segunda-feira, 31 de março de 2025

Hanuman Jayanti 2025

Instituto de Medicina Ayurveda

 

Hanuman Jayanti

Hanuman Jayanti é um festival hindu que celebra e comemora o nascimento de Hanuman. Em 11 de Abril, sexta feira pelas 21.30 no nosso concerto meditativo de Lua cheia, o Instituto de Medicina Ayurveda comemora o nascimento de Hanuman ( A data é determinada pelo calendário hindu e ocorre no dia da lua cheia (Pūrimā) do mês de Chaitra, que geralmente coincide entre março e abril no calendário gregoriano). Retratado como um deus-macaco, Hanuman é considerado um avatar de Shiva e um fervoroso devoto de Rama, a 7ª encarnação de Vishnu. Segundo a mitologia, Hanuman é considerado 'Chiranjeevi' - um imortal, aquele que vive para sempre.

Hanuman é uma divindade de força e poder. Acredita-se que Hanuman tenha poderes mágicos como voar, levantar montanhas e poderes para quebrar qualquer coisa. A glória de Hanuman foi mencionada nos grandes épicos Ramayana e Mahabharata e em outros textos sagrados. Ele é frequentemente adorado por ganhar confiança, coragem e forte determinação.

Os devotos acreditam que adorar Hanuman, especialmente no seu dia de aniversário, ajudaria a incutir coragem, força, confiança e reduzir os efeitos maléficos do planeta Saturno no mapa natal (aqui poderemos considerar as pessoas que estão em sade sati ou as que estão sobre a influência do planeta Saturno). Como grande devoto e discípulo de Rama, ele é frequentemente descrito como um epítome de devoção e lealdade. Ele também é considerado um símbolo do Brahmacharya (celibato).

Hanuman Jayanti ou o dia de aniversário de Hanuman é considerado o melhor dia para adorar Hanuman, pois a sua energia está disponível em abundância. Realizar eventos como Homa (Cerimónias de Fogo), vocalizar mantras e pujas neste dia apazigua o poder do Divino em nós ajudando-nos a procurar a nossa proteção e garantir a segurança contra negatividades.

Hanuman Jayanthi é celebrado em famílias e templos em diversos lugares na India. Pode ser efetuado um Puja especial, canto de Hanuman Chalisa e leitura do capítulo Sundara Kanda do épico 'Ramayana' são rituais integrais do dia. Alguns devotos fazem jejum de um dia inteiro e praticam meditação. Tulsi (folhas de manjericão), ghee, Sindoor (vermelhão), bananas, uma guirlanda feita de Urad dhal (lentilhas pretas), Vada (bolinho saboroso), óleo de mostarda são oferecidos a Hamuman. Rama também é adorado em Hanuman Jayanti.

 

Oferecer orações, aceitação, pujas a Hanuman neste dia pode proporcionar os seguintes benefícios:

- Conceda coragem, força e proteção

- Capacidade de realizar o impossível na vida

- Reduza os efeitos das aflições de Saturno

- Conceda boas bênçãos de riqueza, saúde e relacionamento

- Conceda sucesso em empreendimentos

Os textos sagrados prescrevem a cerimônia do fogo, Abishekam (cerimônia de hidratação), Puja/Archana (cerimônia de Luz e Som), Yantra e Mantra (sons especiais) como formas de oferecer sua oração ao divino. A participação em grupos onde se praticam as atividades anteriores são corretivos de modo a limpar o seu Karma e receber as bênçãos divinas.

Como se comemora esta data?

Atividades e práticas sugeridas para este período

A celebração de Hanuman Jayanti varia entre regiões e tradições, mas geralmente inclui:

- Satya Vrata: Falar apenas o que for verdade, o que seja útil, e de forma agradável;

- Visitas aos templos: Os devotos visitam templos dedicados a Hanuman logo ao amanhecer, pois acredita-se que ele nasceu durante as primeiras horas da manhã.

- Leituras e recitações: Os textos sagrados como o Hanuman Chalisa, o Sundara Kāṇḍa do Rāmāyaa e os bhajans (canções devocionais) são recitados na sua homenagem.

- Jejum (Vrata): Muitos devotos praticam jejum parcial ou completo, consumindo apenas frutas e leite até ao meio-dia.

- Japa: fazer uma volta de japá mala no dia com o mantra de Hanuman (Om sham shaniacharaya namah.  Om praam preem praum sah shaniacharaya namah);

- Meditação a Hanumān: neste dia devem~se praticar meditações mais intensas e perlongadas.

