terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Passagem de ano 2025-2026

 

Instituto de Medicina Ayurvedica


Aproxima-se o dia, que nesta passagem de 2025 para 2026 possamos atravessar este momento com a nossa presença, com gratidão, mas em consciência.

Que a Natureza nos recorde e nos traga o seu ritmo sábio, ensinando-nos a ouvir, a respeitar e a fluir, e que a Medicina Ayurvédica continue a guiar-nos no caminho do equilíbrio entre corpo, mente e espírito, honrando a vida em todas as suas expressões.

Que a meditação seja o espaço de silêncio onde a alma se alinha, e que os sons sagrados dos gongs e das taças tibetanas despertem a nossa harmonia interior, expandindo a consciência e restaurando a vibração essencial do nosso ser.

Desejamos que 2026 se revele como um ano de cura profunda, de expansão espiritual e de uma conexão amorosa com a Terra e com todos os seres.

Com votos de saúde, paz, amor e luz,
de Vitor José e do Instituto de Medicina Ayurvédica 

Quem quiser fazer uma mantra para esta altura do ano aqui fica:

 

Om Sarve Bhavantu Sukhinah

Sarve Santu Niraamayaah,

Sarve Bhadraanni Pashyantu,

Maa Kashcid-Duhkha-Bhaag-Bhavet,

OM


Asato ma sadgamaya

Tamasoma jyotir gamaya

Mrityormāamritam gamaya

OM Shanti Shanti Shanti


Om, que todos sejam felizes

Que todos estejam livres de doenças

Que todos vejam o que é auspicioso

Que ninguém sofra

Que traga lucidez, o sonho e o sono profundo


Da ignorância, me conduza à verdade;

Das trevas, me conduza à luz;

Da morte, me leve à imortalidade

Oh paz, paz, paz

 



Shanti, Shanti, Shantih




sábado, 27 de dezembro de 2025

Somavasara - segunda feira

 

Instituto de Medicina Ayurvedica

 

Olá a todos os seres

Nunca escrevi nem tenho falado muito do porquê das minhas meditações são sempre á segunda feira e como algumas pessoas me procuram porque é que é ás segundas sabendo que eu nunca faço as coisas por acaso pois para mim tudo tem um significado e um sentido e é isso que procuro, para que as práticas sejam mais intensas e mais vivenciadas. Quem faz as práticas sente isso mesmo nos dias dos Concertos Meditativos e nos dias de Yoganidra quando coincidem com a segunda feira as coisas são diferentes eu considero um pouco mais intensas, como o que aconteceu em dezembro no Yoganidra e o que vai acontecer este dia 5 de janeiro de 2026 no nosso concerto Meditativo.

Sei que não deveria escrever isto pois a partir daqui os eventos que vão aparecer vão ser todos à segunda feira, mas acredito que o conhecimento é para partilhar dependendo das consequências que daí advém.

Então aqui deixo a importância e o significado de Somavāsara

Somavāsara em snascrito e somavār em hindi é a segunda-feira, o dia regido por Soma, o princípio lunar e na tradição ayurvédica e védica, Soma representa o néctar da vida, a energia de nutrição, a suavidade, o amor e a regeneração. Está intimamente ligado à Lua (Chandra), à mente (manas) e aos fluidos do corpo.

Do ponto de vista ayurvédico, Somavāsara favorece a pacificação de Pitta e Vata, ao mesmo tempo que pode aumentarou agravar Kapha quando este não está em equilíbrio. É um dia propício ao descanso consciente, à hidratação, à alimentação leve e nutritiva, e a práticas que cultivam a estabilidade emocional, valorizando tudo o que nutre como óleos, infusões suaves, alimentos mornos e satvicos que ressoam e vibram com a qualidade lunar deste dia.

