
A frequência respiratória a longevidade e a qualidade de vida
Antes de iniciar este artigo faço uma questão que coloco muitas vezes nas aulas sabe quantas resrações fazemos por dia? e sabe o que isto interfere no seu corpo?
A relação entre a frequência respiratória (o número de respirações que fazemos por minuto) e a longevidade/saúde é um dos pilares mais fascinantes que une a sabedoria milenar do Yoga à ciência médica e neurofisiológica moderna.
Na tradição do Hatha Yoga, existe um aforismo clássico:
"A vida de um ser humano não é medida pelo número de anos ou dias que vive, mas pelo número de respirações que realiza."
Ao desacelerar o ritmo e aumentar a duração de cada ciclo respiratório e ao mesmo tempo reduzindo as naturais 15|20 respirações por minuto para 4 a 6 respirações por minuto, iremos gerar transformações profundas na nossa saúde física, mental e energética.
1. Os benefícios fisiológicos e médicos de respirar mais devagar
Aumento do efeito Bohr e melhor oxigenação celular
Pode parecer paradoxal, mas respirar mais devagar e de forma mais profunda oxigena melhor os tecidos do que respirar rápido.
- Ao acelerarmos a respiração efetuando uma hiperventilação crónica e discreta, libertamos demasiado dióxido de carbono (CO2).
- O CO2 não é apenas um resíduo: ele é fundamental para que o oxigénio que circula no sangue seja libertado da hemoglobina e entre nas células (o chamado efeito Bohr).
- Ciclos respiratórios mais longos retêm níveis saudáveis de CO2, garantindo que os órgãos, os tecidos e o cérebro recebam efetivamente mais oxigénio.
Ativação do sistema nervoso parassimpático e variação da frequência cardíaca (VFC)
- Respirações curtas e rápidas enviam um sinal constante de emergência ao cérebro, ativando o sistema simpático ("luta ou fuga"), o que eleva o cortisol e a pressão arterial.
- Respirações longas (especialmente prolongando a expiração) estimulam o nervo vago, e com isto vai reduzir o ritmo cardíaco, baixando a pressão arterial e aumentando a variabilidade da frequência cardíaca (VFC), que é o principal marcador biológico de resiliência ao stress, à saúde cardiovascular e à longevidade.
Redução do Desgaste Metabólico
Tal como um motor qualquer que funciona a rotações muito altas se desgasta mais rapidamente, um organismo que respira 20 000 a 25 000( existem pessoas que podem atingir as 30 000) vezes por dia está em constante sobrecarga de fricção biológica. Reduzir a média diária para 8 000 a 12 000 respirações através do treino respiratório desacelera o consumo metabólico basal e o stress oxidativo.
2. A importância espiritual e energética (Prana)
Na perspetiva do Yoga e do Tantra:
- Conservação do Prana (energia vital): A respiração (Vayu) é o veículo do Prana, e quanto mais rápida e descontrolada for a respiração, mais a energia vital se dissipa e se desperdiça através dos nossos sentidos. Respirar devagar e em ciclos longos é a arte de acumular e reter o Prana dentro do nosso corpo subtil.
- Estabilidade da Mente (Chitta): A mente e a respiração são dois lados da mesma moeda. Uma respiração curta e desregulada gera pensamentos fragmentados, ansiedade e falta de foco, enquanto uma respiração longa e fluida induz instantaneamente um estado de quietude, de clareza e de presença (Sattva).
Aqui vos deixo um gráfico comparativo do impacto dos ritmos respiratórios
|
|
Respiração padrão / stressada |
Respiração longa e treinada (Pranayama) |
|
Respirações / minuto |
15 a 22 respirações |
4 a 6 respirações |
|
Total / dia |
De 20 000 a 25 000 respirações |
De 10 000 a 12 000 respirações |
|
Impacto na Saúde |
Pressão alta, ansiedade, menor tolerância ao stress e aumento das inflamações corporais. |
Calma mental, maior oxigenação celular, equilíbrio hormonal e imunológico. |
|
Estado Emocional |
Reatividade, distração e impulsividade. |
Equanimidade (Titiksha), clareza e foco interior. |
Como aplicar na rotina prática
Não é necessário tentar respirar a 4 respirações por minuto o dia todo de forma forçada. O objetivo é treinar o sistema através de práticas diárias para que a sua respiração automática de repouso se torne naturalmente mais lenta e profunda.
- A Regra 4–6: Tente inspirar durante 4 segundos e expirar durante 6 segundos durante 5 a 10 minutos por dia. O simples ato de fazer a expiração mais longa que a inspiração ativa vai diminuir o vago de imediato.
- Praticar Nadi Shodhana diariamente: Ao realizar o Nadi Shodhana com atenção, você força o corpo a habituar-se a ciclos longos e ritmados, reeducando o centro respiratório no cérebro.
Com isto vou escrever um artigo sobre o ciclo nasal que complementa este para quem quer saber mais sobre a sua respiração e o Nadi Shodhana
Que desfrutem de todo este conhecimento e destas curiosidades importantes da ciência védica, da Medicina Ayurvédica e do seu estilo de vida.
"Bhavatu Sabba Mangalam"
Shanti, Shanti, Shanti
Sem comentários:
Enviar um comentário