sexta-feira, 19 de junho de 2026

O músculo da alma e o padmasana

Instituto de Medicina Ayurvédica

O músculo da alma

No Ocidente e na biofísica moderna designam "o músculo da alma", mas anatomicamente é designado por músculo Psoas-Ilíaco (sendo normalmente designado como psoas). No Tantra e no Hatha Yoga clássico, este grupo muscular é reconhecido como o principal guardião físico da nossa energia vital (Prana) e o eixo de sustentação para as posturas de meditação sentada, como Padmasana (a postura de lótus) e todas as outras posturas de meditação sentadas.

 

Vou então explicar ou mesmo esclarecer a ligação deste musculo da alma de uma forma biológica, emocional e até espiritual.

 

1. O Psoas: O músculo da alma e o armazém do medo

Anatomicamente, o psoas é o músculo mais profundo do núcleo do corpo humano, sendo o único músculo que liga a metade superior do corpo à metade inferior e nasce nas vértebras dorsais e lombares, atravessa a bacia e insere-se no topo do fémur (osso da coxa).

O Músculo Psoas conecta a coluna lombar diretamente ao fémur (coxa).
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- Na parte superior verifica-se como o Psoas nasce diretamente nas paredes da coluna lombar (vértebras T12 a L5). Esta é a razão pela qual um "músculo da alma" contraído pelo stress puxa a coluna, gerando as tão comuns dores lombares psicossomáticas durante a meditação.

- Ao atravessar a zona pélvica (o caldeirão emocional), verificamos como ele desce diagonalmente, atravessando o interior da bacia, abraçando a zona onde repousam os chakras inferiores (Muladhara e Svadhisthana), e quando está contraído, ele "tranca" energeticamente a bacia.

Na ligação de parte inferior (inserção) em que o músculo termina inserido no trocanter menor do fémur (o osso da coxa). Esta é a ponte mecânica perfeita entre o tronco e as pernas que permite a rotação e a abertura necessárias para posições como Padmasana.

Ao olharem para esta estrutura biomecânica real, vamos entender e perceber que o Psoas não só é considerado como o músculo da alma mas também designado como o músculo do enraizamento e quando ele relaxa, a coluna liberta-se e o fluxo energético flui sem barreiras.

O Racional (Neurofisiologia):

O psoas está diretamente ligado ao nosso cérebro reptiliano (o sistema límbico), o centro das reações mais primitivas de sobrevivência. Sempre que passamos por um momento de stress, medo, ansiedade ou trauma, a amígdala cerebral envia um sinal elétrico imediato para o psoas e ele vai-se contrair.

Isto acontece porque existe uma resposta biológica ao perigo considerando o lutar ou fugir, e o psoas é o músculo que nos encolhe em posição fetal para proteger os órgãos vitais ou que nos projeta para correr. Na nossa vida quotidiana, o stress é constante e psicológico e como tudo está sempre e constantemente a acontecer, nem corremos nem lutamos, e o resultado é que o psoas do homem moderno vive cronicamente contraído e rígido.

 

O Emocional e Espiritual:

Por acumular décadas de stress não processado, o psoas tornou-se conhecido como o "Músculo da Alma". Ele guarda os nossos samskaras (memórias e traumas) de sobrevivência, escassez e medo.

Espiritualmente, o psoas envolve a zona do Mula-adhara (chakra da raiz, ligado à segurança e enraizamento) e do Svadhisthana (chakra sacral, ligado às emoções e à água). Um psoas tenso bloqueia o fluxo de energia subtil nestes centros, gerando uma sensação constante de inquietação espiritual e desconexão com a Terra.

 

 2. A Ligação Espiritual com Padmasana (Postura de Lótus) e Outras Posições de Meditação

Quando nos sentamos para meditar em Padmasana (Lótus), Siddhasana (postura perfeita) ou Sukhasana (postura de pernas cruzadas simples), estamos a realizar uma operação de alta engenharia energética e mecânica sobre o Músculo da Alma.

Postura Meditativa

O trabalho anatómico no Psoas

O impacto energético e espiritual

Padmasana (Lótus)

Exige e cria uma rotação externa máxima das coxas, alongando e estabilizando o psoas de forma bilateral profunda.

Cria uma base geométrica perfeita (Piramide) que tranca a energia na base do corpo, impedindo o Prana de dispersar para as pernas.