Espiritualmente, Somavāsara convida ao recolhimento interior. A Lua reflete a luz do Sol, assim como a mente reflete a consciência, por isso, é um dia especialmente indicado para a meditação silenciosa, para o cultivo da presença em nós mesmos e para práticas devocionais ligadas a Shiva, o guardião do Soma e da consciência suprema. É um momento favorável para observar os pensamentos sem julgamento, permitindo que a mente se torne clara e serena como um lago em noite de Lua cheia.

Na dimensão subtil, Somavāsara favorece práticas de cura sonora suave, como o uso consciente das taças tibetanas, de gonges, de mantras lunares ou sons longos e contínuos, que acalmam o sistema nervoso e harmonizam os canais energéticos (nadis). O Prana flui com maior delicadeza, convidando à escuta profunda do corpo e da alma.

Assim, Somavāsara é um dia de nutrição, introspeção e alinhamento, que nos devemos lembrar de que a verdadeira força nasce da suavidade, e que a cura começa quando honramos os ritmos naturais da vida e da consciência.

Somavāsara é o despertar da suavidade consciente e este dia surge como um convite da Lua para que possamos abrandar, onde devemos escutar a nossa voz interior e ao mesmo tempo devemos nutrir aquilo que foi esquecido no silêncio do coração.

Quando Somavāsara se manifesta de uma forma clara, existe um sinal de que a nossa alma pede mais escuta do que ação, mais sentir do que controlar e mais nutrição do que esforço.

É um dia em que a vida nos vai lembrar de que a cura acontece quando permitimos que a energia flua sem resistência, que as nossas emoções podem emergir e aparecer, não para perturbar, mas sim para serem acolhidas e purificadas. Ao honrar todos estes sinais é como escolher a nossa presença, o descanso consciente e o amor compassivo.

 

Como vimos atrás no texto este é um dia de Shiva e o mantra a ser feito neste dia é um mantra de tradição Lunar e dedicado à nossa cura interior

Om Soma Somāya Namah

सोम सोमाय नम
(Eu reverencio Soma, o néctar da consciência, a energia lunar que nutre, que acalma e restaura)

Este mantra tem como função acalma a mente (manas), harmoniza as emoções, nutrir o Prana e favorecer estados meditativos profundos.

Deve ser verbalizado 9, 27, 54 ou 108 vezes e deve ser feito idealmente à segunda-feira, em silêncio ou com som suave de taça tibetana, podendo ser acompanhado com pranayamas de respiração lenta e consciente.

Podemos complementar esta prática com uma afirmação meditativa

“Eu permito que a suavidade da Lua cure a minha mente e nutra o meu ser.”

Para os que aceitam estes preceitos ou os que querem evoluir aqui deixo uma prática ayurvédica de Somavāsara

Inicialmente devemos ter uma intenção de aceitação do dia em que cultivamos a suavidade, o equilíbrio emocional e a clareza mental, honrando a energia de Soma e considerando-a como o néctar da vida.

Primeiro devemos ter em atenção ao espaço devendo considerar e escolher um local calmo, devemos acenda uma vela branca ou prateada em representação da Lua e se possível, coloque na sua envolvência uma taça tibetana, uma pequena taça com água e uma planta viva, considerando que o espaço criado é a consagração ao nosso ser interior, à nutrição e à consciência.”

A seguir deve nutrir-se podendo fazer uma Abhyanga suave aplicando óleo morno (sésamo, mostarda ou coco, conforme a sua constituição) nas mãos, pés e no coração. O toque deve ser lento, consciente e sem pressa devendo focar-se na sensação, não no pensamento. Este gesto vai acalmar e apaziguar Vata, suavizar Pitta e nutrir os tecidos (dhatus).

Depois deve fazer durante algum tempo pranayama e a respiração lunar (Chandra Bhedana), inspirando pela narina esquerda e expire pela narina direita, devendo repetir pelo menos durante 7 ciclos lentos. Esta respiração tem como intuito refrescar a mente, harmonizar as emoções e desperta a nossa energia lunar.