- Pūjā e Abhieka: Estátuas e imagens de Hanuman são banhadas com óleo, leite, mel e água perfumada, e são oferecidas flores e doces como laddus e boondi.

- Aplicação de Sindoor (Açafrão): Os devotos aplicam sindoor na testa ou no peito de Hanuman, pois, segundo a tradição, ele cobria o seu corpo com esse pó em devoção a Rāma.

- Procissões e discursos religiosos: Em algumas regiões, há grandes procissões nas ruas, com estátuas de Hanuman sendo levadas por devotos, acompanhadas por cânticos e discursos espirituais.

- Ato de caridade - Dānam - doação: ao final do período, fazer uma doação a alguém necessitado ou alguma instituição que ofereça suporte a necessitados ou as motivações mais humanas. Para que seja Dānam, é preciso atender a três fatores: que a pessoa tenha condições de doar; que a pessoa a receber seja adequada a receber; e que a forma da doação seja adequada. Esta Distribuição de comida e doações para os necessitados faze parte da tradição, refletindo os valores de serviço e humildade de Hanuman.

 

Pode-se fazer todas as práticas, bem como apenas algumas delas.

 

Hanuman Jayanti é um dia de grande devoção, onde os fiéis procuram bênçãos para aumentar a sua força, coragem e proteção contra dificuldades.

Curiosidades:

Hanuman Jayanti é celebrado com grande devoção em toda a Índia, mas cada região tem as suas próprias tradições e costumes. Aqui estão algumas das principais formas de comemoração.

 

1. Norte da Índia (Uttar Pradesh, Bihar, Delhi, Madhya Pradesh, Rajasthan, Uttarakhand)

- Os templos de Hanuman, como o Hanuman Mandir em Delhi e o Sankat Mochan Hanuman Temple em Varanasi, realizam grandes pujas e distribuem prasad (comida sagrada).

- Os devotos recitam o Hanuman Chalisa e o Sundara Kāna, procurando força e proteção contra males existentes.

- Em algumas cidades, ocorrem grandes procissões com imagens de Hanuman, acompanhadas por cânticos devocionais e danças.

 

2. Maharashtra

- A celebração em Mumbaim, Pune e Nashik é grandiosa. Os templos de Hanuman são decorados com flores e iluminados com lamparinas de óleo.

- Muitos devotos jejuam o dia todo e visitam os templos para oferecer cocada, ladoos e boondi a Hanuman.

- Algumas comunidades organizam akhand path (recitação contínua) do Hanuman Chalisa durante 24 horas.

 

3. Sul da Índia (Tamil Nadu, Karnataka, Andhra Pradesh, Telangana, Kerala)

- Em estados como Tamil Nadu e Karnataka, Hanuman é adorado como Anjaneya Swamy.

- No famoso templo de Namakkal Anjaneyar (Tamil Nadu), devotos oferecem guirlandas gigantes de tulsi (manjericão sagrado) e bananas.

- No templo de Gokarna Mahaganapathi e Hanuman (Karnataka), há abhieka (banho sagrado) da estátua com leite e óleo de sesamo.

- Em Andhra Pradesh e Telangana, as procissões incluem carros alegóricos representando episódios do Rāmāyaa.

 

4. Gujarat e Rajasthan

- Os devotos fazem parikrama (circulam) ao redor dos templos de Hanuman.

- Muitos aplicam sindoor no peito como um gesto de devoção, pois Hanuman é frequentemente retratado coberto com esse pó vermelho.

- É comum ouvir cânticos contínuos do Hanuman Chalisa e leituras do Ramayana em templos e em casa.

 

5. Bengala Ocidental e Odisha

- Em Bengala, Hanuman Jayanti é celebrada com leituras do Sundara Kāṇḍa, principalmente nas regiões onde há influência Vaishnava.

- Em Odisha, devotos realizam procissões noturnas e organizam festivais de dança e drama sobre Hanuman e Rama.

 

6. Himachal Pradesh e Jammu & Caxemira

- Em templos de montanha, como o Jakhoo Temple em Shimla, milhares de devotos escalam colinas para oferecer orações a Hanuman.

- Em Jammu, há uma tradição de transportar bandeiras alaranjadas (dhwajas) para templos como símbolo de devoção.

 

7. Nepal (onde Hanuman também é venerado)

- Hanuman Jayanti é amplamente comemorado no Templo de Pashupatinath (Katmandu).

- Devotos oferecem leite, frutas e coco às estátuas de Hanuman.

