terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Restauro de uma peça de mobiliário

 


Aqui vos deixo a minha experiência de restauro 

uma peça que estava na quinta que resolvi retaurar 


que acham? 

A peça inicial 

Instituto de Medicina Ayurvédica
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Em processo de transdformação


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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Amāvasyā (Lua Nova) na Perspetiva Ayurvédica

Instituto de medicina Ayurvédica

Amāvasyā (Lua Nova) na Perspetiva Ayurvédica
Na tradição védica, Amāvasyā corresponde à Lua Nova, sendo considerado o momento em que a Lua não é visível no céu. Do ponto de vista ayurvédico e espiritual, este é um tempo e um período de recolhimento profundo, de dissolução e de uma potencial regeneração. A ausência da luz lunar simboliza um retorno ao vazio fértil, ao estado primordial onde tudo repousa antes de renascer.
Segundo a medicina Ayurvedica, os ciclos lunares influenciam diretamente os doshas, a mente (manas) e os fluidos corporais. Durante Amāvasyā, observa-se uma tendência natural para o agravamento de Vata, devido à qualidade de vazio, do silêncio e subtilidade e de uma redução da força digestiva (agni). Por esta razão, este não é um período indicado para excessos físicos, emocionais ou alimentares, mas sim para uma pausa consciente e para a introspeção.
Espiritualmente, Amāvasyā é considerada um portal de dissolução do ego, de limpeza kármica e de contacto com os nossos planos subtis, estando tradicionalmente associada à honra dos ancestrais, à libertação dos nossos padrões antigos e à purificação da nossa mente. A energia deste dia favorece práticas silenciosas, de oração interior, de meditação e de contemplação.
Na visão ayurvédica, quando a mente se aquieta, o prana reorganiza-se de forma mais harmoniosa, permitindo que os processos naturais de cura ocorram. Amāvasyā convida-nos a encontrar os nossos pontos de paragem, a escutar o nosso corpo, a respeitar os nossos limites e a confiar no ritmo cíclico da vida, lembrando-nos que o descanso é tão essencial quanto a ação.
Uma das práticas importantes e que devemos fazer neste período de Amāvasyā é o YogaNidra, pois do ponto de vista ayurvédico, Amāvasyā corresponde a um período de baixa vitalidade prânica e de maior sensibilidade do sistema nervoso, e o Yoga Nidra atua diretamente no sistema nervoso parassimpático, promovendo descanso profundo sem perda de consciência.
Como vimos atrás durante a Lua Nova, Vata tende a agravar-se, aumentando a sua inquietação mental, as insónias e a dispersão e por contraponto o Yoga Nidra vai acalmar Vata, estabilizando o fluxo de prana, e facilitar o acesso consciente ao inconsciente, onde os padrões antigos podem ser observados e dissolvidos.
Amāvasyā é o momento ideal para o Sankalpa (intenção), pois a mente está mais recetiva. No Yoga Nidra, o Sankalpa é plantado num estado de consciência liminar, onde a intenção atua como uma semente colocada no campo fértil do vazio. Neste contexto, o Sankalpa não deve ser expansivo ou material, mas simples e essencial, considerando por exemplo como se estivesse a habitar o seu silêncio com confiança, e ao mesmo tempo libertando-se do que já cumpriu e das amarras do passado.
Enquanto que a meditação sentada pode ser desafiante para algumas pessoas quando estamos em Amāvasyā, o YogaNidra permite-nos uma entrega e aceitação sem esforço, uma regeneração profunda e uma integração emocional e energética.
É, por isso, uma prática altamente recomendada para todos aqueles que se propõem e estão em processos de transição ou de purificação, aos que querem aliviar o seu processo de stress e ansiedade, aos que se querem libertar das insónias, e muito em especial para terapeutas, professores de yoga e todas aquelas atividades ligadas à espiritualidade.