Deve integrar a meditação e o som devendo sentar-se confortavelmente. Se tiver uma taça tibetana faça-a soar suavemente, deixando que o som se expanda e ao mesmo tempo dissolva as suas tensões corporais. Em silêncio ou em voz baixa, faça o mantra “Om Soma Somāya Namah”  (9, 27, 54 ou 108 vezes), permitindo que o som e o mantra conduzam a mente a um repouso natural.

No final faça um gesto de gratidão colocando a mão direita sobre o coração e a esquerda sobre o abdómen e aceite o que lhe chega honrando os ritmos da Natureza e receba a cura que nasce e que lhe chega através dela, mas tudo com suavidade. Permaneça alguns instantes em silêncio.

Durante o resto do dia deve fazer uma alimentação leve, morna e nutritiva acompanhada com um chá suave como camomila, erva-doce ou rosa. Evito o excesso de estímulos e decisões impulsivas priorizando o encontro consigo mesmo, escutando-se, contemplando tudo o que lhe chega e faça um descanso consciente.

Para terminar considere que neste dia de Somavāsara a verdadeira força nasce quando a mente repousa e o coração é nutrido.

Lokah Samastah Sukhino Bhavantu

Shanti, Shanti, Shantii

 


Concerto meditativo de sons e voz de ligação á natureza

 Concerto meditativo de sons e voz de ligação e conecção com a natureza e connosco próprios

Como em todos os dias de lua cheia aqui fica mais um concerto meditativo de voz e som de ligação e conecção com a natureza e connosco próprios


As Taças tibetanas e os gongos emitem sons que cada vez mais é considerado como sons com fins curativos, como modo de purificação do corpo e como indutor de meditação e estados vibracionais do nosso corpo e mente, como harmonizadores do espaço, como purificadores dos ambientes, considerados no geral como tendo um poder curativo de todo o nosso corpo.
Considerando todas as potencialidades conhecidas como purificador e limpados espiritual e terapêutico sento utilizado originariamente no Nepal, Tibete e na India.
Numa maneira mais introspectiva podemos dizer que estes sons são dirigidos e direccionados directamente para a nossa alma.
A sua vibração e o seu poder terapêutico também tem origem na composigão das taças e gonges que em muitos casos são compostos por 10 ou mais metais que faz com que emita vários tons e várias frequências ao mesmo tempo e que a sua vibração perdura durante muito tempo. No decorrer deste concerto todos estes sons serão associados mantras e outros sons vibracionais de diferentes instrumentos.
Os principais benefícios de assistir a estes concertos ou mesmo efectuar terapias de som ou mesmo ultra-sons emitidos por estes instrumentos vão: 
- provocar um relaxamento profundo, - as sonoridades e vibrações emitidas pelas taças libertam-nos do stress,- libertam e descomprimem das preocupações, inseguranças e bloqueios energéticos, - ajudam-do a atenuar o aparecimento de males físicos, emocionais e espirituais, - harmonizam o nosso corpo energéticamente, - melhoram a capacidade para atingir um estado de relaxamento profundo, - conseguimos um maior domínio sobre a resolução de problemas e preocupações
- o desbloqueamento energético vai provocar e induzir uma sensação de bem estar imediata
- Induz o aumento da capacidade criatividade e da concentração 
- reforça do sistema imunitário e melhoria da autoconfiança- alívio de dores crónicas
- produz um equilíbrio dos hemisférios cerebrais
- harmonização das célula do nosso corpo
- influência de forma positiva a autoconfiança e a ansiedade.

Este benefícios são mais que suficientes para que se proponha a assistir  e vivenciar tudo o que se passa nestes concertos meditativos.
Numero máximo de pessoas presenciais 10
5 de Janeiro de 2026 Segunda feira
Horarios: 21.30 h
valor: Donativo consciente (recomendado 20€)
Presencial
Lugar: Instituto de Medicina Ayurvédica
Rua dos Carregais, 665 y 671, 4420-061 Gondomar
Info y reserva: Vitor José, ayurveda-gdm@gmail.com
ou 966 058 320
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Feliz Natal 2025

 

Instituto de Medicina Ayurvedica

Neste período do Natal, somos todos convidados a retornar ao silêncio que habita no nosso coração.

