manteigas vegetais, óleos essenciais, emulsões equilibradas e outros.
Serão abordados princípios de textura, conservação natural e sinergias aromáticas para diferentes tipos de pele.

- Cremes de Rosto
Foco em formulações leves, regeneradoras e adaptadas às necessidades específicas da pele facial — hidratação, proteção e revitalização.
Exploraremos ativos vegetais, hidrolatos e óleos finos para resultados visivelmente saudáveis e luminosos.

- Óleos | creme Pós-Sol
Desenvolvimento de misturas calmantes e reparadoras, com plantas e óleos que aliviam a pele após a exposição solar.
Serão apresentados ingredientes com ação anti-inflamatória, refrescante e regeneradora, como aloé vera, calêndula e lavanda.

- Desodorizantes Naturais (Sólidos e Líquidos)
Criação de fórmulas seguras e eficazes, livres de alumínio e químicos sintéticos.
Aprenderemos a equilibrar bases minerais, argilas e extratos vegetais, garantindo frescura, proteção e bem-estar duradouro.

- Objetivos da Formação

- Compreender os princípios da cosmética natural e o papel de cada ingrediente.

- Aprender a formular e preparar produtos corporais e faciais com segurança e consciência.

- Desenvolver autonomia para criar linhas personalizadas e ecológicas.

- Estimular uma relação mais profunda com o cuidado, transformando o gesto de aplicar um creme num ato de amor e equilíbrio.

- Aprender a cuidar de si própria

Destinatários

Esta formação destina-se a todos os interessados em cosmética natural, terapeutas, artesãos e profissionais de bem-estar que desejem aprofundar conhecimentos e práticas sustentáveis.

Metodologia

Formação prática e sensorial, com demonstrações, preparação individual de produtos e partilha de experiências.
Cada participante levará uma das suas criações e um manual com receitas base e fórmulas ajustáveis.

Queremos propor e fazer acontecer com que cada aroma, cada textura, cada planta e cada elemento utilizado se torne mestre no cuidado do corpo e do espírito.
Ao criar uma cosmética natural, aprendemos não apenas a cuidar da pele, mas também a cultivar a nossa presença, e ao mesmo tempo respeito, harmonia e conexão com a natureza.

 “Shariram adyam khalu dharma sadhanam”
O corpo é o primeiro instrumento do dharma,
e cuidar dele é também um ato espiritual.

Quem ministra o curso:

Maria Helena Sousa e Vitor José

Este Curso realiza-se dia 15 de Novembro de 2025, Sábado das 9.30 12.30 e das 15 ás 18.00
Valor evento : 120€ 
Quem se inscrever e pagar até 31 de Outubro o valor é de 100€
Pagamento:
Entidade. 21 312
Referencia : 503 580 158
Valor : 120€
Envie por favor comprovativo de pagamento
ficha de inscrição disponivel em:
https://ayurveda-gdm.blogspot.com/

 

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Ganesha Caturthi 2025

 

Ganesha Caturthi 2025

 

 

Instituto de Medicina Ayurveda

Ganesha Caturthi 2025

(ou Vinayaka Chaturthi, Ganesa Caturthī)

Dia 27 de Agosto

Ganesha Chaturthi é o festival Hindu que comemora o aniversário de Ganesha. Este festival é celebrado em toda a India e dura 10 a 14 dias.

Dia 27 de Agosto de 2025 é comemorado o dia de Gaṇesha sendo designado como Gaṇesha Caturthi, inicia sempre no quarto dia do sexto mês do Calendário Shalivahan que corresponde ao 4º dia da lua crescente, entre o final de agosto e início de setembro e termina no 14º dia dessa lua, e é comemorado na homenagem ao aniversário de Ganesha.

Ganesha era o filho mais novo de Shiva e de Parvati, e é conhecido por mais de 108 nomes diferentes, sendo considerado o Senhor das artes, das ciências e o deva da sabedoria. As vitórias de Ganesha são invocadas na maioria das cerimónias, pois ele é aquele que limpa todos os obstáculos para o sucesso. Ele é o doador da fortuna e pode ajudar a evitar calamidades naturais.

