
Uma situação que cada vez acontece mais na minha prática clinica com os meus pacientes e que intriga muito pois as pessoas tem medo de alterar e de corrigir algumas destas situações pois não as entendem, por isso escrevo um pouco sobre este tema para que as pessoas fiquem mais alerta com as consequências da Cascata iatrogénica.
Mas afinal o que é a cascata iatrogénica ou cascata de prescrição
A cascata iatrogénica ou cascata de prescrição ocorre quando o efeito adverso ou como se diz normalmente o efeito secundário de um medicamento é interpretado pelo nosso corpo por engano provocando um novo sintoma ou uma nova doença.
Como resultado dos sintomas ou de uma nova doença é prescrito um novo medicamento para tratar esse efeito secundário, o que pode gerar novos problemas e iniciar um ciclo vicioso de medicação.
Vou aqui explicar através de alguns exemplos como isto pode acontecer naturalmente
- Um paciente toma um medicamento bloqueador do canal de cálcio como por exemplo anlodipina para a hipertensão.
- Este medicamento causa inchaço (edema) nas pernas.
- A partir daqui o médico acha que o inchaço é um problema novo de retenção de líquidos e aí prescreve um diurético para tratar o inchaço como por exemplo o furosemida.
Com a toma durante algum tempo deste diurético que vai provocar desidratação, tonturas ou urgência urinária, levando à prescrição de mais um fármaco como oxibutinina que por sua vez vai provocar uma confusão mental e aí a cascata continua.
Outro exemplo simples é quando um paciente toma um anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) que por sua vez causa dor ou irritação no estômago e um sangramento gastrointestinal.
Com esta situação o médico vai prescrever um protetor gástrico um inibidor da bomba de protões e, muitas vezes este novo fármacos vai apresentar outras queixas derivadas do novo medicamento tomado.
Outro exemplo é quando o paciente toma um medicamento para a pressão arterial que por sua vez pode causar tonturas ou náuseas. Quando o paciente se vai queixar destas tonturas ou náuseas o médico vai iniciar uma nova doença e prescreve um segundo medicamento para combater as tonturas, o qual provoca novos efeitos adversos que exigem mais uma nova prescrição, e assim sucessivamente.
Com esta situação de uma cascata contínua de medicamentos vão existir alguns riscos e algumas consequências:
- A polifarmácia: Acumulação de vários fármacos desnecessários.
- O aumento de efeitos adversos: Maior probabilidade de interações com medicamentosas perigosas.
- A vulnerabilidade do paciente e a falta de defesas: esta que eu considero muito importante e é muito mais comum em pessoas idosas, que metabolizam os fármacos de forma diferente e tomam frequentemente vários remédios em simultâneo.
Como evitar e prevenir esta cascata contínua de medicamentos
- Rever a medicação: Questionar sempre se um novo sintoma pode ser, na verdade, um efeito secundário de um remédio que estamos a tomar.
- Desprescrição: Avaliar com o médico ou farmacêutico a possibilidade de reduzir ou suspender fármacos que já não são úteis ou que estão a causar danos.
- Acompanhamento especializado: Consultar profissionais como geriatras ou clínicos gerais atentos à polifarmácia para simplificar o seu plano terapêutico.
"Bhavatu Sabba Mangalam"
Shanti, Shanti, Shanti
Namaste
(Que todos os seres sejam felizes )
(Paz, paz, paz)
(O divino que habita em mim saúda o divino que habita em ti)
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