Que a meditação nos conduza à luz interior, onde a nossa consciência desperta e a alma recorda a nossa essência. Que a Medicina Ayurveda, através do seu conhecimento ancestral e da vida, nos inspire a viver em harmonia com a inteligência divina da natureza, reconhecendo o equilíbrio como caminho de cura e evolução espiritual.

Que este Natal seja um portal de renovação, onde o amor, a presença e a compaixão se manifestem em pensamentos, palavras e ações, nutrindo o corpo, a mente e o espírito.

Receba os nossos votos de um Natal de paz profunda, de consciência elevada e saúde integral.

Com gratidão
Vitor José e Instituto de Medicina Ayurvédica

Shanti, Shanti, Shantii

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

O solstício de Inverno numa visão espiritual


 


Instituto de Medicina Ayurvédica

O Solstício de Inverno é um dos momentos espirituais mais antigos da humanidade. Quando falamos no solstício de inverno no seu sentido espiritual temos de ter em atenção ao que acontece e percebemos que essa noite é a noite mais longa do ano, é o momento em que o Sol atinge o ponto mais baixo no céu, onde existe menor tempo de luz solar, quando se dá início do Inverno astronómico, sendo neste momento onde define a morte simbólica da luz externa e ao mesmo tempo considera-se como sendo o nascimento da nossa luz interna.

 

No hemisfério norte em Portugal, na Europa e na América do Norte comemora-se entre os dias 21 e 22 de dezembro, mas na maioria dos anos é comemorado dia 21 de dezembro.

 

No Hemisfério Sul no Brasil, na Argentina, Chile, etc. comemora-se entre os dias 20 e 21 de junho, mas na maioria dos anos é comemorado dia 21 de junho.

 

Nas tradições espirituais e ancestrais esta comemoração pode ser feita na noite anterior por exemplo na noite de 20 para 21 de dezembro, ou exatamente no mesmo dia do solstício, ou ainda nos 3 dias simbólicos (antes, durante e depois),

porque energeticamente o Sol “pára”, o tempo desacelera, e o portal não é de um único minuto

 

O melhor momento para comemorar e celebrar espiritualmente é ao anoitecer, antes de dormir, em silêncio e em recolhimento o que vai respeita a energia real do Inverno.

 

Em todas as tradições antigas o Sol não desaparece, ele recolhe-se para renascer.

 

O Solstício de Inverno não é uma celebração de expansão, é uma celebração de recolhimento, do silêncio e de gestação (na espiritualidade “gestação” não se refere apenas à gravidez física, mas a um processo interno de incubação, maturação e preparação), em que energeticamente se liga ao Ida Nadi (lunar), ao Prana Vayu (movimento interno), aos elementos Terra e Água, e ao Chakra da raiz e do coração profundo.

 

Estrutura de uma comemoração espiritual

 

1️ - A Preparação do espaço é muito importante e o ambiente deve:

Ter uma luz baixa ou apenas luz de velas

Estar em silêncio ou com sons muito suaves

O espaço deve estar limpo e ser um espaço simples

Devemos integrar alguns elementos simbólicos que podem ser colocados num pequeno altar como:

Uma vela (representa o Sol interno)

Um recipiente com água

Uma pedra ou cristal escuro

Algo natural (sementes, galho seco)

Não devemos ter ou fazer nada em excesso e no final considerar que o inverno é essencialidade.