O Senhor Ganesha ou Ganapati é sempre invocado primeiro lugar em qualquer puja, pois ele é o eliminador dos obstáculos e a personificação da sabedoria. Na sua festa, além da puja, com a repetição de seus 108 nomes, oferecendo-lhe uma flor a cada nome, sendo ainda oferecidos muitos doces variados e saborosos, que são depois distribuídos como prasad, um presente que vem para nos abençoar. No fim das celebrações a imagem de Ganesha é passeada pela rua como se fosse uma nossa procissão acompanhada por milhares de pessoas que efetuam cânticos e danças, e depois imersa num rio ou no mar.

Não se sabe quando e como Ganesha Chaturthi foi celebrado pela primeira vez, mas as primeiras datas de referência são em Pune desde os tempos de Shivaji (1630-1680),

Rituais

Ganesha hoje é demasiado conhecido por todos encontrando-se representado em todos os altares.

Como parte do evento realiza-se um ritual Prana Pratishtha (cerimónia) com o objetivo simbólico de convidar a divindade a habitar o murti (divindade a venerar). Durante o processo ocorrem várias oferendas como coco, açúcar mascavo, Modaks (um bolinho doce), durva (trevo), folhas de grama e flores vermelhas aos murti. Durante toda a cerimônia, são verbalizados e cantados mantras.

Durante os 10 ou 14 dias todas as manhãs e à noite são feitas as celebrações e a veneração até ao ultimo dia em que se faz a imersão. A adoração envolve várias ofertas ao ídolo incluindo flores e durva. As cerimônias de adoração diárias terminam com os fiéis cantando a Aarti ( Ganga Aarti é um ritual que se realiza todos os dias ao pôr do sol, onde o amor e a devoção estão presentes. Nesta cerimónia é feito o agradecimento a todas as divindades pela luz que nos oferecem e por nos iluminar e purifica o nosso pensamento, o espírito e o corpo. Aarti, o “Aa” significa “em direção ou para”, e “rti” “direita ou virtude”. Neste ritual estão presentes 5 elementos físicos importantes: a Água, o Vento, o Fogo, a Terra, e o Espaço).

Quem é Ganesha, os elementos e significado

Ganesha é o primeiro filho de Shiva e Parvati, sendo considerado como o Senhor das Tropas (o que nos guia espiritualmente), que nos guia no plano físico e espiritual para elevar a nossa espiritualidade. Ganesha está muito ligado ao elemento da Terra e ao Chakra da Raiz, para podermos elevar na espiritualidade, temos que nos enraizar muito bem, pois é aqui que vivemos e aprendemos e é aqui evoluímos o nosso Ser.

Simbologia de Ganesha:

 

    A cabeça –  é grande e manifesta o macro, ver a essência do TODO. Também representa a sabedoria, a inteligência.

    O corpo – representa o micro, tem a forma da sílaba OM. Todo o universo está em Ganesha. E todo o universo está em nós também.

    4 braços – representa a divindade

    Olhos pequenos – significa a concentração

    Orelhas grandes – sensibilidade, saber escutar, escutar mais do que falar.

    A tromba – é o discernimento do desejo. Tem sensibilidade. Onde vai a tromba vai a intenção. Também representa a eficiência e a adaptabilidade.

    Uma coroa – para recordar a sua grandeza infinita. Todos nós temos superpoderes. Somos perfeitos. Tudo é perfeito. Somos a expressão do AMOR.

    Um machado na mão –  serve para cortar as ataduras, o cordão umbilical dos problemas e nos mostrar a necessidade de trabalharmos o desapego sempre.

    Uma corda – pode nos salvar, nos aproximar dos nossos objetivos

    Um dente de marfim – unidade das nossas próprias ansiedades. Representa a força e a confiança no nosso próprio. Representa também um certo sacrifício que se deve fazer, abrindo mão do que não nos serve, do que não é bom.

    A comida, frutas, chocolates, doces – Aprender a degustar a amargura, reconhecendo o que é uma doçura.

    O rato – a necessidade de controlar, de dominar os nossos impulsos.

    A posição dos pés – aprender a brincar, a encontrar o deleite da vida. A vida é um jogo.

