sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Diferença entre incensos Naturais orgânicos e os industriais

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Diferença entre os incensos naturais e orgânicos e os industriais

Muitas pessoas me têm colocado a duvida de qual o incenso a usar pois fala-se tanto da qualidade dos incensos, mas também se os incensos são prejudiciais à nossa saúde. Esta discussão sobre a qualidade dos incensos é fundamental, pois o impacto da sua queima varia drasticamente consoante a sua composição. Na tradição védica e no Ayurveda, define que a pureza dos ingredientes determina se a prática traz purificação e elevação ou toxicidade e agitação.

O uso do incenso é uma das práticas aromáticas e espirituais mais antigas da humanidade, a palavra vem do latim incendere (queimar), e o seu fumo representa a ponte entre o plano físico e o espiritual

 

A importância geral do seu uso

A importância do incenso fundamenta-se em três pilares principais

- Para purificação energética e ambiental, de modo a limpar o ar e a purifica energeticamente o ambiente, dissipando as vibrações estagnadas e negativas.

- Como ancoragem de uma intenção ou mesmo de uma ritualização, onde o ato de acender o incenso marca o fim do tempo comum de tudo o que em nós é quotidiano, e o início do nosso tempo sagrado, espiritual ou focado.

- Como ação neurobiológica que recebemos através do olfato (o único sentido com ligação direta e imediata ao sistema límbico, responsável pelas emoções e memória), em que os aromas estimulam a libertação de neurotransmissores que acalmam ou despertam o nosso cérebro.

 

Diferença entre incensos naturais/orgânicos e incensos sintéticos

-Incensos naturais e orgânicos: São feitos exclusivamente com matérias-primas puras, com resinas vegetais (como mirra, olíbano e estoraque), madeiras sagradas (sândalo, pao santo), plantas aromáticas, óleos essenciais e pós de plantas, em que a base de liga é geralmente de origem vegetal (como a casca da árvore Jigat).

-Incensos sintéticos ou comerciais: Utilizam carvão de baixa qualidade, serradura tratada quimicamente, fragrâncias sintéticas (ftalatos e derivados do petróleo) e nitrato de potássio para acelerar a combustão.

 

Benefícios e prejuízos por dimensão

1. Corpo físico

Naturais/Orgânicos:

Benefícios: Libertam fitoncidas e compostos aromáticos naturais que possuem propriedades antissépticas, expetorantes e relaxantes para o sistema respiratório.

Sintéticos/Comerciais:

Prejuízos: A queima de fragrâncias artificiais, cola e resinas sintéticas que libertam substâncias tóxicas como benzeno, formaldeído e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs).

Efeitos na saúde: Podem causar irritação brônquica, dores de cabeça, reações alérgicas, rinite e, a longo prazo, prejudicar a saúde pulmonar de forma semelhante à inalação de fumo de tabaco passivo.

2. Mente e campo emocional

Naturais/Orgânicos:

Benefícios: Os óleos essenciais e resinas naturais interagem com o sistema límbico através do olfato. O sândalo e o olíbano, por exemplo, contêm sesquiterpenos ( são hidrocarbonetos naturais formados por três unidades de isopreno) que atravessam a barreira hematoencefálica, estimulando as glândulas pineal e pituitária, induzindo calma profunda e aumentando o estado de Sattva (clareza mental).

Sintéticos/Comerciais:

Prejuízos: Os aromas químicos geram sobrecarga sensorial e toxinas subtis. Em vez de acalmar, podem desequilibrar o Vata, causando ansiedade, agitação, névoa mental e tonturas.

3. Espíritualmente e dimensão energética

Naturais/Orgânicos:

Benefícios: Preservam a força vital (Prana) das plantas. Ao serem queimados, libertam uma vibração subtil elevada, limpam a energia estagnada do espaço (Vastu) e facilitam o recolhimento dos sentidos (Uparati) durante a meditação e os rituais.

Sintéticos/Comerciais:

Prejuízos: Carecem de Prana. A sua vibração é considerada densa (Tamasica ou Rajasica), poluindo o campo subtil (Aura) e atraindo energias desarmónicas em vez de purificar o ambiente.

Como identificar um incenso verdadeiramente natural

Aparência: Têm uma textura mais irregular, cor terrosa ou baça e não são perfeitamente lisos ou pretos devido ao carvão.

Aroma: A fragrância é suave, profunda e evolui no ar, em vez de ser um cheiro químico intenso e adocicado antes mesmo de ser aceso.

Fumo: O fumo de um incenso natural é subtil e levemente esbranquiçado ou azulado; o de um sintético costuma ser denso e escuro.

