quarta-feira, 7 de julho de 2010

História da Ayurveda



Podemos classificar por períodos ou épocas o historial da Medicina Ayurvédica:

1 . Periodo Védico - de 4.000 a 2.000 a.C.:
- Este período refere-se ao tempo em que os mais antigos textos foram escritos, e onde está anotada toda a sabedoria, quer do passado, quer do presente, quer do futuro da Humanidade…, estes textos, são os VEDAS.
Assim, nos Vedas, estão descritas as leis que regem as energias do Universo, em sistema de verso (cânticos-mantras) a fim de mais facilmente serem memorizáveis e poderem ser transmitidos com segurança de geração em geração.
Estão divididos em 4 Vedas, que, por sua vez se subdividem:
Rig Veda
Yajur Veda
Sama Veda
Atharva Veda
No Rig Veda,
O documento mais antigo da literatura hindu, composto de hinos, rituais e oferendas às divindades. Foi escrito por volta de 1700–1100 a.C. Pela sua data fazendo dele um dos mais antigos textos de quaisquer línguas indo-européias e um dos textos religiosos mais antigos do mundo. Encontramos já os principais conceitos de Ayurveda, como seja os 3 Grandes Deuses relativos às forças cósmicas: Indra-Agni e Soma, ligadas aos três importantes humores biológicos: Vata(ar), Pitta(fogo) e Kapha(água).
Yajur Veda,
(yajus"sacrifício" + veda "sabedoria, conhecimento")
Contém textos religiosos com foco na liturgia, rituais e sacrifícios, e como executar os mesmos. O Yajurveda foi escrito durante o período Védico entre 1500 a.C. e 500 a.C.. Temos já indicações sobre saúde e longevidade. Aqui são indicados os conceitos importantes dos tecidos (dhatus) e referenciados os 5 pranas (ou “sopros” vitais no nosso corpo).
Sama Veda
(sāman "canto ritual" + veda "sabedoria , conhecimento " )
O Samaveda fica em segundo lugar na santidade e importância litúrgica depois do Rigveda ou Veda da Louvação Recitada.
O seu Sanhita (samhita), ou porção métrica, consiste principalmente de hinos a serem cantados no intuito de trazer paz, serenidade, bem estar, etc..
Atharva Veda,
(Atharvān,tipo de sacerdote, e veda que significa “sabedoria, conhecimento").
De acordo com a tradição, o Atharvaveda foi principalmente composto por dois grupos de rishis conhecidos como os Bhrigus e os Angirasas.
É o texto védico com maior referência ao Ayurveda, que é considerado um Upaveda, isto é: um ramo do próprio Atharva Veda. Aqui encontramos indicações a ervas específicas, bem como tratamentos a doenças devidamente identificadas. Dá indicações para um dia-a-dia salutar, enquanto os outros Vedas se dedicam mais a partes metafísicas.
Os outros Upavedas, ligados á Ayurveda, são:
Dhanur Veda: É a ciência da guerra e das Artes Marciais
Sthapatya Veda ( vastu Shastra) : arquitectura e geometria sagrada
Gandharva Veda: É o estudo da estética e se fala de todas as formas de arte como música, dança, poesia, escultura e erotismo.
Arthashastra: com a administração pública, governo, economia e política.
Existe uma ligação directa entre Ayurveda e ramos dos Vedas, intitulados VEDANGAS (Vedas + Angas: ramos), que são:
Jyotish – Astrologia
Kalpa – Ritual
Shiksha – Pronúncia
Vyakarana – Gramática
Nirukta – Etimologia
Chandas – Métrica
Período de Desenvolvimento: 2000 – 300 a.C.
Após o desaparecimento da civilização Saravasti, os ensinamentos foram compilados ao longo dos tempos através de vários textos, sempre com respeito nos Vedas, como nos Upanishades, e outras obras chamadas samitas (compilações).
As mais importantes são:
Charaka Samhita
Sushruta Samhit
Ashtanga Hridaya
Estes três tratados conhecidos como os BRIHATTRAYI: Grande Trio
Charaka Samhita: «Compêndio de Charaka», trata dos princípios de fisiologia e anatomia do corpo humano, bem como dos sintomas de várias doenças, como diabetes e artrites.
Sushruta Samhita: «Compêndio de Sushruta», trata da cirurgia, onde se destaca a Escola de cirurgiões de Dhanvantari.
Muitas ervas medicinais e seus efeitos são também referenciados nestes tratados de Ayurveda.
Ashtanga Hridaya: quinta-essência dos oito ramos da Ayurveda, representa uma súmula dos dois compêndios anteriores, compilando também estudos e conhecimentos de outros médicos ayurvédicos
Os Oitos Ramos da Ayurveda – Ashtanga Ayurveda
Kayachikitsa – medicina interna
Shalyatantra – cirurgia
Shalakya Tantra - oftalmologia
Kaumarabhritya – pediatria
Agadatantra – toxicologia
Bhutavidya – psicologia
Rasayana – rejuvenescimento
Vajikarana – afrodisia
Período Clássico: Budismo e Ayurveda: 300 a.C – 1000 d.C.
O Budismo afectou todas as áreas da vida na Índia, dada a sua popularidade.
Vários médicos que seguiam o budismo, aplicaram os princípios de ambas as partes, coordenando a prática budista com a Ayurveda. Um dos mais famosos foi Nagarjuna, que escreveu comentários ao Sushruta, bem como fundou as bases das preparações alquimistas, conhecidas por Rasa Shastra.
Neste período os textos mais importantes de Ayurveda foram traduzidos para árabe, que muito influenciou a medicina Unani- o sistema médico Islâmico.
Período Medieval e o Declínio: 1000 – 1750 d.C.
A invasão e ocupação de quase todo o território indiano pelos Muçulmanos que durou até ao século XVIII, teve como consequência a perseguição e destruição da cultura local, Ayurveda incluída.
Centros universitários, hospitais, mosteiros, foram vítimas de toda esta época de ocupação.
Algumas obras surgiram como o Mahava Nidana que se debruça sobre o diagnóstico das doenças. Raja Nighantu e Madanpala Nighantu, são duas obras importantes sobre ervas.
No século XVI Bhavamishra, considerado o melhor académico da época, escreve um texto importante Bhava Prakasha.
É também durante desta época que acontecem os primeiros contactos com os ocidentais, sendo os portugueses os primeiros, depois os franceses e por último os ingleses.
Período da Ocupação Inglesa: 1750 – 1950 d.C.
A ocupação colonial pelos ingleses negou o Ayurveda fechando escolas existentes, obrigando a uma certa “clandestinidade”.
Era considerada uma medicina atrasada e ligada à superstição, que foi substituída pela medicina ocidental até à independência da Índia em 1949.
Ayurveda na Actualidade
Progressivamente, após a independência, a Ayurveda retoma a sua importância.
As universidades são novamente abertas, bem como os hospitais e clínicas. Toda a sua tradicional e científica sistematização é recuperada estando de novo implantada em toda a Índia e não só.
Países ocidentais interessam-se pelo seu estudo, tendo adquirido o estatuto de medicina alternativa e complementar pela OMS (WHO).

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