Silêncio Shunya
Este é um tema que quem me conhece sabe o importante que é para mim e o quanto eu falo nele, mas penso que não deveria ser só para mim pois é um tema profundamente importante nos dias de hoje pois só conseguimos mensurar a real magnitude do ruído (mental, emocional e físico) quando o experimentamos, ainda que só por um instante, o silêncio.
Shunya (ou Sunyata), muitas vezes traduzido como "o vazio" ou "o nada", não é a ausência de vida, mas sim o espaço primordial de onde toda a criação emerge e para onde tudo retorna, tomando consciência que considero o silêncio pleno como o principio do nosso potencial.
Vou procurar neste artigo definir como este conceito se desdobra através da Ayurveda, da meditação (Vipassana e Shaivismo de Caxemira), do yoga, do yoganidra e do estilo de vida contemporâneo.
1. Ayurveda: O Espaço (Akasha) como Cura
Na Ayurveda (a ciência mãe), o universo e o corpo humano são compostos por cinco grandes elementos (Mahabhutas). O primeiro e mais subtil deles é Akasha (o Espaço ou Éter).
- O Princípio do Silêncio:
Não pode existir movimento sem espaço para que ele aconteça, considerando que o silêncio é a manifestação de Akasha na mente (explico a seguir porque é que o Akasha é importante para a mente).
- O Ruído como Doença:
O excesso de estímulos, pensamentos acelerados, a midea e os audiovinossais saturam o elemento Espaço, agravando drasticamente o Vata Dosha (ar e éter em movimento desordenado), gerando com isto ansiedade, insónia e esgotamento.
- O Tratamento por Shunya:
Na Ayurveda, o silêncio não é apenas um conceito espiritual, é um remédio clínico. As pausas de silêncio (Mauna), o recolhimento e a redução de estímulos quer digestivos ou sensoriais são terapias fundamentais para restaurar o equilíbrio dos doshas e permitir que o fogo digestivo (Agni) limpe as toxinas (Ama) quer físicas, quer mentais.
Nota : Para compreendermos a importância de Akasha (o Espaço ou Éter) para a mente, precisamos de olhar para a psicologia ayurvédica e yogui, onde a mente não é algo abstrato, mas sim uma estrutura que partilha das mesmas leis do universo.
Akasha é o mais subtil dos cinco grandes elementos (Mahabhutas). Ele não tem forma, peso ou cor, ele é o vazio que permite que tudo o resto exista. Sem espaço, os outros quatro elementos (Ar, Fogo, Água e Terra) não teriam onde se mover, manifestar ou transformar.
Na mente, Akasha desempenha um papel absolutamente vital pelas seguintes razões:
A. O Recipiente dos Pensamentos e das Emoções
A nossa mente não é feita de pensamentos, a nossa mente é o espaço onde os pensamentos acontecem.
- Se a mente estiver cheia de "ruído" (preocupações, estímulos, memórias, traumas), significa que o elemento Akasha foi sufocado.
- Quando Akasha está saudável e amplo na mente, há um espaço de manobra. Um pensamento negativo pode surgir, mas como há espaço suficiente, ele não o esmaga, ele flutua e se dissolve. Sem Akasha, a mente torna-se claustrofóbica, gerando ansiedade e a sensação de "asfixia mental".
B. A Base da Sanidade e da Discriminação (Buddhi)
Para tomarmos boas decisões na vida, precisamos de distanciamento. No Yoga, esse distanciamento chama-se Vairagya (desapego).
- Akasha cria a distância necessária entre o estímulo e a resposta.
- Quando alguém o insulta ou quando surge um problema grave, se houver Akasha (espaço) na nossa mente, conseguimos observar o evento antes de reagir. Se não houver espaço, a reação é imediata, instintiva e, muitas vezes, destrutiva. O intelecto superior (Buddhi) só funciona quando há espaço para analisar.
C. O Elemento de Transição: A Porta para o Silêncio (Shunya)
Na perspetiva dos doshas na Ayurveda, Akasha está intimamente ligado ao Vata (que é composto por Espaço e Ar).
- O Ar representa o movimento do pensamento (o vento que agita a mente).
- O Espaço (Akasha) é o silêncio que testemunha esse vento.
