Olá, a todos vou deixar aqui um desabafo
Hoje em dia fala-se muito de meditação, mas fala-se, na maioria das vezes, apenas da meditação que mais convém a cada um, a que resolve um problema imediato, a que alivia um sintoma, a que se encaixa na pressa do dia, a que mais de adapta a cada um de nós, aquela que tem o tempo ideal para mim, e com isto, pouco a pouco, vai-se perdendo o verdadeiro intuito da prática.
A meditação não foi criada para tratar partes isoladas do corpo, não é a meditação da cabeça, da barriga, da unha do pé, do cabelo ou da boca, ainda que, ironicamente, caminhemos para isso.
Essa fragmentação
mostra exatamente o quanto nos estamos a afastar da sua essência, deixando de
considerar que a meditação é, por natureza, uma prática de integração.
Ela cuida do corpo, da mente e do espírito como um todo, não as partes ou por
partes, não por sintomas, não por conveniência não percebendo que quando a
reduzimos a algo pontual, estamos a esvaziar a sua importância e o seu poder.
E o que acontece então?
Acontece o mesmo
que já acontece com tantas outras práticas naturais:
tal como o chá em que muitos só bebem quando estão doentes e aí também a
meditação começa a ser usada apenas em momentos de necessidade como se fosse um comprimido.
Perde-se o hábito.
Perde-se a continuidade.
Perde-se o verdadeiro efeito.
A meditação não é
um recurso de emergência.
É um caminho.
E como qualquer caminho, precisa de presença, de compromisso e, acima de tudo, de continuidade.
Não basta praticar
de vez em quando.
Não basta procurar quando algo está mal.
A verdadeira transformação acontece na prática diária, consistente, silenciosa, considerando como aquela que não se vê de fora, mas que muda tudo por dentro.
Talvez esteja na
altura de resgatar a essência da meditação.
Não como algo ocasional, mas como uma prática viva, constante e consciente.
Porque a meditação não trata apenas partes
de nós.
Ela transforma quem somos por inteiro.
"Om Sarvesham Swastir Bhavatu"
OM Shanti, Shanti, Shanthi

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