- Muitas pessoas pintam a testa com sindoor em homenagem ao deus.

 

Hari Om!

 

segunda-feira, 3 de março de 2025

Curso de introdução à Meditação - 2ª edição

 

Instituto de Medicina Ayurveda


Curso de introdução à Meditação - 2ª edição
orientador: Vitor José

Quando me propus fazer este Curso de introdução à Meditação, e informei os mais próximos a resposta é sempre a mesma fazer uma coisa que não interessa a ninguém, porque te metes nisso.
Achei interessantes os comentários, pois pude-me aperceber que realmente toquei no ponto nevrálgico de um assunto que normalmente não é abordado como curso e ao mesmo tempo o tema nunca foi tão profanado e deturpado como é hoje.
É certo que vivemos, atualmente, num contexto mundial onde a condição humana, apenas voltada para os interesses instintivos, sendo claro que somente pensam em obter posses, dinheiro, bens materiais e status, mas tudo isto não nos fornece a paz e a serenidade tão almejadas por todos; mas ao contrario, quase invariavelmente, acaba por nos proporcionar dor e sofrimento, carregados de ambição e apego. Algumas pessoas começaram a buscar algo que possa preencher o vazio existencial, criado pela falta de propósitos superiores na vida, sem saber exatamente o que procurar, onde procurar e ainda como fazê-lo. Daí, para a banalização e profanação dos conhecimentos transcendentais, é somente um pequeno passo, pois vemos a superficialidade e curiosidade com que tais ensinamentos estão sendo explorados e divulgados. Hoje em dia, todos são mestres e iluminados e também com a quantidade de livros e artigos publicados, tal como toda a informação on-line que nos confunde e baralha.
Pois bem! Onde está a fraternidade mundial, o espírito humano, ecológico e a paz?
Será que falamos de uma consciência mental adquirida através de uma conhecimento teórico ou partimos para a prática e nos sentamos.
Mas, qual a relação de tudo isso com este curso sobre Meditação?
As mudanças não existirão sem uma prática que passa pela análise e estudo da mente e o despertar do que há além dela. E nada disso é verdadeiramente possível sem a meditação.
Não existirão mudanças duradouras e reais, em termos de indivíduos e em termos de humanidade, sem a prática diária e ampliada da meditação. Pois nada mudará, se o indivíduo não mudar. E o homem, como indivíduo, não mudará em essência, se não explorar, através da meditação constante, o seu interior.
Como expressei atrás, a meditação é o ponto nevrálgico disso tudo, porque é aqui que podemos diferenciar a realidade da fantasia e da mentira, mas quando nos referimos à meditação, que exige esforço, tenacidade, autodomínio e paciência, são raras as pessoas que vencem suas debilidades e se submetem a uma auto-disciplina essencial neste trabalho.
Deixo aqui algumas questões:
Pode existe esoterismo e transformação sem o auto-estudo sistemático e duradouro pela meditação?.
Como é que o homem deixará de ser o que é hoje, enquanto não descobrir o que o seu inconsciente lhe reserva? ,
Como conseguimos alterar o sofrimento e a dor, o ódio, a cobiça e o egoísmo, que estão disfarçados com a roupagem filantrópica?
É por isto, que a meditação nos poderá elevar acima da razão, a ponto de nos conectar com o nosso ser interior e com a própria divindade.
Para encerrarmos esta Introdução, sinceramente, chamamos a atenção sobre a seriedade do assunto e a honestidade como o vamos abordar.
Se compreende a importância da meditação para o seu crescimento pessoal, e tomou a decisão de iniciá-la, então isto é para si, esta viagem só poderá iniciar-se quando o passageiro tem ânimo, vontade e está pronto para efetuar a viagem. Este tónico é importante no início para que haja a superação de si mesmo, mas chegará o dia em que a meditação não será mais um sacrifício, mas sim um alimento sem o qual tudo o que existe dentro de nós, não poderá sobreviver, poderá sentir o sopro divino e a energia a circular no seu corpo, e tudo isso lhe dará forças para continuar a sua prática, por mais árdua que possa ser.
Sua energia, sua luz, sua felicidade e seu amor serão fontes de vida para todos os que o rodeiam.
Espero que depois de terminar este curso de meditação, sinta uma sensação renovada de admiração por esta antiga e importante prática para o ser humano.
Se há uma coisa que eu gostaria que tirasse deste curso, que não ficasse com a ideia de que a meditação tem qualquer conecção religiosa, mas sim que se destina a qualquer ser humano. Ela tem sido praticada e transmitida durante séculos, e não devemos subestimar o quão importante é, até mesmo quando só temos um envolvimento curto e simples na prática da meditação, especialmente nos dias de hoje com a nossa vida agitada e com o stress.