    Flor de lótus – a abundância

    A mão direita aberta e para cima – mudrá  – tudo está bem, não tenha medo e  tenho a bênção e proteção no caminho espiritual.

 

Instituto de Medicina Ayurveda

O Instituto de medicina Ayurveda irá comemorar este evento efetuando na nossa meditação de Segunda feira dia 1 de Setembro uma Aarti a Ganesha.

 

Iremos fazer o mantra 

O mantra ‘Om Gam Ganapataye namo Namaha’ faz com que venere e honre o Senhor do Imensurável, aquele que remove obstáculos materiais e espirituais e atrai a abundância”.

Significado de “om gam ganapataye namo namaha”

Estes significados são de forma geral, podem aparecer descritos de outra maneira pois cada pessoa faz a sua tradução do sânscrito mas aqui deixo a que para mim é a mais coerente. 

  • Om = invocação espiritual que nos conecta à energia divina
  • Gam = significa a movimentação (conecto, ligo, aproximo, afasto, retiro, uno, …)
  • Ganapataye (Gana + Pati) = um dos nomes de Ganesha que significa Senhor das Tropas (o que nos liga e transporta para a espiritualidade )
  • Namo = é uma saudação e invocação de humildade.
  • Namaha = expressão de adoração e devoção a todas as divindades

Entoar este mantra ajuda:

  • na conexão a Ganesha e a tudo o que ele representa
  • na nossa evolução espiritual
  • na eliminação de energias negativas
  • quando se sente a vida bloqueada
  • na remoção de obstáculos, quaisquer que eles sejam
  • na falta de motivação e foco na vida
  • na necessidade de abundância (financeira, amor, saúde, …)
  • na captação de energia positiva para a casa, para o espaço, a para nós mesmo

     

    OM Shanti, Shanti, Shanti 

     

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O AYURVEDA: “A CIÊNCIA DA VIDA”