Siddhasana (Perfeita)

O calcanhar pressiona o períneo, forçando o psoas a alinhar a bacia de forma neutra sem esforço lombar.

Estimula diretamente a Kundalini no Muladhara Chakra, direcionando a energia para cima através do canal central (Sushumna).

Sukhasana (Fácil)

Requer o uso de um suporte (almofada/Zafu) de modo que o psoas esteja encurtado, para evitar que a coluna se curve.

Permite um enraizamento inicial pacífico para praticantes ocidentais que ainda estão a libertar as tensões da bacia.

 

 

O Segredo de Padmasana e do Fluxo Lunar (Ida Nadi)

Para que cada um de nós consiga manter-se sentado em meditação profunda ou estabilizar a sua consciência antes e depois de uma meditação, a coluna precisa de estar ereta, mas sem esforço muscular.

- Se o Psoas estiver rígido (Encurtado), vai puxa a coluna lombar para a frente (hiperlordose) ou, para compensar, faz a bacia rodar para trás, obrigando o meditador a ficar curvado. Isto gera dor física imediata, disparando o sistema simpático e enchendo a mente de pensamentos de desconforto. A meditação torna-se impossível porque o "músculo da alma" está a gritar que está em perigo.

 - Se o Psoas estiver relaxado e alongado (Padmasana) aí a bacia encaixa perfeitamente como uma taça sagrada, fazendo com que a coluna se ergua de forma natural, os ombros relaxam e o diafragma (que está anatomicamente ligado ao psoas através dos seus ligamentos) liberta-se. Tudo isto vai permitir uma respiração abdominal profunda e subtil.

 

Espiritualmente, o relaxamento do psoas em Padmasana abre o portal de Ida Nadi (o canal lunar da recetividade) e o fluxo do subconsciente. Quando o psoas se rende na postura sentada, o medo inconsciente guardado na bacia dissolve-se. A energia que estava estagnada na base do corpo é finalmente libertada e começa a subir pela coluna vertebral em direção aos chakras superiores (Ajna e Sahasrara).

 

"A bacia humana é o caldeirão onde o Tantra alquimiza o medo em liberdade. Quando libertamos o Psoas ou o músculo da alma através de Padmasana, não estamos apenas a abrir as ancas, estamos a abrir os arquivos ocultos do nosso subconsciente, permitindo que a energia da Terra suba pela nossa coluna e se transforme em pura Iluminação."

Compreender o funcionamento do psoas dá-nos a resposta biológica do porquê de sentirmos tanta agitação mental ou desconforto físico ao tentarmos sentar-nos em meditação, pois a mente não consegue calar-se enquanto o músculo da alma estiver a reter o medo.

As práticas que nos ajudam a libertar a anca

Existe um segredo mecânico que poupa os joelhos de milhares de praticantes, melhorando a flexibilidade para fazer o padmasana (Lótus), que não vem dos joelhos, mas sim da rotação externa da articulação da anca (coxofemoral).

Quando a anca está rígida (devido ao Psoas e aos rotadores encurtados pelo stress), cada um de nós vai forçar as pernas para cruzar e o elo mais fraco neste caso é o joelho que sofre uma torção lateral para a qual não foi anatomicamente desenhado, causando lesões nos meniscos e ligamentos.

 

Para uma tomada de consciência da ligação da biomecânica ao misticismo, aqui vos deixo um mapeamento para a rotação da anca e das práticas (físicas, biológicas e espirituais) de modo a preparar o corpo para o Padmasana e ao mesmo tempo a soltar o psoas.

 

 1. A Rotação Externa da Anca: A Chave Anatómica

A articulação da anca é uma articulação esferoide (uma esfera dentro de uma cavidade). Ela foi desenhada para rodar em 360 graus.

Para que as pernas se cruzem em Lótus de forma segura, o fémur precisa de fazer uma rotação externa pura (rodar para fora) e se os músculos profundos da bacia como o Psoas, o Ilíaco e o Piriforme estiverem tensos e barricados com memórias de medo e contração (samskaras), essa rotação fica bloqueada.

Espiritualmente, libertar esta rotação significa abrir o Portal de Shakti na bacia, permitindo que o elemento Água (Apas Bhuta) flua, trazendo flexibilidade não apenas ao corpo, mas à mente.