Para quem se destina este curso:
Curiosos sobre meditação
Entusiastas a respeito do autoconhecimento
Pessoas que pretendem mudar de vida
Praticantes intermediários de Meditação
Praticantes iniciantes de Meditação
Quem quer aprender a meditar
Quem quer aprender a colher os benefícios da meditação
documentos do curso:
cada aluno terá um dossier do curso
acesso a documentos e textos importantes na meditação

Horário
Sábado dia 22 de Março de 2025
inicia pelas 9,00h termina pelas 18,30h
Domingo dia 23 de Março de 2025
inicia pelas 9,00h termina pelas 18,30h
Sábado dia 22 de Março
Recepção 9,00h
História da meditação
Introdução á meditação
Intervalo
Meditação e saúde
O sentar
A plena atenção
Anapana
Prática
Almoço
Anapana
Leitura de textos
Intervalo
Prática
Conversa com o professor
Fim do dia 18,30


Domingo dia 23 de Março
inicia pelas 9,00h
Tikapatthana sutta
Meditação Anapana
Introdução ao Vipassana
Intervalo
leitura de textos
Vipassana
Conversa com o Professor
Almoço
Leitura de textos
Vipassana
Intervalo
Metta
Conversa com o professor
Fim do dia
 
valor do curso 120€
Se fizer a sua inscrição e pagamento até 08/03 o valor é100€
 
Local
Instituto de Medicina Ayurveda
Rua dos Carregais 671,
Gondomar
 
informações e reservas
ayurveda.gdm@gmail.com
telm 966 058 320
 
Se pretender saber mais sobre os benefícios da meditação  consulte o video 
https://youtu.be/FAnwi2Rf3d8

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

MahaShivaratri 2025

 

Instituto de Medicina Ayurveda

 

MahaShivaratri Vrata 2025

 

Este ano de 2025 e hoje dia 26 de fevereiro no 14º dia a partir da Lua Cheia do mês hindu de Māgha comemora-se o MahāShivarātri, a grande noite de Shiva. Todos os 14º dias da metade escura de cada mês, kṛṣṇa caturdaśī, é designado por ‘Sivarātri’ ou ‘MāhaShivarātri’. Mas este que ocorre no mês de Māgha (Fevereiro-Março) é designado como ‘MahāShivarātri’, pois é o maior de todos. Este é o maior festival dedicado a Shiva,

De todos as principais datas festivas, o MahāShivarātri é o único em que a parte da austeridade, tal como é significada pela própria palavra 'vrata', é predominante. Praticamente não há festividade, folia ou alegria na sua observância. Tudo é uma solenidade contínua. Isto é natural, uma vez que Shiva é o deus dos ascetas, a própria encarnação de vairāgya ou renúncia.

 

Sobre a origem do MahāShivarātri, existem vários mitos. Aqui vos deixo quatro mitos ou histórias que são geralmente descritas.  

Primeiro Mito

Quando Brahmā (o deus de quatro faces da criação) e Viṣhṇu disputavam a grandeza um do outro para estabelecer a sua própria supremacia, uma enorme liṅgam ou pilar de fogo apareceu subitamente entre eles e uma voz do vazio declarou que aquele que encontrasse as extremidades desta liṅgam seria considerado o maior. Nenhum deles foi bem sucedido, e por isso, foram obrigados a aceitar a grandeza de Shiva, que se manifestou como aquele pilar de luz. Esta foi a origem de Shivaliṅga e MahāShivarātri.

Segundo Mito

De acordo com o segundo mito, MahāShivarātri é o dia em que Shiva Mahā deva bebeu o veneno hālāhala que emergiu do oceano leitoso quando estava a ser agitado pelos devas e dānavas (divindades e demónios). Salvou assim os mundos da destruição.

Terceiro Mito

Um terceiro mito atribui a sua grandeza ao dia do casamento de Shiva com Pārvatī, a filha do rei da montanha Himalaia.

Quarto Mito

Um quarto mito descreve este dia em que o Senhor Shiva, cheio de alegria, iniciou uma grande dança que é desde então conhecida como Sivatāṇḍavanṛtya.