Quando aprendemos a sintonizar a mente com Akasha em vez de a sintonizarmos com o Ar (os pensamentos), começamos a experimentar o verdadeiro silêncio. Akasha é a manifestação física e mental mais próxima da nossa Consciência Pura. é a "matéria" de que é feito o silêncio Shunya.
O que acontece quando falta Akasha na mente?
Quando o nosso estilo de vida ocidental satura a mente com informação constante, nós "comprimimos" Akasha, e aí os sintomas desta falta de espaço são claros:
- Saturação Cognitiva: Sensação de que a cabeça vai "explodir".
- Rigidez Mental: Incapacidade de aceitar novas ideias ou perspetivas (falta de espaço para o novo).
- Ansiedade Aguda: O Vata sai do controlo porque o movimento (Ar) não tem um espaço amplo e seguro (Éter) para circular, tornando-se um turbilhão completo quer mental quer físico.
Como cultivar Akasha na mente?
Como vou falar neste artigo as ferramentas importantes para aumentar Akasha na mente são nem mais nem menos métodos muito diretos:
- O Yoga Nidra e Chidakasha: Quando se foca a atenção no espaço escuro atrás dos olhos, ou mesmo num espaço especifico do corpo está-se a expandir deliberadamente o elemento Akasha na mente.
- Mauna (Silêncio): Parar de falar e de ouvir, pois recolhendo os sentidos abrimos o nosso espaço vazio e ao mesmo tempo o nosso campo mental.
- Meditação do espaço entre (Shaivismo de Caxemira): Ao focar no intervalo entre os pensamentos ou entre as respirações, está a habitar diretamente o elemento Akasha.
Akasha é importante para a mente porque ele é a própria saúde da mente. Sem espaço, a mente adoece por compressão, e com espaço, a mente cura-se por expansão.
2. Meditação: Duas Abordagens para o Mesmo Vazio
O silêncio Shunya pode ser acedido por diferentes caminhos. O Vipassana e o Tantra não-dualista oferecem perspetivas fascinantes e complementares.
O vipassana como uma via da purificação pela observação
No Vipassana (tradição Theravada/Budista), o silêncio é o laboratório, considerando que é através do voto de silêncio rigoroso (Mauna), que se retira o combustível do ruído externo para que o ruído interno venha à superfície e seja purificado.
- Como funciona:
Ao observar a impermanência (Anicca) das sensações corporais e dos pensamentos sem reagir a eles, a mente começa a aquietar-se.
- O Encontro com Shunya:
Quando a reatividade cessa, o ruído mental dissolve-se, e o praticante experimenta o vazio do "eu" (Anatta), descobrindo que os pensamentos são apenas nuvens passageiras num céu que é, por natureza, silencioso e vasto.
Tantra e o Shaivismo de Caxemira: O Silêncio como a Própria Consciência
Para os Shaivistas de Caxemira (uma joia do Tantra não-dual), Shunya ganha uma abordagem diferente, em que o silêncio não é a ausência de ruído, o silêncio é a própria consciência cósmica (Shiva) que abraça e permeia o ruído (Shakti).
- O Vijnana Bhairava Tantra:
Este texto clássico com 112 Dharanas (métodos ou instruções de meditação) oferece dezenas de meditações baseadas no espaço e no vazio. Uma das práticas num dos Slokas mais célebres convida a focar no espaço vazio e silencioso entre a inspiração e a expiração, ou no espaço entre dois pensamentos.
- A Abordagem Tântrica: Ao contrário de isolar-se do mundo, o Shaivismo de Caxemira ensina que podemos encontrar o silêncio absoluto no meio do barulho do mercado. O ruído do mundo é visto como a vibração (Spanda) do próprio silêncio divino. Não precisamos de fugir do ruído, precisamos apenas de reconhecer o espaço onde ele acontece.
É importante que o conceito de Shunya não fique apenas na teoria filosófica, precisamos das ferramentas psicofísicas que o Yoga e o Tantra oferecem. Como disse o Shaivismo de Caxemira, em particular, é uma tradição eminentemente prática, longe de qualquer simplificação moralista ou rudimentar.
- Práticas Avançadas do Shaivismo de Caxemira
Para elevar a abordagem tântrica além do rudimentar, ao recorrer ao Vijnana Bhairava Tantra (VBT), um manual prático com 112 dharanas (métodos de foco). O Shaivismo de Caxemira utiliza o corpo, os sentidos e a imaginação desperta como portais para a Consciência Não-Dual (Bhairava).