Mantras Indicados para Amāvasyā
Em Amāvasyā, a energia que devemos induzir é introspetiva, subtil e silenciosa. Por isso, os mantras mais adequados são aqueles que acalmam a mente, os que promovem a dissolução de padrões e fortalecem a ligação com o nosso Eu interior (Ātman), em vez de mantras expansivos ou muito dinâmicos.
1. OM ()
OM é o som primordial e representa o campo do não-manifesto, em profunda ressonância com Amāvasyā. A sua vibração harmoniza os doshas, estabiliza Vata e aquieta o fluxo mental.
Deve entoar o OM lentamente, com expiração longa, sentindo a vibração no peito e no crânio. Pode ser repetido 9, 27, 54 ou 108 vezes.
2. So’ham (सोऽहम्)
Significa: “Eu sou Isso”
Este mantra está diretamente conectado com a respiração natural e à dissolução da identidade limitada. Em Amāvasyā, favorece-se a auto-observação sem julgamento e o reconhecimento da consciência pura.
Deve ser entoado mentalmente, sincronizando So na inspiração e Ham na expiração.
3. Om Namah Shivaya
Este mantra invoca o princípio de Shiva, símbolo da dissolução, do silêncio e da consciência pura. Amāvasyā é tradicionalmente associada a Shiva, tornando este mantra especialmente poderoso para libertação de padrões antigos e para a nossa purificação interior.
Este mantra deve ser efetuado com repetição suave, em voz baixa ou mental, com atenção no centro do coração ou entre as sobrancelhas.
4. Gayatri Mantra (versão contemplativa)
Embora seja um mantra solar, neste período de Amāvasyā o mantra deve ser utilizado de forma introspectiva em forma de japa, suscitando uma clareza interior em vez de uma expansão externa.
Este mantra deve ser recitado lentamente, uma única vez ou 3 vezes, como oração de alinhamento e discernimento.
 
 
Vou aqui propor e sugerir uma prática de Rotina Ayurvédica para Amāvasyā
Vou procurar que esta rotina seja simples e acessível, mas sempre alinhada com os princípios do Ayurveda:
1. Ao acordar, evita estímulos excessivos. Se possível, deve manter-se durante alguns minutos em silêncio consciente antes de iniciar o dia. Respira profundamente devendo observar o ritmo natural da respiração.
2. Opte por uma refeição simples, quente e fácil de digerir, como kitchari, sopas ou caldos de legumes. Evita alimentos pesados, frios ou processados, respeitando a diminuição do agni.
3. Faça uma automassagem leve com óleo morno (óleo de sésamo para Vata, coco para Pitta, mostarda ou girasol para Kapha) ajuda a estabilizar o sistema nervoso e a criar uma sensação de contenção e segurança. De seguida tome um duche rápido, mas com intensão
4. Sente-se durante pelo menos 20 minutos numa meditação simples, observação da respiração ou repetição de um mantra suave (veja os mantras descritos antes). A intenção não é “fazer”, mas sim sentir e estar.
5. Sessão de Yoga Nidra (20–40 minutos) ( ler a descrição atrás)
6. Aqui devemos escreve num papel os padrões, as emoções ou os hábitos que desejamos libertar e no final com intensão, consciência e respeito, queima o papel, simbolizando a dissolução do que já não serve.
7. Encerramento com Om Namah Shivaya em voz suave
8. A seguir evite atividades extenuantes, devendo priorizar o repouso, a leitura espiritual leve ou o contacto com a natureza.
Em suma podemos dizer que Amāvasyā, segundo o Ayurveda, não é um convite ao não-agir consciente, ao retorno ao essencial e à escuta profunda, mas sim o honrar este momento com simplicidade e presença, em que alinhamos o nosso corpo, a nossa mente e o espírito com os ritmos naturais, criando espaço para uma renovação, clareza e o nosso equilíbrio interior.
 

É por isto tudo que o Instituto de Medicina Ayurvédica faz todos os meses o Yoganidra no dia de Lua nova. Se pretender mais informações ou tiver duvidas contacta ou envie mensagem. 
"Om Sarvesham Swastir Bhavatu"
 
OM Shanti, Shanti, Shanthi

domingo, 18 de janeiro de 2026

Soma Ayurveda e YogaNidra

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Soma é um dos conceitos na medicina Ayurvédica mais profundos e subtis, e não se limita a uma substância física. Soma refere-se à força lunar, à energia de Kapha, que governa a estrutura, a coesão e a fluidez no corpo (como a água e a lubrificação), sendo a contraparte da energia solar (Surya, associada a Pitta) e do ar cósmico (Anila, associada a Vata) no microcosmo do corpo, representando a nutrição e a calma. Soma também é uma antiga bebida ritualística védica, no contexto da fisiologia ayurvédica, está ligada à energia da Lua e do Kapha, essencial para a manutenção da vida e o equilíbrio dos elementos.