O AYURVEDA: “A CIÊNCIA DA VIDA”
Ayurveda é o nome dado ao conhecimento médico desenvolvido na Índia há cerca de 7 mil anos, o que faz dela um dos mais antigos sistemas medicinais da humanidade.
Ayurveda significa, em sânscrito, Ciência (veda) da vida (ayur). Continua a ser a medicina oficial na Índia e tem-se difundido por todo o mundo como uma técnica eficaz de medicina tradicional.
Acredita-se que esta ciência seja parte constituinte do universo e tenha surgido juntamente com a natureza, portanto, não tenha sido criada nem desenvolvida pelos homens, mas sim aprendida e apreendida, por ser uma verdade universal.
Considera-se hoje a Ayurveda como parte da tradicão, considerando os textos escritos de charaka samhita (ayurveda clínico) e sushruta samhita (ayurveda cirurgião), conhecimento que passaram da sabedoria ancestral para o papel.
O Ayurveda continua a ser praticado regularmente na Índia e tem-se difundido por todo o mundo que com o seu conhecimento tanto da sua prática e técnicas utilizadas passa a ser reconhecida e respeitada por todos.
O Ayurveda propõe que o homem é um universo dentro de si mesmo (microcosmos) composto de corpo, mente e espírito, inserido dentro do macrocosmos, interagindo com este a todo o momento. O estado de saúde reflecte a harmonia dinâmica entre estes três factores. Representando a simples e prática da ciência da vida, é, portanto, um sistema aplicável universalmente a todos que buscam paz e harmonia interiores.
Na medicina ocidental, os órgãos do corpo humano têm diferentes funções e podem ser consideradas pequenas engrenagens de uma máquina. Quando um órgão apresenta deficiência no seu funcionamento, o tratamento restringe-se à cura dele próprio. Apresenta-se uma visão reducionista da doença. Já na medicina Ayurvedica, componente de um sistema holístico de cura e prevenção, todos os órgãos são parte de um todo. Considera-se o individuo como um ser integral, um microcosmo e que, portanto não deve ser reduzido as partes que o compõe, nem separado dos seus ambientes social, cultural e espiritual, ou da sua ligação com o macrocosmos.
- Um indivíduo é considerado uma unidade indivisível, um ser íntegro que não pode ser separado de seu ambiente social, cultural, espiritual e da sua ligação cósmica.
- Uma doença é consequência de uma desarmonia dentro de uma ordem cósmica. Não limitada pelo tempo e espaço.
- O mau funcionamento de algum ou alguns órgãos, é compreendido e tratado no contexto ambiental social, espiritual e cultural, considerando que integram um sistema corpo, mente e espírito.
- O universo é um todo perfeitamente organizado, onde nada acontece sem razão ou de maneira casual e tudo se move em direcção de um objectivo definido. Não é uma combinação sem sentido, sendo a separação dos componentes químicos que ocorrem por acaso que causa a doença.
A abordagem Ayurvédica é objectiva, em primeiro lugar, preservar e promover a saúde das pessoas através da adopção de uma rotina diária, respeitando a constituição individual de cada um. Esta rotina implica a incorporação de novos hábitos, de maneira consciente, em diversos âmbitos de nossa vida, como a alimentação (sobretudo vegetariana), a qualidade do sono e a sexualidade, que são considerados os três pilares da boa saúde.
O Ayurveda assim, procura a cura, trabalhando na promoção da saúde do corpo como um todo. Esta medicina Indiana lida com o indivíduo doente, e não com a doença em si, ou seja, procura curar a causa, e não o sintoma.
A aproximação com o indivíduo doente pode ser feita através dos oito ramos principais:
1. Medicina Interna (Clínica Geral)
2. Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia
3. Psiquiatria e Psicologia
4. Doenças da Cabeça e Pescoço
5. Cirurgia Geral
6. Toxicologia
7. Ciência do Rejuvenescimento
8. Ciência dos Afrodisíacos
As ciências do rejuvenescimento e dos afrodisíacos lidam com pessoas saudáveis, enquanto os outros seis ramos lidam com a pessoa doente. Pessoas que ansiam uma vida longa deveriam seguir os ensinamentos do Ayurveda, o que levaria à realização de quatro importantes objectivos de vida: riqueza, prazer, auto-realização e evolução espiritual.
Mais do que preservar a saúde e curar todo tipo de males, o Ayurveda propõe a transformação das pessoas porque estimula uma nova atitude mental em relação à vida: aprende-se a meditar, comer e dormir melhor, a treinar a mente para extravasar emoções tóxicas e a ter consciência de seu corpo, do espaço que ele ocupa e o propósito de sua existência neste momento. Esta transformação é possível através auto-conhecimento num movimento de auto-cura, que pode ser praticado por qualquer pessoa.