Aqui deixo três práticas rigorosas e profundas extraídas diretamente desta tradição para aceder a Shunya:
A. Dharana do espaço interno e externo (meditação nos canais)
"O praticante deve fixar a sua mente no espaço vazio do canal central (Sushumna Nadi)... e assim a energia dissolve-se no vazio." (VBT, Verso 32)
- A Prática: Sente-se em postura meditativa. Visualize o interior do seu corpo desde a base da coluna até ao topo da cabeça como um tubo completamente vazio, um espaço escuro e silencioso. De seguida, visualize o espaço exterior à sua volta como igualmente vazio. Gradualmente, contemple que a barreira da pele desaparece. O vazio interior e o vazio exterior fundem-se num único espaço infinito.
B. Prática do Intervalo (Sandhi)
"Foca-te no ponto onde a inspiração termina e a expiração ainda não começou... através desse espaço, Bhairava (o Silêncio Supremo) manifesta-se." (VBT, Verso 24)
- A Prática: Ao respirar, não se foque no ato de inspirar ou expirar, mas sim nos dois pontos de viragem, naquele milésimo de segundo após a inspiração máxima (pleno) e o milésimo de segundo após a expiração máxima (vazio). Detenha a atenção graciosamente nesse "espaço entre". Esse momento é o portal para o Shaivismo de Caxemira, é onde o tempo para e Shunya emerge.
C. A Dissolução do Som (Anahata Nada)
"Ao tapar os canais sensoriais, escuta o som sem impacto (o som interno)... estabilizando a mente aí, alcança-se o espaço do Absoluto." (VBT, Verso 36)
- A Prática (Shanmukhi Mudra): Com os polegares, tape os ouvidos, com os indicadores, os olhos, com os médios, as narinas, e com os anelares e mindinhos, a boca. Isole-se do mundo exterior. Comece a escutar o som interno do próprio sistema nervoso (um zumbido subtil, como o som de uma concha marinha). Siga esse som de forma cada vez mais profunda. Eventualmente, o próprio som interno cessa, revelando o Anahata, o silêncio primordial que sustenta a existência.
Estas ferramentas práticas mudam o nosso paradigma, em que o silêncio deixa de ser um "objetivo a alcançar" e passa a ser a matriz subjacente à qual regressamos.
3. O Yoga como Tecnologia de Dissolução (Laya)
No Hatha Yoga e no Raja Yoga, o silêncio não é o ponto de partida, é o resultado de uma engenharia precisa sobre o corpo e a energia.
- Asana (A Quietude do Corpo):
O corpo físico é uma fonte constante de ruído (dores, desconforto, agitações). Os asanas purificam o sistema nervoso, e quando o corpo atinge o estado que Patanjali descreveu como Sthira Sukham (firme e confortável), ele "desaparece" da perceção da mente. Esse silêncio somático é o primeiro passo para Shunya.
- Pranayama e Kumbhaka (O Vazio na Respiração):
Existe uma ligação direta entre o fluxo da respiração (Prana) e o fluxo dos pensamentos (Chitta), e quando a respiração abranda, a mente aquieta-se.
- Kumbhaka (Retenção):
O silêncio supremo manifesta-se no Bahya Kumbhaka (a retenção com os pulmões vazios). Ao esvaziar o ar e suster a respiração, cria-se um hiato mecânico e energético onde os pensamentos param. É a experiência física do vazio primordial.
4. O YogaNidra é, sem dúvida, a peça importante para coroar esta arquitetura do silêncio e vai funcionar como uma ponte perfeita entre o esforço ativo das práticas e o abandono absoluto em Shunya.
No YogaNidra muitas vezes traduzido como o sono yogui ou sono profundo não estamos a tentar acalmar a mente através da força de vontade, em vez disso, entramos num estado de depravação sensorial consciente, navegando algures entre a vigília e o sono profundo. É o estado de ondas cerebrais Delta e Theta, onde o ego adormece, mas a consciência permanece totalmente desperta.
Eis como o YogaNidra nos liga a Shunya de forma única:
A. O desmame dos sentidos (Pratyahara)
O ruído do mundo entra pelos nossos cinco sentidos e no início do Yoga Nidra, somos convidados a rodar a consciência pelas diferentes partes do corpo, pelos pontos de contacto com o chão e pela respiração. Ao darmos à mente uma tarefa altamente focada e subtil, os sentidos começam a recolher-se (Pratyahara). É como fechar as janelas de uma casa, em que o barulho da rua (o mundo exterior) deixa de entrar, e começamos a habitar o silêncio do espaço interior.