 O que é Soma na perspetiva ayurvédica

Soma define a energia lunar, que representa a energia fria, a ligação à nutrição e como a Lua reflete a luz que nutre a Terra e estabiliza a nossa vida.

No nosso corpo, Soma manifesta-se como Kapha, responsável pela lubrificação das articulações, pela imunidade, pelo crescimento e pela estabilidade.

A nível cósmico assim como no universo existem Soma (Lua), Surya (Sol) e Anila (Vento), que no nosso corpo representa Kapha, Pitta e Vata, que precisam de estar em harmonia para o equilíbrio do nosso corpo a da nossa saúde.

Soma é compreendido em três níveis interligados: físico, energético e espiritual.

Soma no nível físico

No corpo, Soma manifesta-se como tudo o que:

- Nutre, hidrata, lubrifica e refrigera

Está relacionado com:

- Rasa Dhatu (o plasma e os líquidos corporais)

- Qualidade oleosa (Snigdha)

- Qualidade fria (Shīta)

- Crescimento, regeneração e reparação dos tecidos (dhatus)

Quando Soma está equilibrado:

- O nosso corpo aumenta a imunidade

- Os nossos tecidos ficam bem nutridos

- Obtemos uma sensação de estabilidade e de bem-estar

Quando em excesso:

- Aumenta a letargia

- Aumenta a retenção de líquidos

- A digestão fica mais lenta

- Aumenta o Kapha

Quando em deficiência:

- Aumenta a secura

- Existe um aumento da fadiga

- A ansiedade aumenta

- Existe uma sensação de vazio e esgotamento

Soma no nível energético e mental

Energeticamente, Soma é a força que:

- Acalma a mente

- Promove uma clareza emocional

- Sustenta a nossa estabilidade psíquica

Relaciona-se com:

- A nossa mente (Manas)

- A nossa energia vital (Ojas)

- As emoções como contentamento, compaixão e a nossa segurança interna

A Lua Cheia (Purnima) representa o auge de Soma e a Lua Nova (Amavasya) representa o seu recolhimento. 

Soma no nível espiritual e simbólico

No plano mais subtil:

- Soma é o néctar da consciência

- Está associado à imortalidade (Amrta)

- Ligado ao Sahasrara Chakra (chakra da coroa)

- Fonte de bem-aventurança (Ananda)

Nos Vedas, Soma também aparece associado a:

- Uma planta sagrada

- Uma bebida ritual

- Um deva (divindade lunar)

No Ayurveda, estas imagens apontam para o mesmo princípio que define aquilo que sustenta a vida, a consciência e a longevidade.

Soma, Agni e o equilíbrio vital

Soma só pode existir se Agni (fogo digestivo e metabólico) estiver equilibrado, se o Agni for excessivo o nosso corpo vai consumir Soma induzindo secura, irritabilidade, esgotamento, mas se o Agni estiver fraco ou Soma mal transformado vai fazer um aumento de Ama, do peso e da letargia.

A nossa saúde surge do equilíbrio dinâmico entre Agni (solar) e Soma (lunar).

 

Mas temos outra ligação que para mim é muito importante é a relação entre Soma, o sono e o Yoga Nidra, pois todos atuam e vão influenciar a relação entre nutrição, regeneração e consciência.

 

Soma e o sono (Nidrā) no Ayurveda

No Ayurveda, sono (Nidrā) é um dos três pilares da vida (Trayopastambha), juntamente com Ahara (alimentação) e Brahmacharya (uso equilibrado da nossa energia vital)

Soma atua no sono como uma força que permite o nosso relaxamento profundo, que está diretamente ligado à produção e manutenção de Ojas e que governa o nosso estado de recolhimento, de segurança e de desligamento sensorial.