 

2️ - Preparação do nosso corpo e antes de qualquer ritual, o corpo precisa e deve entrar e estar em consonância com o inverno, devendo ter:

Uma respiração lenta e profunda

Os ombros soltos

O abdómen relaxado

O corpo ou os pés bem apoiados no chão

Quando a fazemos sozinhos podemos fazer uma automassagem com óleo mas a nossa respiração deve ser nasal e profunda, e devemos manter o silêncio consciente durante alguns minutos

 

3️ - Iniciar o ritual como se fosse um ato sagrado

Deve acenda uma lamparina ou uma vela em silêncio ( deve ser de ghee)

Coloque as mãos no coração

Reconheça-se internamente honrando a noite, o silêncio e o recolhimento.

Não peça nada ainda, apenas reconheça o momento.

 

4️ - Vamos então fazer o ritual de recolhimento (Esta é uma das partes mais importantes), considerando que este momento é o coração do Solstício de Inverno. E em silêncio faça algumas perguntas importantes ou se pretender pode-as escrever:

O que precisa de descansar e de libertar em si?

O que já terminou e o que já cumpriu o seu ciclo?

Que partes suas estão cansadas?

O que precisa de terminar ou morrer em si para que algo de novo possa nascer?

Não seja excessivamente racional e sinta mais.

 

Faça uma entrega simbólica e se pretender pode escrever o que quiser que se liberte ou se solte em si, depois pode queimá-lo numa vela ou num recipiente ou também pode-o colocar debaixo de uma pedra. Este gesto pode parecer simples, mas é profundo e quando for feito de uma forma consciente pode ser muito importante.

 

5️ - Faça uma meditação muito suportada na sua luz interne e no seu sol interior.

Imagine um pequeno ponto de luz no centro do seu peito e no coração

Veja que essa luz é pequena, mas ao mesmo tempo intensa, mas estável.

Não a faça crescer deve mantê-la assim, mas ao mesmo tempo deve protege-la e geri-la fazendo com que essa luz não brilhe para fora, mas sim para todo o seu interior.

 

6️ - Som e vibração pode não ser feito, mas tem muito poder

Se usar sons eles devem ser tons graves em que os sons são longos como os das taças tibetanas. Se tiver uma taça tibetana ela deve ter sons baixos e se fizer um mantra deve ser um mantra suave como por exemplo o OM prolongado, em que os sons devem ser de embalar e não de despertar

 

7️ - Deve fechar este momento de uma forma consciente, agradecendo à noite, ao silêncio e não deve apagar a vela deve-a deixar arder até ao fim. Pode dizer uma frase para encerrar este momento como por exemplo

 “Eu confio no tempo invisível que me vai trazer um tempo de luz, de criação e de da transformação.”

 

Após este o ritual é muito importante que não volte logo a estímulos do dia a dia devendo evitar ecrãs, redes sociais, televisão, preferindo o recato e deve deitar-se de modo a que o ritual continue durante o sono.

 

Este ritual pode ser partilhado e ter alguns significados diferentes como por exemplo se for executado em grupo pode-se fazer uma roda de silêncio, podemos partilhar um momento de cura sem qualquer diálogo e ao mesmo tempo fazer um ritual coletivo de entrega e partilha.

 

Pode-se também ter uma consciência terapêutico e neste caso podemos efetuar uma leitura ou visualização interna da sua energia, efetuar uma respiração lenta e orientada e no final fazer um trabalho energético com os chakras inferiores.

 

Também podemos ter uma conecção com Ayurveda e aqui podemos aumentar uns chás quentes e oleosos, utilizar algumas especiarias suaves e efetuar práticas calmantes para Vata.

 

Neste período devemos evitar o excesso de palavras, as músicas agitadas, os rituais performativos e exuberantes e não apresentar nem ter expectativas de resultados

 

Uma questão importante é que no Solstício de Inverno veneramos princípios, não poder, e estes princípios fazem com que percebemos e que possamos compreender os arquétipos: a noite, o silêncio, a gestação, a morte simbólica e uma luz latente (não se manifesta), portanto, as divindades e mantras adequados são os que sustentam o invisível, que protegem o silêncio e que guardam a semente que vai fazer com que permitem o renascimento

 

Mas com esta análise o que podemos aprender e o que nos ensina o solstício:

“Tudo nasce no escuro”. E que o inverno é para recolher, a noite é para gestar e nos encontrarmos, o silêncio é para nutrir e a luz é para confiar.