A medicina Ayurvédica é parte da ciência védica e utiliza na sua abordagem terapêutica plantas medicinais, dieta, exercícios físicos, meditação, yoga, astrologia védica, massagem, aromaterapia, gemoterapia (tratamento com metais e gemas), cirurgia e psicologia.
A Ayurveda reconhece os tipos individuais e ajuda-nos a entender nossas particularidades, nossas tendências.
Além de técnicas curativas como massagens e medicamentos fitoterápicos, o tratamento ayurvédico baseia-se muito na alimentação. Mas o grande segredo deste conhecimento milenar é que todo o tratamento é indicado a partir da determinação do princípio metabólico que liga a mente e o corpo do paciente, que os indianos chamam de dosha.
Desta forma, a natureza da pessoa determina o que ela irá precisar para se equilibrar e curar-se, fazendo com que o tratamento seja absolutamente individualizado. Pessoas de diferentes constituições reagem de maneira diferente em relação à vida, logo terão diferentes reacções a um determinado tipo de tratamento - assim, o primeiro passo é descobrir qual é a sua natureza. Dado o diagnóstico geral do indivíduo, o médico irá orientar o tratamento que visa equilibrar o paciente, considerando seu biótipo. Acredita-se que a doença surge quando um dos seus princípios metabólicos (doshas) da pessoa está exacerbado ou minimizado. Nomeia-se o mal como “distúrbio de vata” “distúrbio de pitta” ou “distúrbio de kapha”.
Considera-se saudável a pessoa que possui equilíbrio entre mente, corpo e espírito, equilíbrio entre os doshas (vata, pitta e kapha), princípios universais responsáveis pelo bom e pelo mau funcionamento dos diferentes órgãos do corpo, que tem uma boa digestão, bons elementos estruturais do corpo e uma regular excreção dos produtos (toxinas) de seu metabolismo.
A doença, para a Ayurveda, é muito mais que a manifestação de sintomas desagradáveis ou perigosos à manutenção da vida, a Ayurveda, como ciência integral, considera que a doença inicia-se muito antes de chegar à fase em que ela finalmente pode ser percebida. Assim, pequenos desequilíbrios tendem a aumentar com o passar do tempo, se não forem corrigidos, originando a doença muito antes de podermos percebê-la.
Os cinco elementos e os doshas
A Ayurveda baseia-se no sistema filosófico samkhya (podem ler texto filosofia Samkhya) nos cinco elementos que formam toda a manifestação material do universo, são eles éter, ar, fogo, água e terra. Toda a matéria que existe no universo provém destes 5 elementos, inclusive o corpo humano (que além da matéria, também é formado por buddhi - discernimento, ahamkara - ego e manas - mente). De acordo com o Ayurveda, quando algum dos 5 elementos está em desequilíbrio no corpo do indivíduo, inicia-se o processo da doença.
Segundo essa tradição, os seres humanos são influenciados pelos 5 elementos através do dosha. O Homem apresenta três modelos constitutivos básicos, expressões condensadas dos cinco elementos fundamentais. Estes modelos são princípios básicos ou humores conhecidos como - Kapha, Pitta e Vata- conceitos únicos da Ayurveda. Os doshas podem ser definidos como mecanismos que governam nosso fluxo de inteligência e de energia. Vata, regido por ar e éter, Pitta, regido por fogo e água, e Kapha, regido por terra e água. Ou seja, a partir dos elementos Éter e Ar, manifesta-se Vata (vata dosha), representado pelo ar corporal, pelas cavidades. Pitta (pitta dosha) é formado a partir dos elementos Fogo e Água e manifesta-se no organismo como o fogo digestivo. Os elementos Terra e Água resultam na água corporal e formam o kapha dosha.
Assim, existem 7 constituições básicas:
1. vata,
2. pitta,
3. kapha,
4. vata-pitta,
5. pitta-kapha,
6. vata-kapha e
7. vata-pitta-kapha.
As três primeiras (formas puras) e a última (forma totalmente equilibrada) são mais difíceis de se encontrar. Em geral, as pessoas possuem 2 doshas predominantes. Como já mencionado, em todas as células existem os três doshas, em diferentes proporções, porém eles são encontrados predominantemente em certos lugares: o lugar preferencial de Vata é abaixo da região umbilical, abdominal; o de Pitta é entre as regiões cardíaca e umbilical e o de Kapha é acima da região cardíaca. Mesmo estando predominantemente nas regiões citadas, eles permeiam o corpo todo.
Cada um dos doshas é mais activo nas diferentes fases da vida do ser humano; Vata predomina após os 60 anos; Pitta entre os 20 e 60 anos, e Kapha predomina do nascimento até os 20 anos( isto é considerado como referência pois varia se for homem ou mulher).
Os doshas também possuem carácter cíclico, variando as suas proporções relativas, independente da constituição básica do indivíduo: Kapha predomina mais à tarde (entre 15 e 19h). Pitta é mais predominante no meio do dia (entre 11 e 15 h) e entre 24 e 2 h. Vata concentra-se principalmente no período entre 6 e 10h da manhã e entre 19 e 23h( aqui os horários podem variar conforme a estação do ano) .