  

Quando temos um sono de qualidade é o mesmo que termos um Soma bem nutrido e como vimos atrás quando Soma está equilibrado o nosso sono surge naturalmente, o nosso corpo entra em reparação e regeneração profunda e a nossa mente aquieta-se e acalma-se sem esforço.

 

Quando temos uma deficiência de Soma (o que define um excesso de Agni / Vata / Pitta), vamos ter o aumento de insónias, o nosso sono fica mais leve ou interrompido, vamos ter dificuldade em “desligar” a mente e vamos apresentar uma sensação de cansaço mesmo após dormir.

Quando temos um excesso de Soma (podemos dizer quando temos um agravamento de Kapha) vamos apresentar um sono excessivo, uma letargia ao acordar, uma sensação de peso mental e ao mesmo tempo uma sonolência diurna.


A importância do Yoganidra e Soma

YogaNidra é frequentemente descrito como“o sono consciente ou sono profundo”
e, do ponto de vista ayurvédico, pode ser entendido como uma ativação refinada de Soma.

Vou descrever um pouco da importância do Yoganidra e o que pode acontecer durante o Yoganidra em que o nosso corpo entra num estado semelhante ao nosso sono profundo, a nossa mente permanece atenta e consciente observando tudo o que se passa e o que acontece, e o nosso sistema nervoso muda do modo simpático para parassimpático e isto vai fazer com que exista um aumento da qualidade Sattvica no nosso corpo, que exista uma nutrição profunda dos nossos tecidos (dhatus) e que exista uma conservação, preservação e regeneração de Ojas. Isto quer dizer que Soma flui sem que a nossa consciência se perca.

 

Estados de consciência e Soma

Estado

Alterações segundo Ayurveda

Relação com Soma

Vigília (Jāgrat)

Atividade, Agni

Soma reduzido

Sono com sonhos (Svapna)

Emoções, mente

Soma parcial

Sono profundo (Suupti)

Reparação total

Soma máximo

Yoga Nidra

Sono consciente

Soma refinado + consciência

 

O YogaNidra permite aceder à qualidade restauradora do nosso sono profundo sem perder lucidez, e ao mesmo tempo induz imensos benefícios como o aumenta de Soma e Ojas, acalma Vata, quando é feito á noite refrigera Pitta, estabiliza Kapha sem o aumentar em excesso, melhora as insónias e a fadiga crónica e regula as emoções profundas armazenadas nos tecidos (Dhatus)


Quando fazemos o yoganidra á noite este vai intensificar o efeito lunar no nosso corpo, potencializar a nossa capacidade nutritiva e restaura e regenera Soma, sendo especialmente indicado para pessoas sensíveis à lua, para os que estão em estados de esgotamento emocional e aos que estão em processos terapêuticos e espirituais.

"Om Sarvesham Swastir Bhavatu"

OM Shanti, Shanti, Shanthi

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Prana, Nadis e a saúde nos nossos dias

Instituto de Medicina Ayurvédica

 

O Fluxo da Vida: Prana, Nadis e a saúde nos nossos dias

Este é um tema extremamente relevante nos dias de hoje, onde o ritmo de vida moderno parece desenhado quase especificamente para obstruir a nossa energia vital, pois vivemos submersos num mar de estímulos constantes, pressões digitais e ritmos artificiais que agridem a nossa natureza biológica. Segundo a sabedoria milenar das tradições da medicina Ayurvédica, a base da nossa saúde não reside apenas no que comemos ou no exercício que fazemos, mas na qualidade da nossa energia vital (Prana) que circula através dos nossos canais energéticos (Nadis).

Os Nadis funcionam como uma rede invisível de autoestradas e quando estas vias estão limpas, o Prana flui livremente, nutrindo cada célula, cada órgão e o sistema de funcionamento do nosso corpo, no entanto, o estilo de vida atual, marcado pelo stress crónico, pela má alimentação, pelo sedentarismo e, acima de tudo, pela desconexão da respiração que vão criar autênticos "engarrafamentos" energéticos.