 

Na tradição védica  e ayurvédica devemos considerar

1. Surya que podemos considerar como o nosso sol interior, pois mesmo no Inverno, Surya não desaparece, recolhe-se.

Podemos fazer um mantra “Om Suryaya Nama” mas deve ser feito de forma simples e profunda verbalizados em forma de japá, mas em voz baixa, com poucas repetições e com uma vela acesa e com isto vamos honrar e invocar a luz que ainda não brilha.

 

2. Shiva que representa o silêncio e a dissolução em que Shiva é o arquétipo mais alinhado com o Solstício de Inverno e representa uma pausa cósmica, a dissolução do velho, o silêncio fértil e uma consciência pura.

O mantra que podemos fazer “Om Nama shivaya” pois este mantra é bom mas deve ser integrado numa meditação silenciosa, para nos proporcionar um momento de entrega e para encerrar diferentes ciclos.

 

3. Devi é considerada como a Mãe no seu aspeto mais escuro, não como elemento de destruição, mas como o centro ou o útero cósmico em que os aspetos mais adequados são representados como uma Durga serena, Parvati e Adya Shakti (não Kali ativa).

O Mantra que devemos fazer “Om Shrī Durgayai Namah” que também deve ser feito de forma suave e invoca proteção durante o nosso recolhimento.

 

4. Em todas as tradições yóguicas e universais o mantra OM será o mantra mais universal e ao mesmo tempo o mais seguro e profundo.

Devemos considerar que no Solstício de Inverno, menos é mais, por isso deve ser feito de uma forma correta e devemos fazer o OM longo, num tom grave, fazendo poucas repetições e com algumas pausas de silêncio. O mantra OM representa o vazio, o nosso potencial e ao mesmo tempo é uma semente sonora do universo

 

 Os mantras neste período devem ser evitados, não por serem “errados”, mas por não combinarem com a energia que este solstício representa e quando forem feitos devem ser pouco ativos, devem fazer invocações de poder ou conquista, devem ser rítmicos, mas não rápidos.  Nunca nos devemos esquecer que o inverno pede contenção, não ativação. Quando fazemos mantras devemos ter sempre em atenção a intenção e o propósito que queremos, por isso devemos escolher a divindade e o mantra que ele representa

 

Shiva representa o silêncio e dissolução

Surya representa a nossa luz latente

Devi representa a gestação e proteção

OM representa o potencial puro

Terra representa a sustentação

 

 

OM shanti, Shanti, Shanti

 

sábado, 13 de dezembro de 2025

Curso de Pedras e Cristais na Perspetiva Ayurvédica

 

Instituto de Medicina Ayurvedica

Curso de Pedras e Cristais na Perspetiva Ayurvédica
O Equilíbrio, a Consciência e a Sabedoria da Natureza
Ayurveda, é a mais antiga ciência de cura do mundo e reconhece desde tempos imemoriais o poder subtil das pedras e cristais como ferramentas de harmonização física, mental e espiritual. Este curso nasce da união entre a tradição védica especialmente a Ratna Chikitsa, a terapia ancestral com gemas e uma abordagem contemporânea, acessível e profundamente transformadora.
Ao longo desta formação, vamos descobrir como cada pedra ou cristal manifesta as suas qualidades energéticas e a sua correspondência aos conceitos ayurvédicos de Guna, Dosha, Rasa, Virya e Vipaka, permitindo compreender com simplicidade e profundidade como as pedras podem influenciar a saúde do corpo, a clareza da mente e a harmonia da alma.
Este curso oferece uma visão holística que integra:
A relação entre cristais e os Doshas (Vata, Pitta e Kapha)
A ligação dos minerais aos Chakras e aos campos subtis
Práticas terapêuticas ayurvédicas para uso pessoal e profissional
Rituais simples de purificação, proteção e equilíbrio energético
Utilização dos cristais em práticas pessoais, meditação e cuidados diários
Análise terapêuticos ayurvédicos adaptados a cada pessoa