Muitas pessoas apresentam uma constituição onde se nota, em percentagem, dois ou três dosha (ex. vata-pitta o pitta-vata), mais raros são os casos onde está presente só um dosha. Os doshas são substâncias sempre presentes no corpo, sendo continuamente renovadas, têm sua quantidade, qualidade e funções definidas. Todos os doshas estão presentes no ser humano, em cada célula do corpo, desde o momento da concepção; as diferentes constituições são resultantes das percentagens relativas entre vata-pitta-kapha. Todas as pessoas possuem os três doshas, mas em diferentes proporções. No momento da nossa concepção a nossa constituição é definida pelos doshas que estão presentes em maior quantidade no nosso organismo. Ao nascermos, tal proporção está em equilíbrio (prakriti), mas com o tempo e a vida desregrada surge o desequilíbrio em um ou mais desses doshas (vikriti), contribuindo para o aparecimento e desenvolvimento de doenças. Assim, quando normais, os doshas desempenham as diferentes funções do corpo e o mantém. Com o nosso estilo de vida, os doshas têm a tendência a se alterarem, passando por aumentos ou diminuições. Quando se produz essa alteração vão produzir alterações internascomo por exemplo nos tecidos (dhatus) - e contribuem para o aparecimento de doenças.
Quando os dosha estão em equilíbrio o de acordo com a constituição, o resultado é uma saúde vibrante com preciosos niveles de energias. Mas quanto este delicado equilíbrio é incomodado, o corpo se torna susceptível ao “stress” exteriores, como os vírus, os bactérias, um trabalho sobrecarregado, uma alimentação incorrecta. O desequilíbrio nos dosha é o primeiro sinal que o espírito, a mente, o corpo do sujeito não se encontram numa perfeita coordenação. Uma incorrecta alimentação provocará um aumento de agni (foco gástrico) e uma incorrecta digestão da comida: todo isto provocará a formação das toxinas (ama). O aumento das toxinas provocará a seguir a doença.
Para a pessoa ter o corpo saudável é necessário manter os seus tecidos saudáveis e isso é possível por meio da alimentação, que deve ser feita de acordo com o estado actual do paciente, ou seja, de acordo com seu dosha predominante e com os desequilíbrios que ele possa apresentar. Os tecidos que formam o corpo humano são formados a partir dos 5 elementos, que consumimos em forma de alimento. Para o Ayurveda, a saúde de uma pessoa é medida pela força de seu agni (fogo digestivo). Um "bom agni" é capaz de extrair dos alimentos ingeridos os nutrientes necessários para formar tecidos fortes; por outro lado, quando o agni está diminuído ou é irregular (menor capacidade digestiva) a nutrição dos tecidos fica mais pobre, comprometendo a saúde e a integridade estrutural do organismo. Costuma-se dizer: "você é o que você come"; mas pode-se dizer que a medicina indiana vai além: "você é o que você consegue digerir".
O biotipo VATA
As características do Vata são a criatividade, a agitação, a variabilidade na forma, no tamanho, no carácter e na acção. Em geral, o Vata é delgado e tem uma pele fria e seca. Tem um carácter forte, é entusiasta, imaginativo, impulsivo, tem muitas ideias, mas frequentemente o Vata é inconclusivo. O Vata come e dorme numa maneira muito nómada e tem predisposição a ansiedade, a insónia, aos incómodos, a desmenorreia e a obstipação; a sua energia está presente de maneira irregular, por isso a existência do Vata é muito variável
O biotipo PITTA
O Pitta é relativamente previsível, tem uma média estatura, força e resistência, é bem proporcionado, com uma pele “avermelhada”. O Pitta tem uma inteligência rápida, articulada, aguda que pode ser também muito crítica ou “passional”, com breves e explosivos momentos de raiva. O Pitta come e dorme de uma maneira regular, ama o sol mas não suporta o calor e sofre de incómodos a nível gastroduodenal.
O biotipo KAPHA
Uma característica fundamental do Kapha é o relaxamento. O Kapha é sólido, pesado, forte, com uma digestão lenta, cabelos bastante oleosos, pele fria e pálida. São muito lentos no digerir, no comer e no agir, dormem muito tempo e profundamente, tendem a ser obstinados. Têm predisposição para altos níveis de colesterol, obesidade para as alergias.
Segundo a Medicina Ayurvédica, a alimentação deve ser feita de acordo com a constituição individual (Prakriti). Superficialmente pode-se colocar que para um sujeito Vata será adequada uma comida doce, ácida e salgada, para um Pitta uma comida doce, amarga, adstringente ao contrário os sujeitos Kapha deveriam escolher uma comida com sabor amargo, picante e adstingente.