Todos estes bloqueios não são apenas teóricos, pois quando a energia fica estagnada num determinado ponto por longos períodos, a nossa vitalidade física começa a diminuir. A ciência moderna começa agora a olhar para o que a medicina Ayurvédica já diz á muito tempo que o stress oxidativo e a inflamação crónica (bases das doenças degenerativas) são frequentemente o resultado final de um corpo que perdeu a sua capacidade de se autorregular e de comunicar internamente. É por isso que vamos falar e trabalhar a limpeza dos Nadis através de diversas técnicas que vamos abordar e praticar no nosso curso de “Prana e Ayurveda”, que considero como uma necessidade de sobrevivência e prevenção.

Neste curso vamos falar de desbloquear o Prana de modo a devolver ao sistema do nosso corpo uma informação de equilíbrio, e ao mesmo tempo harmonizar os canais de modo a permitir que o nosso sistema nervoso saia do estado de "luta ou fuga" e entre no estado de reparação.

Numa época de doenças complexas e degenerativas, a medicina do futuro reside em aprender a manter as nossas "autoestradas" limpas, permitindo que a inteligência da vida flua sem obstáculos, prevenindo a doença antes mesmo de ela se manifestar no corpo físico.

Com toda esta explicação e se gosta de si, espero que este texto o tenha feito entender e dar mais importância ao que vamos falar e praticar neste curso.

 https://ayurveda-gdm.blogspot.com/2026/01/curso-de-prana-e-medicina-ayurvedica.html

Podem ler e se acharem bem podem partilhar 


Espero por si  


sábado, 10 de janeiro de 2026

Workshop de massalas e especiarias

 

Instituto de Medicina Ayurvédica

MASSALAS E ESPECIARIAS | workshop


17.01.2026 | 14:00 – 19:00

Exploratório | Rua de Brito Capelo 243, 4450-073 Matosinhos

Recebi com imensa gratidão o convite que me foi feito pelo exploratório da ESAD-IDEA para conduzir este workshop de massalas e especiarias. É uma honra poder partilhar neste espaço o meu conhecimento, experiência e vivências, e contribuir de forma significativa com o maior conhecimento de como usar as especiarias e qual a sua importância nos dias de hoje. Agradeço a confiança e a sintonia que tornaram este momento possível.

No dia 17 de janeiro, o Exploratório (Rua Brito Capelo, 243, Matosinhos) recebe o workshop “Massalas e Especiarias”. Uma imersão prática e sensorial no universo das especiarias e da medicina Ayurvédica, orientada por Vítor José.

Entre aromas, sabores e saberes ancestrais, vais aprender a criar massalas personalizadas, a entender o poder das especiarias e a cozinhar com mais consciência e equilíbrio.

Informação, preço e inscrições disponíveis no link

https://store.esadidea.pt/collections/workshops-exploratorio/products/ta-workshop-de-massalas