Através de uma combinação de teoria, prática e exploração sensorial, todos devem aprendem a usar as pedras e cristais, compreender as suas propriedades e aplicá-los de forma segura, consciente e intencional.
Este curso destina-se a terapeutas, praticantes de Ayurveda, a todos os profissionais que trabalham o bem-estar, entusiastas da energia subtil e a todos aqueles que procuram aprofundar a sua ligação à natureza e despertar um entendimento mais intuitivo da energia que nos rodeia.
No final da formação, cada pessoa terá a capacidade de práticas energéticas com cristais, criar rituais personalizados e integrar a sabedoria mineral no seu caminho quer pessoal ou profissional.
Considere esta jornada como uma jornada de luz, de enraizamento e o aumento da nossa consciência, onde cada cristal é um mestre silencioso e cada prática um convite a todo o nosso equilíbrio interior.
Quem ministra o curso:
Vitor José naturopata e terapeuta de Medicina Ayurvédica e Chairman de Ayurveda.gdm e do Instituto de Medicina Ayurvédica
Este Curso realiza-se dia 13 de Outubro de 2025, Sábado das 9.00 13.00 Valor evento : 120€
Quem fizer a Inscrição e pagamento até 30 de Novembro o valor é de 100€
Pagamento:
Entidade. 21 312
Referencia : 503 580 158
Valor : 120€
Envie por favor comprovativo de pagamento
ficha de inscrição disponivel em:
https://ayurveda-gdm.blogspot.com

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Shanti, Shanti, Shanti o seu significado

 

 

Instituto de Medicina Ayurvédica

Uma das expressões mais sagradas do Hinduísmo, da filosofia védica e da Ayurveda é “Shanti, Shanti, Shanti”, mas que é o significado espiritual?

O que significa “Shanti”?

Shanti (शान्तिः) significa paz, mas não é apenas paz emocional.
O termo tem uma raiz sânscrita que significa acalmar, apaziguar, pacificar, harmonizar, extinguir o sofrimento, dissolver perturbações, trazer equilíbrio interno e universal. Mas esta paz é uma paz que atua nos nossos três planos da existência: corpo, mente e espírito.

Porque se repete três vezes?

  • No Hinduísmo e na tradição védica, cada “Shanti” é orientado e direcionado a um nível diferente de perturbação e estas perturbações são designadas por “Tapa-traya”, os três sofrimentos da existência humana ou dificuldades que afligem os seres vivos, os sofrimentos físicos, os sofrimentos de origem divina/extra-sensorial e os sofrimentos que vêm da própria mente. A palavra "Tapas" significa disciplina, austeridade, esforço, persistência ou calor espiritual e representa o "fogo" de um esforço consciente e autodisciplinado, usado para purificar, transformar e alcançar objetivos espirituais ou físicos mais elevados. No Ayurveda e outras filosofias indianas, é a prática de disciplina para "queimar" maus hábitos e desejos, gerando calor espiritual para o crescimento pessoal e tem como Objetivo o fortalecer a vontade, superar fraquezas e alcançar autoconfiança e autoconhecimento. 

Estes “Tapa-traya” são

Adhyātmika que está associado á nossa paz interior

Adhibhoutika que está associado ao nosso mundo exterior

Adhidaivika que está associado ao nosso plano espiritual ou cósmica


Por isso cada shanti refere-se a cada um destes tapa e com o:

Primeiro shanti é Adhyātmika estamos a potencializar a nossa paz interior

Estamos a combater todas as perturbações vindas da mente, das emoções e do corpo e ao mesmo tempo com a vontade e o desejo de libertar a ansiedade, as dúvidas, os medos, a dor física e os conflitos internos. Podemos aqui considerar todo o combate aos sofrimentos auto-infrigidos ou causados pela própria mente e corpo, como stress, ansiedade, doenças psíquicas, dores de cabeça e doenças que afetam o corpo. Aqui podemos considerar que estamos a trabalhar o microcosmo, o nosso próprio ser. E esta paz cura o que está, o que aparece e o que nasce dentro de nós.