 

2. Exercícios e Práticas Físicas (Biologia e Hatha Yoga)

Para ceder a anca, precisamos de alongar os rotadores internos e ao mesmo tempo fortalecer/alongar os rotadores externos de forma gradual.

- Bhadrasana / Baddha Konasana que é também designada como a postura da borboleta que vai libertar os adutores. Estando s1.Bhadrasana / Baddha Konasana (Postura da Borboleta):Libertação dos Adutores.sssentado, junte as plantas dos pés e aproxime os calcanhares do períneo. Segure os pés e deixe os joelhos pesarem em direção ao chão e fazendo ligeiros movimentos para cima e para baixo. Mecânicamente vai existir um alongamento dos músculos adutores (interior da coxa), permitindo que a anca comece a abrir lateralmente sem pressão nos joelhos.

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- Eka Pada Rajakapotasana também desigada como a postura do pombo ativo, onde é feito o alongamento do Piriforme e Psoas. 2.Eka Pada Rajakapotasana (Postura do Pombo Ativo):Alongamento do Piriforme e Psoas.Aqui devemos trazer um joelho para a frente, fletido no chão, enquanto estende a outra perna para trás, devendo manter a bacia quadrada. Mecânicamente existe um alongamento intenso do músculo piriforme e dos glúteos profundos da perna da frente, enquanto alonga o psoas da perna de trás. Este é considerado como um dos mais libertadores de stress emocional da bacia.

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- Agnistambhasana também designado como a postura do tronco de lenha onde é feita uma rotação externa avançada. 3.Agnistambhasana (Postura do Tronco de Lenha):Rotação Externa Avançada.Sentado, alinhe a canela direita acima da canela esquerda, como se fossem dois troncos empilhados colocando um tornozelo sobre o joelho oposto. Se for possível pode inclinar o tronco para a frente. Mecânicamente é a preparação mais direta para o posição de Lótus, pois isola a rotação externa da coxa.

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3. Práticas Energéticas e Técnicas Espirituais (Tantra e Sadhana)

O Tantra compreende que o corpo não abre apenas com força mecânica, mas sim com a circulação dirigida de consciência e da respiração, por isso vou aqui incluir algumas técnicas que podem ajudar:

- Prática de Yoni Mudra com Respiração Pélvica

 Aqui na posição de sentado devemos colocar as mãos sobre o baixo-ventre em Yoni Mudra (polegares unidos apontando para cima, indicadores unidos apontando para baixo, formando um triângulo que representa o útero cósmico e a energia criativa).Instituto de Medicina Ayurvédica

 

- A Condução Espiritual: aqui devemos inspirar direcionando o Prana mentalmente até ao fundo da bacia, visualizando que o espaço entre os ossos da anca se expande como um oceano. Ao expirar, visualiza-se a tensão crónica, o medo e a rigidez a saírem pelos ossos em direção à Terra. Isto acalma o sistema nervoso, indicando ao "músculo da alma" que se pode relaxar.

 

Meditação de Purificação do Svadhisthana Chakra

A Técnica aqui é focar a atenção no centro da bacia (ao nível do sacro), visualizando uma flor de lótus de seis pétalas de cor laranja radiante e um crescente lunar prateado no seu interior (o elemento Água).

Devemos também fazer um mantra semente (Bija Mantra), vocalizando o som VAM (o som semente da água) direcionando a vibração acústica para as articulações das ancas. Este som VAM vai atuar como uma lavagem vibracional nas Nadis da bacia dissolvendo a rigidez mental (crenças rígidas, necessidade de controlo) que se manifesta fisicamente como ancas trancadas. A água também vai trazer fluidez e com isto as ancas cedem quando a mente aceita fluir com a vida.

 

Nota importante: Nunca devemos empurrar os joelhos de modo a forçar o Padmasana. Se ainda se queixar de dor no joelho, deve desfazer a postura imediatamente, pois a dor no joelho é a prova de que a anca está trancada. Honre o tempo de Shakti no corpo de cada um. A flexibilidade espiritual é aceitar o corpo tal como ele se apresenta hoje.

Com este conhecimento podemos prepararmo-nos para nos sentarmos em meditação não através da força violenta do ego, mas sim através da inteligência anatómica e da entrega espiritual.

 

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