domingo, 4 de janeiro de 2026

Curso de Prana e Medicina Ayurvédica

Instituto de Medicina Ayurvédica

Curso de Prana e a Medicina Ayurvedica
Prana: a Fonte da Energia que Sustenta o Corpo, a Mente e a Consciência
No coração de todas as tradições orientais de cura está um princípio essencial: o Prana. Mais do que “energia”, o Prana é a força vital que anima o corpo, sustenta a respiração, organiza a mente e conecta o ser humano a uma consciência mais profunda.
Esta formação intensiva é um convite a compreender, sentir e harmonizar o Prana, reconhecendo-o como a base da nossa saúde física, do nosso equilíbrio emocional e do nosso bem-estar espiritual.
Segundo a medicina Ayurvédica, quando o Prana flui livremente, o corpo encontra vitalidade, a mente encontra clareza e o coração encontra a estabilidade. Quando esse fluxo é ou está perturbado, surge o cansaço, a ansiedade, a desorganização interna e, com o tempo, a doença. Aprender a cuidar do Prana é, portanto, aprender a cuidar da nossa própria vida.
Ao longo desta formação, o Prana é abordado de uma forma prática, experiencial e consciente, integrando os princípios da medicina Ayurvédica, o poder transformador do som, da vibração e dos mantras, a consciência do pranayama e a dimensão espiritual do som como via de alinhamento interior.
O som atua diretamente sobre o Prana. A vibração sonora atravessa o corpo físico, alcança os canais energéticos (Nadis), equilibra os movimentos do Prana (Vayus) e influencia profundamente os estados mentais e emocionais. Quando aliamos o som à respiração consciente, à intenção e ao mantra, criamos um espaço poderoso de reorganização energética e expansão da consciência.
Esta formação não é apenas informativa é vivencial em que todos vão ser conduzidos a sentir o Prana no próprio corpo, a reconhecer os seus bloqueios e a aprender técnicas simples e seguras para o harmonizar, tanto para autocuidado como para aplicação em contexto terapêutico ou espiritual.
Mais do que técnicas, esta formação transmite uma atitude interior: presença, escuta, ética e respeito pelos limites do corpo e da energia. O Prana é inteligente, e quando aprendemos a escutá-lo, ele próprio conduz o processo do nosso equilíbrio.
Esta formação destina-se a todas as pessoas que desejam aprofundar a relação com a nossa própria energia vital, a integrar o som e os mantras como ferramentas de harmonização, a compreender o corpo segundo a visão ayurvédica ou enriquecer a sua prática terapêutica e espiritual com fundamentos sólidos e conscientes.
Cuidar do Prana é cuidar da vida em todas as suas dimensões.
Esta formação é um espaço para reaprender a respirar, a escutar, a vibrar em harmonia e a tomar uma consciência do nosso corpo.
Quem ministra o curso:
Vitor José naturopata e terapeuta de Medicina Ayurvédica e Chairman de Ayurveda.gdm e do Instituto de Medicina Ayurvédica
Este Curso realiza-se dia 24 de Janeiro de 2026, Sábado das 9.00 13.00 e 15 e 18.00
Valor evento : 100€
Pagamento:
Entidade. 21 312
Referencia : 503 580 158
Valor : 100€
Envie por favor comprovativo de pagamento
ficha de inscrição disponivel em:
https://ayurveda-gdm.blogspot.com

sábado, 3 de janeiro de 2026

Diferença entre alimentação Ayurvédica e alimentação Siddha

 

Instituto de Medicina Ayurvédica

Ao longo dos anos, e quem me conhece sabe que a alimentação deixou de ser apenas uma necessidade diária e passou a tornar-se uma área de estudo mais profundo, de observação e consciência na minha vida. Compreendi que aquilo que escolhemos comer influencia diretamente não apenas o corpo físico, mas também a energia, as emoções, a clareza mental e o nosso estado espiritual.

O estudar a alimentação foi, para mim, um processo contínuo de escuta do corpo, de respeito aos ciclos naturais e de entendimento das relações entre alimento, saúde e equilíbrio. Cada aprendizagem ao longo desse caminho reforçou a importância de escolhas mais conscientes, alinhadas com o bem-estar integral e com uma forma de viver mais presente, ética e harmoniosa.

Desta procura neste momento deparei-me mais profundamente com a alimentação da medicina Siddha e aqui deixo um pouco de meu estudo e das comparações feitas.

A alimentação Siddha é um sistema alimentar tradicional da medicina Siddha, uma das mais antigas tradições de saúde do sul da Índia (especialmente do Tamil Nadu), com raízes espirituais profundas e forte ligação com o Ayurveda, o Yoga e o Tantra.

Tal como na Medicina Ayurvedica ela não é apenas uma “dieta”, mas um caminho para o nosso equilíbrio físico, energético e espiritual.

Mas quais são os fundamentos da alimentação Siddha? eles não são muito diferentes dos da Medicina Ayurvédica mas aqui deixo algumas ligações.

Como ligada á natureza assim como no Ayurveda, também tem por base os 5 elementos (PanchamahaBhutas) e a sua alimentação procura equilibrar os elementos Ar, Éter, Terra, Água e Fogo no nosso corpo, em que cada alimento carrega esses elementos em proporções diferentes e atua no corpo e na mente.

Quando aos doshas ou características pessoais a medicina Siddha é regida por três forças vitais ou humores Vali, Azhal e Iyam

- Vali (Ar) – que significa movimento, sistema neuro sensor

- Azhal (Fogo) – significa o processo digestivo, metabolismo

- Iyam (Água + Terra) – significa estrutura, lubrificação e imunidade

A alimentação Siddha como a ayurvédica é individual e personalizada de modo a manter os três humores em equilíbrio.