O segundo Shanti é Adhibhoutika trabalha a nossa relação com o mundo exterior

Aqui combatemos as perturbações vindas de pessoas, dos obstáculos, do ambiente e da natureza. Com este segundo shanti vamos combater os conflitos e sofrimentos causados pelo mundo exterior, como as doenças, as nossas dificuldades no trabalho, os desafios da vida material, as nossas condições ambientais, os acidentes ou obstáculos físicos e os conflitos com outras pessoas ou animais. Neste caso estamos a trabalhar o macrocosmo, tudo aquilo que está á nossa volta. Esta paz harmoniza a relação com o mundo e a sociedade.

O terceiro Shanti Adhidaivika trabalha a nossa ligação espiritual ou cósmica

Aqui combatemos as perturbações vindas de forças além do controlo humano, as dificuldades de natureza divina ou extra-sensorial, como as que são atribuídas a fenómenos de origem sobrenatural ou a forças invisíveis. Com este terceiro shanti vamos combater a nossa relação com o destino / karma, com as forças da natureza, com as energias cósmicas, com os estados espirituais turbulentos e ao mesmo tempo com os alinhamentos astrológicos. Aqui procuramos a ligação aos mundos subtis onde moram os devas. Esta paz equilibra o espírito e harmoniza a alma com o universo.

 

Portanto, “Shanti Shanti Shanti” significa:

“A paz no corpo. A paz na mente. A paz no espírito.”
“A paz dentro de mim. A paz no mundo. A paz no cosmos.”
“A paz em todas as direções da existência.”

A repetição deste mantra tem uma importância espiritual e produz em nós diversos estados como o de:

Purificação vibracional que ao repetir “Shanti” cria uma frequência que acalma o sistema nervoso e purifica o campo energético (Aura), e ao mesmo tempo o som produzido vai dissolver vritti (agitações da mente).

Vai produzir uma abertura para a graça divina, pois nas cerimónias e na verbalização dos mantras, diz-se que esta tripla paz abre espaço para que o mantra principal seja recebido com clareza.

Vai aumentar a nossa proteção espiritual pois a vibração invoca proteção contra as turbulências internas e externas.

Ele deve fechar e encerrar os rituais e invocações pois usado no final bloqueia e sela a energia impedindo que o ritual deixe as “portas abertas” espirituais.

Vai harmonizar os três corpos, o corpo físico (Annamaya), o corpo mental/emocional (Manomaya) e o corpo espiritual (Anandamaya)

Quando devemos usar?

No final de meditações

No termino de pujas (ritos)

Após recitar mantras védicos

Para limpar a energia de um espaço

Antes de dormir

Para harmonizar o estado emocional

Em aulas de yoga

Em práticas de Medicina Ayurveda

Como recitar corretamente?

Recita devagar, com presença, foco e intenção:

“Shanti… Shanti… Shanti…”
De preferência prolongando o “”, que liberta a energia pelo chakra cardíaco e superior. A última repetição é muitas vezes baixinha ou mental, como um selo subtil em que o i é mais prolongado.

Considero que Shanti não é só paz mas também é cura, equilíbrio, proteção, harmonia e silêncio interior. Repetido três vezes, pacifica todo o campo da experiência humana quer seja interna, externa ou espiritual/cósmica

Na tradição védica esta repetição de shanti é considerado um dos sons mais puros, limpadores e o mais elevado espiritualmente.

 

“Shanti  Shanti  Shanti”

 

“Lokah Samastah Sukhino Bhavantu”

(Que todos os seres, em todos os lugares, sejam felizes e livres)

 

 

Instituto de Medicina Ayurvedica