 

O uso do incenso nas diferentes religiões

 Em praticamente todas as grandes tradições espirituais, a queima de matérias aromáticos cumpre uma função de purificação, oferenda e elevação das preces:

No Hinduismo o incenso designado por agarbatti é indispensável nos rituais de Puja (adoração). O fumo vai atuar como uma oferenda a todas as divindades e simboliza o sacrifício do ego em que o incenso se vai queimando a si próprio para espalhar o bem e o seu perfume.

No Budismo o incenso é acendido antes das orações ou meditações em oferenda a Buddhas e Bodhisattvas, onde a sua queima constante é também um modo de nos lembrar sempre da impermanência (Anicca), em comparação com a nossa vida que ao mesmo tempo que flui se vai consumindo e acabando como o incenso.

No Cristianismo (catolicismo e ortodoxia) utiliza-se a resina em turíbulos durante missas e nas liturgias, onde o fumo simboliza as orações dos fiéis a escender aos céus (Salmo 141:2: "Suba a minha oração como incenso à tua presença") e ao mesmo tempo para purifica o altar. O incenso (franquincenso/olíbano/ mirra) foi também um dos presentes dos Reis Magos, portanto podemos considerar a sua importância.

No Islamismo o incenso conhecido como Bakhoor ou Oud e é amplamente utilizado para purificar e perfumar as mesquitas e as habitações. O próprio Profeta Maomé incentivava o uso de bons aromas antes das orações de sexta-feira.

No Xamanismo e nas tradições indígenas usam-se plantas secas em maços como a Sálvia Branca ou o Pao Santo para defumação de modo a limpar as energias densas de um local ou mesmo do campo eletromagnético das pessoas.

 

Função específica na meditação, ayurveda e tantra

Na meditação

Ponto de foco (Dharana): O aroma atua como uma âncora sensorial e quando a mente se dispersa, o cheiro suave do incenso traz o meditador de volta ao momento presente.

Indução ao estado alfa: Plantas como o sândalo ou a lavanda reduzem e estabilizam o ritmo cardíaco e ao mesmo tempo abrandam as ondas cerebrais, facilitando a transição para um estado de relaxamento profundo e presença connosco mesmo.

Higienização Mental: O fumo subtil e o cheiro ajuda e induz a que o nosso cérebro sinalize a que horas deve desacelerar os pensamentos ruidosos do dia. 

No Ayurveda

No Ayurveda, o incenso não é apenas um perfume, mas uma ferramenta terapêutica (Dhoopana) usada para harmonizar o corpo físico e subtil através dos Doshas:

- Vata (Ar e Éter - mente agitada/seca): Usa aromaterapia com incensos quentes, doces e terrosos (como Sândalo, Gugglu ou Canela) de modo a trazer enraizamento e estabilidade.

- Pitta (Fogo e Água - tendência à irritabilidade/calor): Precisa de plantas refrescantes e calmantes (como Rosa, Jasmin ou Vétiver) para abrandar o excesso de calor e o stress.

- Kapha (Terra e Água - tendência à letargia/peso): Beneficia de aromas estimulantes, picantes e secos (como Eucalipto, Cânfora ou Mirra) de modo a despertar a mente e a mover toda a energia estagnada.

No Tantra

Na tradição Tântrica, o incenso desempenha um papel muito específico na manipulação e elevação do Prana (energia vital):

- Ativação dos Chakras, onde se misturam específicas de resinas e flores que são acesas para destravar ou estimular os nossos centros energéticos específicos (ex.: Olíbano para o Chakra Coronário; Patchouli/Almiscar para o Chakra da base).

- Criação de um espaço consagrado que é o lugar dos rituais tântricos, quer sejam de meditação, Yantra Puja ou práticas de união sensual ou sexual sagrada, em que o incenso serve para purificar o ambiente e transmutar a energia densa da matéria em energia espiritual elevada.

- Despertar dos sentidos, pois o Tantra não rejeita os sentidos, mas usa-os como canal de libertação, onde o incenso acorda e desperte a sensibilidade olfativa, ajudando a expandir a percepção sensorial e a presença corporal.

 

Como vimos atrás é extremamente importante priorizar incensos com certificação orgânica ou de produção artesanal tradicional pois os incensos sintéticos contêm fixadores químicos nocivos à saúde principalmente quando são inalados em ambientes fechados, portanto em espaços fechados, garanta sempre uma ligeira ventilação para renovar o ar. 

 

Qualquer outra informação digam

Que desfrutem de todo este conhecimento e destas curiosidades importantes da ciência védica, da Medicina Ayurvédica e do seu estilo de vida.

"Bhavatu Sabba Mangalam"

Shanti, Shanti, Shanti

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