A medicina Sidhha também como a medicina Ayurvédica considera o alimento como medicina e considera que “O alimento correto é o remédio; o remédio é apenas o alimento em outra forma.” Considerando assim que as especiarias medicinais devem ser utilizadas diariamente, que devemos dar grande importância ao fogo digestivo ou agni e para terminar devemos evitar excessos, combinações de alimentos errados e a ingestão de alimentos sem prana.

As principais características da alimentação Siddha implica a ingestão de alimentos naturais e vivos e aí podemos considerar a ingestão de alimentos integrais tradicionais, de leguminosas bem preparadas, de vegetais frescos e sazonais e de frutas maduras.

Como uso terapêutico de especiarias é muito semelhante á medicina Ayurveda, mas com uma identidade própria: Cúrcuma, Gengibre, Pimenta-preta, Cominho, Coentros, Alho (muito valorizado no Siddha) e outras.

Tal como na Medicina Ayurvédica coloca muita ênfase na preparação dos alimentos pois define que e modo de preparação é tão importante quanto o alimento e como tal devemos ter em atenção ao cozinhar que deve ser lentamente, o uso de óleos deve ser adequada e corretos (gergelim é central), os alimentos devem ter uma fermentação natural e devemos evitar alimentos aquecidos e reaquecidos.

Mas devemos considerar que a alimentação deve ser efetuada em consciência e aí devemos comer com atenção plena, respeitar os horários da ingestão dos alimentos e evitar comer quando estamos em estados emocionais alterados pois consideramos que a comida influencia diretamente a nossa mente, as emoções e a espiritualidade.

Em síntese vou colocar as principais diferenças numa tabela entre Siddha e Ayurveda que desenvolverei mais á frente

Siddha

Ayurveda

Mais alquímico e energético

Mais sistematizado

Forte uso de minerais e metais (na medicina)

Predomínio vegetal

Ênfase espiritual intensa

Ênfase terapêutica

Tradição do sul da Índia

Em toda a India

Na alimentação, as duas abordagens são muito próximas, mas o Siddha é geralmente mais austera, purificadora e disciplinada, tal como os seus objetivos a atingir através da alimentação como a longevidade, a clareza mental, o corpo forte e leve, a expansão da consciência e a preparação para práticas espirituais.

 

Outro tipo de comparação entre as duas é que os alimentos são classificados em três tipos fundamentais que na medicina Ayurvedica são designados por trigunas:

Cattuvam (Sattva) - É uma alimentação da pureza, do equilíbrio e da clareza mental. Os alimentos Cattuvam promovem leveza, vitalidade, discernimento e estabilidade emocional, sendo indicados para quem procura a saúde integral, a prática espiritual, a meditação e a harmonia interior.

Iracatam (Rajas) Em que expressa a alimentação como elemento de atividade, de movimento e de estimulação. Os alimentos Iracatam aumentam a energia, o desejo, a ação e a inquietação mental, podendo ser úteis em certos momentos da vida ativa, mas quando em excesso geram agitação, ansiedade e desequilíbrio emocional.

Tamacam (Tamas) Este tipo de alimentação vai induzir inércia, estagnação ou mesmo obscuridade mental. Os alimentos Tamacam tornam o corpo pesado e a mente confusa, favorecendo a letargia, a preguiça e a falta de discernimento. No Siddha, são os menos recomendados para quem busca saúde e evolução interior.


O equilíbrio ideal da alimentação privilegia o Cattuvam (sattvica), usa o Iracatam (rajas) com consciência e reduz ao mínimo o Tamacam (Tamas), entendendo que aquilo que nutre o corpo também molda a mente e influencia diretamente o caminho de cura e de consciência.

Vou a seguir fazer uma comparação um pouco mais profunda e prática entre a alimentação Siddha e a alimentação Ayurvédica, procurando respeitar a raiz tradicional de cada uma delas.