B. O Encontro com Chidakasha (O Espaço da Consciência)
Uma das fases mais profundas do Yoga Nidra é a contemplação de Chidakasha sendo como uma tela escura que vemos por trás das pálpebras fechadas, o espaço da mente/consciência.
- Nesta etapa, o praticante é instruído a simplesmente observar esse espaço vazio e escuro.
- Se os pensamentos continuarem, ou imagens, ou memórias, eles são vistos como meras projeções nessa tela.
- Eventualmente, as projeções cessam, e o que sobra é apenas a tela vazia. Isto é o vislumbre direto de Shunya, em que cada um deixa de se identificar com o conteúdo da mente (o ruído) e passa a identificar-se com o espaço onde a mente existe (o silêncio).
C. A Dissolução no Todo (A Perspetiva Tântrica)
O Yoga Nidra, na nossa origem moderna sistematizada por Swami Satyananda Saraswati, tem profundas raízes nos tantras herdados, inclusive, das visões não-duais.
Quando o corpo está completamente paralisado pelo relaxamento profundo e a mente analítica desliga, o sentido da separação do "eu" rígido que sofre com o ruído começa a dissolver-se. Entramos num estado de vacuidade que não é anestesia, mas sim uma lucidez expandida, esta é a experiência tântrica pura quando nos esvaziamos de nós mesmos (Shunya), damo-nos conta de que somos o Todo.
5. Mantras: O Ruído Sagrado que Devora o Barulho Mental
Pode parecer paradoxal usar o som para alcançar o silêncio, mas o Mantra Yoga funciona por saturação e sintonização. A mente comum é um ruído caótico e fragmentado (Anahata vs Ahata), e o mantra introduz uma frequência única, pura e repetitiva que sintoniza todas as outras.
- A transição para o Silêncio: O japa (repetição do mantra) move-se em quatro níveis:
- Vaikhari: Em voz alta (ruído exterior curativo).
- Madhyama: Sussurrado (nível intermédio).
- Pashyanti: Mental (o som ressoa na mente).
- Para: O som transcendental, que já não é emitido, mas sim escutado, e aqui o mantra dissolve-se na nossa origem, no silêncio de Shunya.
- Bija Mantras: Sons sementes como o OM (AUM) ou SHREEM não têm significado intelectual, são ressonâncias puras. O eco que fica depois de entoar o OM é o verdadeiro silêncio meditativo.
6. Estilo de Vida: Como Integrar Shunya no Dia a Dia?
Olhando para a forma como vivemos hoje, a nossa preocupação é extremamente legítima, pois fomos educados para temer o vazio. Se temos cinco minutos livres, pegamos no telemóvel, se a casa está silenciosa, ligamos a televisão ou a música, o que podemos considerar que temos fobia de Shunya.
Mudar o estilo de vida à luz destas tradições não exige que vá viver para uma caverna nos Himalaias, mas sim que crie "âncoras de vacuidade" na nossa rotina:
- Pratique o Jejum Sensorial (Pratyahara): Reserve os primeiros 30 minutos do seu dia e os últimos 30 minutos sem qualquer ecrã ou input de informação e deixe a mente digerir o seu dia em silêncio.
- O Espaço Entre as Tarefas: Aplique a visão tântrica e entre uma reunião e outra, ou ao desligar o computador e iniciar o jantar, faça uma pausa de 3 respirações conscientes, de modo que habite o "vazio" de transição entre as ações.
- Contemple a Natureza: A natureza é o melhor exemplo de Akasha em harmonia e ao olhar para o céu estrelado ou para o horizonte do mar expande o espaço interno e acalma o ruído mental instantaneamente.
O ruído só nos perturba quando nos identificamos com ele, se nos posicionarmos como o "Espaço" (Shunya) onde o ruído acontece, passamos a ser o observador silencioso. O barulho do mundo continua lá fora, mas dentro de nós habita uma paz inabalável.
7. Shunya Mudra: Não poderia terminar de falar de Shunya sem incluir o Shunya Mudra (também conhecido como o mudra do vazio ou mudra do céu). Esta é a ferramenta anatómica e energética mais direta para controlar o ruído através do corpo.