 

É comum a realização de vratas (práticas ou disciplinas) durante todo o período que antecede o MahāShivarātri, que pode e devem ser realizados por todos os seres humanos. Os vratas base a manter e realizar neste dia são:

    Ahinsā - não cometer violência

    Satya - falar a verdade

    Brahmacarya - celibato

    Dayā - compaixão

    Kṣamā - perdão

    Anasṅyatā - ausência de ciúmes

 

Práticas durante o MahāShivarātri

 

Deve-se fazer jejum ou fazer uma monodieta

    Jāgaraṇa ou manter a vigília durante a noite.

    Adoração de Shiva durante a noite

    Banhar o Shivaliṅgam

Tapas: privar-se de algo

    Fazer Japa mantra "Om namaḥ Shivāya"

    Oração pelo perdão

 

No final do vrata, a pessoa deve fazer pāraṇā ou quebra o jejum participando nas oferendas. Pode-se fazer um voto de observar este vrata durante 12, 14 ou 24 horas. No final deste período, é necessário realizar o udyāpana, um rito de conclusão que indica a conclusão do voto.

Qualquer prática que seja feita deve ser desafiadora, mas ao mesmo tempo viável de ser executada, dentro das possibilidades de cada um. É importante que não ultrapasse os limites da sua saúde física e mental, mas que traga uma sensação de comprometimento, dedicação e firmeza, além de devoção e auspiciosidade.

Para quem não conhece e sabe quem é shiva aqui deixo um pequeno resumo

No vasto universo, onde o tempo e o espaço se entrelaçam, habita Shiva, o senhor da destruição e da regeneração. Diferente das divindades comuns, Shiva não reside em palácios dourados, mas nos picos de neve do Monte Kailash, onde medita em profunda quietude. A sua pele azul, coberta de cinzas, representa o desapego ao mundo material, e em seus cabelos entrelaçados fluem como o rio Ganges, fonte de vida e purificação.

Conta-se que, no início dos tempos, quando o equilíbrio do universo foi ameaçado pelo ego das divindades e demônios, Shiva decidiu intervir. Ele desceu ao centro do cosmos e começou sua Tandava (a dança cósmica). Seus passos eram ao mesmo tempo destrutivos e criadores – cada batida com os seus pés dissolvia o antigo para dar espaço ao novo. Seu tambor (Damaru) ressoava o som primordial, originando os ritmos do universo.

Os sábios e seres celestiais observaram com reverência enquanto Shiva dançava, sua serpente enrolada ao pescoço e silvava ao compasso dos movimentos. Com um olhar sereno, lembrava a todos que a destruição não é o fim, mas o início de algo maior.

Ao final da dança, o caos tinha sido transformado em ordem. As divindades, humildes diante da sabedoria de Shiva, reconheceram que a criação e a destruição são apenas dois lados da mesma moeda. Assim, Shiva permaneceu como o eterno guardião do equilíbrio, lembrando ao mundo que tudo é passageiro – e que, no silêncio após a destruição, sempre surge uma nova criação.

Nesta nova criação no coração do universo, onde todas as energias se fundem e se dissolvem, Shiva manifesta sua natureza dual – ao mesmo tempo masculino e feminino, destruidor e criador, meditativo e dinâmico. Essa fusão suprema é representada na forma de Ardhanarishvara, onde metade de seu corpo é masculino e a outra metade é feminina, simbolizando a união de Shiva e sua consorte, Parvati.

A metade masculina de Shiva representa a consciência pura, o desapego e o princípio transformador da destruição que dá lugar ao novo. Já sua metade feminina, Parvati, simboliza a energia criativa (Shakti), o amor e a nutrição da vida. Sem a energia de Shakti, Shiva seria estático e inerte e sem a consciência de Shiva, Shakti seria caótica e não teria direção. Juntos, formam o equilíbrio perfeito entre o princípio masculino (Purusha) e o feminino (Prakriti), que rege toda a existência.

Diz-se que Parvati, desejando ser um como Shiva não apenas espiritualmente, mas fisicamente, realizou intensas práticas de austeridade até que Shiva aceitou esta união de forma definitiva, tornando-se Ardhanarishvara. Assim, ele ensina que todos os seres possuem dentro de si tanto o princípio masculino quanto o feminino – a força e a suavidade, a razão e a intuição, a ação e a contemplação.

Essa dualidade lembra-nos que o universo não pode existir sem equilíbrio. No fluxo da criatividade, na destruição e renovação, no silêncio e no movimento, Shiva e Shakti dançam eternamente, refletindo o jogo divino da existência.

 

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