Descrevo inicialmente a origem e a visão de mundo

Siddha

Ayurveda

Sul da Índia (Tamil Nadu)

Em toda a Índia

Ligada aos Siddhars (mestres realizados)

Ligada aos Rishis

Caminho alquímico e espiritual

Caminho médico-terapêutico

Alimentação como parte da realização espiritual

Alimentação como base da saúde e prevenção

Siddha é considerado como mais ascético e voltado à transformação interna e a Ayurveda é mais didático, sistemático e acessível.

Quanto á relação com o corpo e os princípios energéticos

Siddha

Ayurveda

3 humores: Vali, Azhal, Iyam

3 doshas: Vata, Pitta, Kapha

Foco na transmutação do fogo interno

Foco no equilíbrio dos doshas

Digestão como processo espiritual

Digestão como processo biológico-energético

Neste caso como verificamos os princípios energéticos são equivalentes, mas a linguagem e a intenção mudam.

Na relação com todo o sistema alimentar

Siddha

Ayurveda

Alimento é remédio e sadhana

Alimento é um remédio preventivo

Dieta mais simples e restrita

Dieta mais variada e adaptável

Menos combinações

Muitas combinações possíveis

No sistema alimentar Siddha tende a reduzir estímulos e o Ayurveda tende a harmonizar estímulos.

Quanto ao uso de especiarias

Siddha

Ayurveda

Especiarias como agentes alquímicos

Especiarias como processos de cura e digestivos

Forte uso de alho, pimenta-preta, gengibre

Uso equilibrado e conforme o dosha

Foco numa purificação profunda

Foco na digestão e na assimilação

No Siddha, as especiarias são usadas numa perspetiva de uma medicina espiritual e a Ayurveda, utiliza as especiarias como um ajuste do metabólico.

Quanto ao tipo de alimentos

Siddha

Ayurveda

Alimentação mais monótona e funcional

Alimentação mais diversificada

Poucos grãos e leguminosas

Ampla variedade

Menos doces

Uso terapêutico de sabores doces

Os tipos de alimentos da Medicina Siddha procuram a leveza corporal enquanto a medicina Ayurveda procura uma nutrição corporal completa.

Quanto á preparação dos alimentos

Siddha

Ayurveda

Preparação simples, lenta e purificadora

Preparações terapêuticas variadas

Pouco reaproveitamento

Reaproveitamento consciente

Fermentações pontuais

Fermentações amplamente usadas

Ambos valorizam a preparação consciente.

Na relação com a espiritualidade

Siddha

Ayurveda

Alimentação como parte do despertar espiritual

Alimentação como suporte à prática espiritual

A dieta influencia diretamente o estado de consciência

Dieta influencia o corpo e a mente

Próxima do yogue asceta

Próxima do yogue integrado à vida

Por ultimo qual delas ou qual o sistema mais indicado para cada um de nós?

Siddha

Ayurveda

Os que procuram a espiritualidade

Para o público geral

Praticantes de yoga avançado

Pessoas em tratamento ou prevenção

Fases de purificação profunda

Vida cotidiana e terapias

Se quisermos ter uma descrição final da medicina Siddha podemos descrever que  “O comer para transcender o corpo.” Enquanto na medicina Ayurveda descreve o “Comer para viver em equilíbrio.”

Eu pessoalmente prefiro a alimentação ayurvédica pela sua abordagem mais integrativa, equilibrada e aplicável à vida cotidiana, especialmente pela valorização dos vegetais como base nutricional, terapêutica e energética. A Ayurveda reconhece os vegetais e as especiarias como fontes de prana e como elementos fundamentais para o equilíbrio dos doshas, o fortalecimento do fogo digestivo e a promoção da saúde preventiva. A sua flexibilidade permite a adaptação conforme a constituição individual, as estações do ano e os diferentes contextos de vida, tornando a alimentação não apenas como um recurso terapêutico eficaz, mas também no caminho de consciência e respeito à vida. Dessa forma, a prática alimentar ayurvédica sustenta o corpo, harmoniza a mente e apoia o desenvolvimento espiritual sem se afastar das necessidades reais do cotidiano.


Esta texto deve ser só utilizado como elemento informativo, qualquer duvida deve consultar um médico ou terapeuta Ayurvédico.

Shanti, Shanti, Shantih