Na ciência dos mudras (gestos reflexológicos das mãos), cada dedo representa um dos cinco grandes elementos. O dedo médio representa Akasha (o Espaço/Éter) e o polegar representa Agni (o Fogo).
Como se realiza o Shunya Mudra?
Ao contrário de outros mudras onde apenas tocamos as pontas dos dedos, o Shunya Mudra exige uma compressão:
- Dobre o dedo médio até que a ponta toque na base do polegar (no monte de Vénus).
- Pressione suavemente o polegar por cima da segunda falange do dedo médio dobrado.
- Mantenha os outros três dedos estendidos e relaxados.
O mecanismo clínico e psíquico (ayurveda e mente)
O Shunya Mudra é uma das ferramentas mais cirúrgicas da Ayurveda para pacificar o Vata e o ruído mental devido à forma como manipula os elementos:
A. A Redução do Excesso de Vazio
Pode parecer paradoxal, mas o Shunya Mudra serve para reduzir o elemento Espaço quando este está em excesso ou está desregulado. Quando a mente está cheia de ruído, ansiedade e pensamentos caóticos, significa que o Espaço e o Ar (Vata) saíram do controlo e há demasiado "vazio desordenado". Ao pressionar o dedo de Akasha (Espaço) com o polegar (Fogo), nós dominamos e "esvaziamos o vazio" doente, dando lugar ao silêncio fértil e focado.
B. O Alívio Físico do Ruído: Audição e Equilíbrio
Na Ayurveda, o elemento Akasha governa o sentido da audição e o ouvido (onde se situa o centro do equilíbrio e da perceção espacial).
- Clinicamente, o Shunya Mudra é o tratamento yogui número um para problemas como tinnitus (zumbido no ouvido), vertigens, tonturas e dores de ouvido.
- O zumbido no ouvido físico é o equivalente exato ao ruído mental, e ao acalmar o elemento espaço no ouvido, acalma-se simultaneamente a capacidade da a mente gerar o "ruído estático" em forma de pensamentos obsessivos.
C. O Ancoramento para a Meditação
Ao manter este mudra durante o seu YogaNidra ou práticas de Vipassana, ele funciona como um para-raios biológico. O Fogo do polegar consome a dispersão do Espaço, criando estabilidade emocional. A mente liberta-se dos apegos e do falatório interno, permitindo que a consciência repouse no verdadeiro significado de Shunya a paz absoluta do nada.
Se juntar tudo o que abordei, tem agora um mapa completo e uma prática para navegar desde o ruído até ao silêncio:
1. O Ayurveda dá-nos a base biológica e o estilo de vida, acalmando o Vata para que o corpo não agite a mente.
2. O yoga com os asanas e os pranayama (Yoga) limpam o nosso veículo e preparam o corpo físico e estabilizam o nosso fluxo energético.
3. Os mantras direcionam o foco, e sintonizam a mente numa frequência única, eliminando o falatório interno, e ao mesmo tempo purifica o ruído mental restante através da ressonância.
4. O YogaNidra conduz o nosso sistema ao relaxamento absoluto, abrindo o portal para o espaço escuro e silencioso de Chidakasha, por isso dizemos que o YogaNidra é, no fundo, o descanso supremo em Shunya.
5. O Vipassana permite-nos estabilizar e reconhecer esse silêncio (Shunya) como a nossa verdadeira identidade, seja no tapete de prática ou no meio do caos do dia a dia.
6. O Shaivismo de Caxemira permite-nos ter consciência da distância entre o observador e o observado, revelando o que nós somos, a nossa essência, esse espaço vazio e silencioso.
7. O estilo de vida ayurvédico reduz as toxinas e acalma o sistema nervoso.
8. Ao praticar o Shunya Mudra sozinho ou acompanhado de outra prática vai controla o elemento Espaço nas mãos e ao mesmo tempo vai selar a energia
A combinação de gestos físicos (mudras), de uma nova atitude mental (tantra) e ao mesmo tempo de um recolhimento (nidra) vai cria uma barreira impenetrável contra o ruído do mundo moderno.
Que desfrutem de todo este conhecimento e destas curiosidades importantes da meditação e da Medicina Ayurvédica.
"Bhavatu Sabba Mangalam"
Shanti, Shanti, Shanti
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